Crânio de 2 milhões de anos na África do Sul confirma que o Homo erectus, ancestral direto da humanidade, surgiu 200 mil anos antes do que se pensava

Crânio de 2 milhões de anos na África do Sul confirma que o Homo erectus, ancestral direto da humanidade, surgiu 200 mil anos antes do que se pensava
Reconstrução artística da cabeça de um Homo erectus. Ilustração: Tales from the Workshop, via Wikimedia Commons, domínio público (CC0).

O Homo erectus é a primeira espécie que os cientistas, de forma ampla, aceitam como parte do nosso próprio gênero, Homo, e provavelmente um ancestral direto dos humanos modernos. Um fóssil descrito por arqueólogos da Universidade La Trobe, na Austrália, reforça que ele já estava no sul da África há 2 milhões de anos, cerca de 200 mil anos antes do que tradicionalmente se acreditava.

O estudo foi publicado na revista científica Annals of Human Biology e descreve 18 fósseis de hominínios até então inéditos.

Uma caverna no Berço da Humanidade

Os fósseis vêm da pedreira principal de Drimolen, no chamado Berço da Humanidade, região da África do Sul que está entre os lugares mais ricos do mundo em restos de parentes humanos antigos. O sítio foi descoberto em 1992 e escavado até 2019, mas muitos dos fósseis nunca tinham sido descritos formalmente.

Até agora, a principal prova da presença do Homo erectus em Drimolen era o crânio de uma criança de dois a quatro anos, conhecido como DNH 134. Faltava saber como era o adulto. O novo fóssil, DNH 127, é o primeiro de um Homo erectus adulto no local.

Com cerca de 2 milhões de anos, ele é aproximadamente 200 mil anos mais velho que os fósseis adultos da espécie encontrados em outros lugares, como os de Dmanisi, na Geórgia, datados de cerca de 1,8 milhão de anos. Segundo o pesquisador Jesse Martin, líder do estudo, o achado confirma que a espécie apareceu no sul da África há 2 milhões de anos.

Dois primos, dois caminhos

Os fósseis de Drimolen também incluem restos de Paranthropus robustus, outro hominínio que dividia a paisagem com o Homo erectus. Os dois seguiram caminhos opostos.

Enquanto o Homo erectus desenvolvia um cérebro maior e dentes molares menores, possivelmente por comer mais carne, o Paranthropus manteve um cérebro só um pouco maior que o de um chimpanzé e desenvolveu molares enormes, próprios para triturar alimentos duros, como um pilão. Entre 2 milhões e 1,8 milhão de anos atrás, seus dentes e músculos da mastigação ficaram ainda maiores.

A aposta improvável

Hoje sabemos que a linhagem do Homo erectus foi a vencedora, a que levou até nós. Mas, segundo Martin, há 2 milhões de anos, em Drimolen, o Paranthropus superava o Homo erectus em mais de dez para um. Naquele momento, nossos ancestrais pareciam a aposta menos provável de sobreviver.

A quantidade de fósseis do sítio permite algo raro: comparar populações da mesma espécie separadas por 200 mil anos. Os Paranthropus de Drimolen são ligeiramente diferentes dos da caverna de Swartkrans, 200 mil anos mais recentes, o suficiente para que a população de Drimolen já tenha recebido uma designação de subespécie.

Por que isso importa

Fósseis de hominínios são tão raros que, em geral, os cientistas precisam fazer suposições sobre os pedaços que faltam. Sítios ricos como Drimolen permitem ver pequenas mudanças evolutivas acontecendo ao longo do tempo, algo quase impossível com achados isolados. E reforçam que a história humana não foi uma linha reta, mas um mosaico de espécies que conviveram, competiram e, na maioria, desapareceram.

O Homo erectus foi também o primeiro hominínio a sair da África e se espalhar pela Ásia, e sobreviveu por mais de um milhão de anos, muito mais tempo do que nossa espécie existe até agora.

Perguntas frequentes

O Homo erectus é nosso ancestral?

É considerado o primeiro membro amplamente aceito do gênero Homo e provavelmente um ancestral direto dos humanos modernos.

Qual a idade do novo fóssil?

Cerca de 2 milhões de anos, 200 mil anos a mais que outros fósseis adultos da espécie.

Com informações da Universidade La Trobe e do estudo publicado na Annals of Human Biology.

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