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Estudo com 17 mil conflitos revela como o solo influenciou as guerras

Ilustração de solo seco ao lado de plantação verde
Ilustração: IA / Revista Amazônia

O que o chão tem a ver com o destino das guerras? Muito mais do que se imagina, segundo um estudo que cruzou geopolítica e ciência do solo para analisar como as características da terra influenciaram o desenrolar e o custo humano dos conflitos ao longo da história. A pesquisa, publicada na revista científica Total Environment Advanced, teve participação da Universidade Estadual Paulista (Unesp).

17 mil conflitos sob o microscópio

Os autores analisaram mais de 17 mil conflitos ocorridos entre 1468 a.C. e 2003 d.C., relacionando-os a propriedades do solo como textura, drenagem, fertilidade e estabilidade. O objetivo era entender como o terreno condiciona a movimentação de tropas, a logística e a própria viabilidade das batalhas. Um tipo de solo, os cambissolos, aparece em cerca de 20% dos conflitos estudados.

“O solo não decide onde as guerras começam, mas ajuda a determinar como elas se desenvolvem”, resume o estudo, que teve como primeiro autor o professor Gian Franco Capra, da Universidade de Sassari, na Itália.

Da Europa ao Paraguai

O conjunto de dados é dominado por conflitos europeus, seguidos pela Ásia; as Américas, a África e a Oceania somadas representam apenas um terço dos registros. Entre os casos sul-americanos, a Guerra do Paraguai (1864-1870) é destacada como exemplo de como o terreno alagadiço e a logística difícil moldaram um conflito longo e devastador.

O estudo teve entre os coautores o pesquisador Rafael Barroca Silva, doutor em Ciência Florestal pela Unesp, no campus de Botucatu, e o professor Antonio Ganga, também da Universidade de Sassari.

Solo, reconstrução e futuro

Mais do que olhar para o passado, os autores defendem que entender o solo é essencial para pensar a reconstrução de territórios devastados por guerras. Conflitos compactam, contaminam e degradam a terra, comprometendo a produção de alimentos e a recuperação econômica por décadas.

“Qualquer discussão séria sobre reconstrução precisa colocar a recuperação dos solos no centro”, afirmam os pesquisadores.

O trabalho reforça uma ideia cada vez mais presente na ciência ambiental: o solo, recurso silencioso e muitas vezes ignorado, é um personagem central da história humana, da segurança alimentar à geopolítica.

Perguntas frequentes

Como o solo influencia as guerras?

Características como textura, drenagem e estabilidade afetam a movimentação de tropas, a logística e a duração dos conflitos, embora não determinem onde eles começam.

Com informações do Jornal da Unesp.

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