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Estudo com 17 mil conflitos revela como o solo influenciou as guerras

Pintura de carga de cavalaria na Batalha de Waterloo, detalhe do panorama de Louis Dumoulin
Carga de cavalaria na Batalha de Waterloo, detalhe do panorama de Louis Dumoulin. Imagem: Wikimedia Commons (domínio público)

O que o chão tem a ver com o destino das guerras? Muito mais do que se imagina, segundo um estudo que cruzou geopolítica e ciência do solo para analisar como as características da terra influenciaram o desenrolar e o custo humano dos conflitos ao longo da história. A pesquisa, publicada na revista científica Total Environment Advanced, teve participação da Universidade Estadual Paulista (Unesp).

17 mil conflitos sob o microscópio

Os autores analisaram mais de 17 mil conflitos ocorridos entre 1468 a.C. e 2003 d.C., relacionando-os a propriedades do solo como textura, drenagem, fertilidade e estabilidade. O objetivo era entender como o terreno condiciona a movimentação de tropas, a logística e a própria viabilidade das batalhas. Um tipo de solo, os cambissolos, aparece em cerca de 20% dos conflitos estudados.

“O solo não decide onde as guerras começam, mas ajuda a determinar como elas se desenvolvem”, resume o estudo, que teve como primeiro autor o professor Gian Franco Capra, da Universidade de Sassari, na Itália.

Da Europa ao Paraguai

O conjunto de dados é dominado por conflitos europeus, seguidos pela Ásia; as Américas, a África e a Oceania somadas representam apenas um terço dos registros. Entre os casos sul-americanos, a Guerra do Paraguai (1864-1870) é destacada como exemplo de como o terreno alagadiço e a logística difícil moldaram um conflito longo e devastador.

O estudo teve entre os coautores o pesquisador Rafael Barroca Silva, doutor em Ciência Florestal pela Unesp, no campus de Botucatu, e o professor Antonio Ganga, também da Universidade de Sassari.

Solo, reconstrução e futuro

Mais do que olhar para o passado, os autores defendem que entender o solo é essencial para pensar a reconstrução de territórios devastados por guerras. Conflitos compactam, contaminam e degradam a terra, comprometendo a produção de alimentos e a recuperação econômica por décadas.

“Qualquer discussão séria sobre reconstrução precisa colocar a recuperação dos solos no centro”, afirmam os pesquisadores.

O trabalho reforça uma ideia cada vez mais presente na ciência ambiental: o solo, recurso silencioso e muitas vezes ignorado, é um personagem central da história humana, da segurança alimentar à geopolítica.

Perguntas frequentes

Como o solo influencia as guerras?

Características como textura, drenagem e estabilidade afetam a movimentação de tropas, a logística e a duração dos conflitos, embora não determinem onde eles começam.

Com informações do Jornal da Unesp.

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