
Câmeras camufladas instaladas às margens do rio Xingu, no Pará, registraram uma cena que os biólogos esperavam havia mais de uma década: duas ariranhas adultas se aproximando de uma toca, de onde saem dois filhotes e mais um adulto. Foi o primeiro registro de filhotes da espécie desde o início do monitoramento de mamíferos aquáticos na área de influência da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, em 2012.
Segundo a Norte Energia, concessionária da usina, o registro foi feito em 2025 e indica que o ambiente oferece condições para a reprodução da espécie.
Por que o flagrante é raro
A ariranha (Pteronura brasiliensis) é muito sensível à presença humana, sobretudo quando está criando filhotes. Barulho, barcos e movimentação perto das tocas podem fazer o grupo abandonar o local. Por isso, ver filhotes saindo da toca em imagens de vídeo é considerado um indicador de que a área está relativamente tranquila.
O programa de monitoramento de mamíferos aquáticos e semiaquáticos do Xingu faz parte do licenciamento ambiental da usina, acompanhado pelo Ibama. Segundo a concessionária, em 13 anos foram registrados 280 animais aquáticos e semiaquáticos, e o projeto foi selecionado para apresentação em um fórum de programas de fauna do licenciamento ambiental federal.
A onça-d’água
A ariranha é a maior lontra do mundo e pode chegar a cerca de 1,8 metro de comprimento, incluindo a cauda. É conhecida também como onça-d’água, lontra-gigante e lobo-do-rio. Vive em grupos familiares, que no Xingu reúnem de dois a dez indivíduos, e todos os adultos ajudam a criar os filhotes.
Come principalmente peixes e tem um repertório vocal complexo, com chamados diferentes para alerta, contato e brincadeira. Cada ariranha tem uma mancha clara no pescoço com formato único, que os pesquisadores usam para identificar os indivíduos, como uma impressão digital.
De quase extinta a vulnerável
No século 20, a caça para o comércio de peles derrubou as populações de ariranha em toda a América do Sul. Com a proibição da caça e do comércio, a espécie se recuperou em várias regiões, mas continua classificada como vulnerável no Brasil. Hoje as principais ameaças são a perda de habitat, a poluição dos rios, o garimpo e os conflitos com pescadores, que às vezes veem os animais como concorrentes.
O que o registro diz e o que não diz
A presença de filhotes mostra que há ariranhas se reproduzindo no trecho monitorado. Isso não encerra o debate sobre os impactos de Belo Monte sobre o Xingu, que incluem a redução da vazão em um trecho do rio e mudanças na pesca. Mas é uma informação importante sobre a fauna que vive no reservatório e nas áreas protegidas ao redor.
Perguntas frequentes
Ariranha é a mesma coisa que lontra?
São parentes, mas espécies diferentes. A ariranha é bem maior e vive em grupos. A lontra-neotropical é menor e mais solitária.
A ariranha é perigosa?
Ela evita pessoas, mas pode reagir com agressividade se o grupo ou a toca forem ameaçados. O ideal é observá-la de longe.
Com informações da Norte Energia e do Ibama.
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