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Homem começa a construir muro em terreno no Amazonas e arqueólogos descobrem antigo cemitério indígena com quatro urnas funerárias e mais de 200 fragmentos

Em agosto de 2026, um estudo arqueológico no Seringal do Jauari, em Itacoatiara (AM), confirmou um antigo cemitério indígena. Foram identificados quatro locais com urnas funerárias e mais de 200 fragmentos arqueológicos.

A pesquisa começou depois que o proprietário iniciou a construção de um muro na área. As urnas não serão retiradas: as escavações foram interrompidas para preservar o contexto funerário. A arqueóloga Elaine Parintins classificou o sítio como complexo e representativo da história pré-colonial da região.

A descoberta se conecta a um achado de 2012, quando uma urna com restos de oito pessoas (incluindo duas crianças) foi encontrada a cerca de 200 metros do local atual.

A importância de preservar o contexto

A decisão de não retirar as urnas é metodologicamente correta. O contexto funerário – a posição das urnas, a associação com outros fragmentos e a estratigrafia – carrega informações que se perdem quando o material é removido sem o devido registro.

O sítio do Seringal do Jauari se soma a outros registros de práticas funerárias pré-coloniais na Amazônia Central. Ele ajuda a construir um mapa mais preciso da ocupação indígena da região de Itacoatiara antes da chegada dos europeus.

A descoberta também mostra a importância da fiscalização e do acompanhamento arqueológico em áreas particulares, especialmente quando há obras civis.

Perspectiva mais ampla e conexão com o Brasil

Essas descobertas de 2025 e 2026 se somam a um conjunto crescente de evidências de que a Amazônia brasileira ainda guarda um volume extraordinário de biodiversidade e de história humana desconhecida. Seja uma rã críptica, um caranguejo de altitude, um escorpião perto de uma cachoeira, um gafanhoto batizado com toada de Parintins, uma ave restrita a topo de serra, um conjunto de espécies novas em 12 dias de campo, um cemitério indígena ou sinais de isolados, o padrão é o mesmo: a floresta continua a surpreender.

Para o leitor brasileiro, cada uma dessas histórias traz números concretos, localidades precisas e consequências mensuráveis. Elas substituem a imagem genérica da Amazônia por uma paisagem de descobertas específicas, datadas e verificáveis. E, ao fazer isso, reforçam a urgência de proteger os territórios onde essas descobertas ainda são possíveis.

A ciência feita no Brasil, em parceria com povos indígenas e com instituições de pesquisa, continua a escrever páginas novas da história natural e cultural da maior floresta tropical do mundo.

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