
A primeira aproximação do mapa de macrocompartimentos mostra que 64,2% do relevo da região Norte é formado por Superfícies Rebaixadas.
Quem vive na Amazônia pisa, na maior parte do tempo, em uma Superfície Rebaixada. É o que indica o novo mapa do relevo brasileiro divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quinta-feira (29): na região Norte, essa classe ocupa 64,2% do território. A publicação, chamada de primeira aproximação do Mapa dos Macrocompartimentos de Relevo do Brasil, também reconhece pela primeira vez as Montanhas em um mapa nacional e abandona o termo “Depressões”.
Cinco classes para um país inteiro
O mapa divide o território em cinco macrocompartimentos: Montanhas, Planaltos, Superfícies Rebaixadas, Tabuleiros e Planícies. Segundo o IBGE, essas classes representam grandes conjuntos de formas do relevo, resultantes de processos geológicos e de fatores externos, como clima, intemperismo e erosão.
É o primeiro resultado cartográfico nacional baseado nas discussões do Sistema Brasileiro de Classificação de Relevo (SBCR). O trabalho foi construído em conjunto pelo IBGE, pelo Serviço Geológico do Brasil (SGB), pela União da Geomorfologia Brasileira (UGB) e por pesquisadores de universidades de todo o país, reunindo cerca de 70 especialistas. Uma Nota Metodológica acompanha o mapa e apresenta conceitos e critérios usados.
Como o relevo se distribui no território
Segundo o IBGE, as Superfícies Rebaixadas correspondem a 47,9% do território nacional, o que as torna o macrocompartimento predominante. Os Planaltos vêm em seguida, com 37,6%, depois as Planícies (8,4%), os Tabuleiros (2,3%) e as Montanhas (1,9%).
A divisão varia bastante entre as Grandes Regiões. No Norte e no Nordeste predominam as Superfícies Rebaixadas, presentes em 64,2% e 61,7% das áreas, respectivamente. As duas regiões também concentram as maiores extensões de Tabuleiros, com destaque para a faixa litorânea nordestina, batizada no estudo de “Costa dos Tabuleiros”.
No Centro-Oeste, os Planaltos somam 63,0% do território e as Superfícies Rebaixadas, 22,5%. A região tem a maior proporção de Planícies entre as cinco, com 13,5%, influenciada pela Planície Pantaneira. No Sul, os Planaltos abrangem 77,8% da área, e a região apresenta a menor diversidade de classes no primeiro nível taxonômico do SBCR.
Montanhas passam a ter lugar no mapa nacional
A principal novidade é a inclusão formal das Montanhas. Pela primeira vez, a classe aparece em um mapa de relevo de escala nacional, definida por critérios morfológicos, de amplitude altimétrica e de declividade.
Segundo o levantamento, as Montanhas estão presentes em 20 das 27 Unidades da Federação. Minas Gerais concentra a maior extensão, com 37,3% do total mapeado, seguida por Bahia (15,8%), Rio de Janeiro (9,0%) e São Paulo (8,7%). Entre as Grandes Regiões, o Sudeste tem a maior extensão contínua, e as Montanhas representam 10,7% do território regional.
Por que “Depressões” saiu de cena
A segunda mudança é conceitual. No nível mais abrangente da classificação, “Superfícies Rebaixadas” substitui “Depressões”. Segundo o IBGE, a troca reconhece a posição topográfica relativa dessas áreas e evita ambiguidades, já que “depressão” costuma remeter a cavidades, crateras, afundamentos ou topografia negativa.
Na prática, o nome novo descreve melhor o que o leitor amazônico vê: vastas áreas mais baixas que as superfícies vizinhas, e não buracos no terreno.
Presença desigual entre os estados
Planaltos, Superfícies Rebaixadas e Planícies ocorrem em todas as Unidades da Federação. Na escala adotada, porém, as duas últimas classes não estão representadas no Distrito Federal. Mato Grosso e Pará têm os maiores percentuais de Planaltos, com 15,6% e 14,5%, respectivamente.
Como se trata de uma primeira aproximação, o mapa ainda deve ser refinado a partir das discussões do SBCR. Os dados e a metodologia podem ser consultados na página de notícias da Agência IBGE.
Com informações de IBGE.
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