Fungo gigante de meio metro achado nas florestas da China ganhou o apelido de D-rex e surgiu logo depois da extinção dos dinossauros

Fungo gigante de meio metro achado nas florestas da China ganhou o apelido de D-rex e surgiu logo depois da extinção dos dinossauros
Fungo do gênero Xylaria, da mesma ordem do D-rex, com as estruturas eretas típicas do grupo. Foto: Kurt Miller, via Wikimedia Commons, licença CC BY-SA 3.0.

Pesquisadores que percorriam florestas da província de Yunnan, no sudoeste da China, encontraram estruturas brancas e eretas brotando das raízes de carvalhos. Pareciam pequenas colunas saindo do chão. Eram os corpos de frutificação de um fungo desconhecido que bate todos os recordes do seu grupo: chegam a 50 centímetros de altura e a 2,2 quilos. A espécie ganhou o nome de Dianjunus rex e o apelido de D-rex.

O estudo foi publicado na revista Frontiers in Fungal Biology por pesquisadores do Instituto de Botânica de Kunming, da Academia Chinesa de Ciências. A autora correspondente é a micóloga Indunil Senanayake, do Banco de Germoplasma de Espécies Silvestres do instituto.

Nem cogumelo é

O D-rex pertence aos ascomicetos, o maior grupo de fungos, com mais de 64 mil espécies conhecidas. Diferente dos cogumelos comuns, eles não formam chapéu. Produzem os esporos dentro de pequenos sacos que ficam no interior ou na superfície das estruturas de reprodução, chamadas de estromas.

Antes da descoberta, os maiores estromas conhecidos nesse grupo tinham cerca de 20 a 30 centímetros. O D-rex quase dobra essa marca e tem os maiores corpos de frutificação já registrados entre os ascomicetos.

Uma família inteira nova

A equipe coletou amostras em florestas de coníferas perto de Damaidi e Yipinglang e numa floresta tropical perto de Nanbang. Os estromas cresciam na rizosfera, a faixa de solo em volta das raízes, ligados às raízes lenhosas do carvalho-cortiça-chinês.

Os pesquisadores cultivaram esporos em laboratório, examinaram a anatomia e sequenciaram o genoma do fungo. O resultado mostrou algo maior que uma espécie nova. O D-rex era tão diferente dos fungos conhecidos que exigiu a criação de um gênero novo e de uma família nova, Dianjunaceae, dentro da ordem Xylariales. O nome homenageia o antigo reino Dian, que existiu na região, e o tamanho do fungo.

O parente vivo mais próximo é o Graphostroma platystoma, que cresce em madeira morta no Hemisfério Norte. Fungos dessa ordem são conhecidos por produzir enzimas capazes de quebrar moléculas complexas das plantas, e o D-rex provavelmente usa algo parecido para decompor madeira e tirar dela os nutrientes.

Nascido depois do asteroide

A parte mais curiosa veio da idade da linhagem. Usando a técnica do relógio molecular, que compara o DNA com o de centenas de fungos de história evolutiva conhecida, os pesquisadores estimaram que a família Dianjunaceae surgiu há cerca de 65 milhões de anos, aproximadamente um milhão de anos depois da extinção que acabou com os dinossauros.

Para Senanayake, a coincidência faz sentido. Depois da catástrofe, as florestas passaram por mudanças enormes, entre elas a disponibilidade repentina de muita matéria vegetal morta. Para fungos que vivem de decompor madeira, esse cenário pode ter aberto oportunidades novas.

Por que crescer tanto

Ninguém sabe ao certo por que o D-rex ficou tão grande. Uma hipótese envolve a dispersão dos esporos. Uma estrutura que se ergue acima das folhas e galhos do chão pega melhor as correntes de ar e espalha os esporos mais longe dentro da floresta fechada.

O problema é o custo. Construir uma coluna de meio metro gasta muita energia. Por isso, os pesquisadores acreditam que essa estratégia só valeu a pena em ambientes onde o ganho na dispersão superava o investimento.

Fungos ainda desconhecidos

A descoberta mostra o quanto ainda falta conhecer da diversidade de fungos, mesmo em espécies grandes o bastante para serem vistas a metros de distância. As florestas subtropicais do sul da China combinam muitos tipos de habitat, clima relativamente estável e relações complexas entre organismos, condições que favorecem formas incomuns.

O mesmo vale para o Brasil. Estima-se que a maior parte das espécies de fungos do país ainda não tenha nome científico, e a Amazônia, com sua quantidade gigantesca de madeira em decomposição, é um dos lugares onde descobertas desse tipo continuam aparecendo a cada ano.

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