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Raios produzem tempestades elétricas chamadas de “thunderquakes”, novo estudo sugere que sinais podem revelar estruturas sob a Terra

Raios produzem tempestades elétricas chamadas de “thunderquakes”, novo estudo sugere que sinais podem revelar estruturas sob a Terra
Ilustração: IA

Ondas geradas por descargas elétricas podem abrir uma forma menos invasiva de investigar o subsolo.

Um raio não termina quando a luz desaparece no céu. A descarga elétrica também provoca ondas de choque que se espalham pelo ambiente e podem deixar sinais capazes de atravessar o subsolo. Essas manifestações, chamadas de “thunderquakes”, passaram a ser estudadas como uma possível ferramenta para revelar estruturas escondidas dentro da Terra.

A hipótese foi apresentada em um novo estudo divulgado pela Scientific American em 23 de agosto de 2026. Segundo a publicação, pesquisadores identificaram que os sinais produzidos pelo impacto dos raios podem funcionar de maneira semelhante a uma espécie de raio X geológico, oferecendo informações sobre camadas e formações que não são visíveis na superfície.

O som do raio também alcança o subsolo

O termo “thunderquake”, que pode ser traduzido livremente como “terremoto de trovão”, descreve as ondas geradas pela força de uma descarga elétrica. Quando um raio atinge o solo ou uma área próxima, a energia liberada aquece e desloca o ar de forma extremamente rápida. Esse movimento produz o estrondo do trovão e também ondas mecânicas que podem ser registradas por instrumentos científicos.

Até agora, esses sinais não eram compreendidos com precisão suficiente para serem usados em investigações geológicas. A dificuldade está em separar a contribuição do raio de outros ruídos naturais e humanos, além de interpretar como as ondas se comportam ao atravessar diferentes materiais.

Segundo a Scientific American, o novo estudo mostra que os “thunderquakes” podem conter informações sobre o interior da Terra. A comparação com raios X não significa que os raios produzam radiação capaz de criar imagens diretamente. A ideia é que os cientistas possam observar como as ondas se deslocam, são refletidas ou perdem energia ao encontrar diferentes estruturas subterrâneas.

Uma fonte natural para investigar formações rasas

A possibilidade mais imediata está no mapeamento de estruturas relativamente próximas da superfície. Falhas geológicas, camadas de sedimentos, rochas compactas e outras mudanças no subsolo alteram a passagem das ondas. Ao analisar os sinais registrados em vários pontos, os pesquisadores podem montar modelos sobre o que existe abaixo do terreno.

Raios produzem tempestades elétricas chamadas de “thunderquakes”, novo estudo sugere que sinais podem revelar estruturas sob a Terra
Foto: x.com

Esse tipo de investigação já é realizado com diferentes métodos sísmicos. Em alguns casos, são utilizados equipamentos que produzem vibrações controladas. Em outros, a pesquisa depende de explosivos ou de fontes mecânicas para gerar ondas que possam ser acompanhadas pelos sensores.

Os raios poderiam oferecer uma alternativa natural para parte desse trabalho. Uma única tempestade é capaz de produzir numerosas descargas em uma mesma região, criando várias fontes de sinal em pouco tempo. Essa repetição pode aumentar a quantidade de dados disponíveis e ajudar a construir mapas de estruturas geológicas rasas sem a necessidade de provocar artificialmente as ondas.

“Thunderquakes” são produzidos pelas ondas de choque dos raios. Até agora, os cientistas não entendiam esses sinais bem o suficiente para fazer algo com eles, mas um novo estudo mostra que eles poderiam agir como raios X e revelar o interior da Terra, informou a Scientific American.

O que a descoberta pode mudar na prática

Segundo a Scientific American, os “thunderquakes” podem ajudar a investigar estruturas escondidas dentro da Terra a partir da análise das ondas produzidas por raios em tempestades. A aplicação mais provável, neste estágio, é complementar técnicas já existentes, e não substituí-las completamente.

O método pode ser especialmente interessante em áreas onde o uso de explosivos ou equipamentos pesados é caro, difícil ou ambientalmente sensível. Regiões de floresta, terrenos acidentados e locais distantes de centros urbanos poderiam se beneficiar de uma fonte natural de energia já presente na atmosfera.

Na Amazônia, onde tempestades são frequentes e o acesso a extensas áreas pode ser complicado, a possibilidade chama atenção. Estados como Amazonas, Pará, Acre, Amapá, Rondônia, Roraima, Tocantins e Mato Grosso reúnem diferentes tipos de solo, rochas e estruturas geológicas. Ainda assim, a aplicação regional dependeria de redes de sensores, estudos específicos e condições adequadas para distinguir os sinais das tempestades de outros ruídos.

Raios produzem tempestades elétricas chamadas de “thunderquakes”, novo estudo sugere que sinais podem revelar estruturas sob a Terra
Ilustração: IA

Por que ainda não é uma técnica pronta

A descoberta não significa que qualquer trovão possa gerar imediatamente um mapa detalhado do subsolo. A qualidade da análise depende da distância entre o raio e os sensores, da intensidade da descarga, da composição do terreno e da quantidade de estações disponíveis para registrar as ondas.

Também será necessário compreender melhor como fatores como chuva, relevo, vegetação e atividade humana interferem nos sinais. Uma tempestade pode produzir muitas descargas, mas elas não ocorrem todas no mesmo ponto nem liberam exatamente a mesma quantidade de energia. Para transformar esses eventos em dados confiáveis, os cientistas precisam comparar os registros naturais com modelos e métodos de investigação já conhecidos.

Outro limite está no alcance da técnica. A descrição divulgada pela Scientific American aponta para o potencial de revelar estruturas internas, mas destaca principalmente a utilidade dos sinais para investigar formações mais rasas. Isso indica que o método ainda precisa ser testado antes de ser aplicado a grandes profundidades ou a levantamentos geológicos de escala ampla.

Uma nova leitura para tempestades conhecidas

O interesse científico pelos “thunderquakes” mostra como fenômenos comuns podem ganhar uma nova função quando observados com instrumentos mais sensíveis e modelos computacionais mais precisos. O trovão, normalmente percebido apenas como som, passa a ser tratado também como uma fonte de informação sobre o terreno.

A proposta ainda depende da validação de pesquisas futuras, mas abre uma frente de investigação que combina meteorologia, física das ondas, geologia e sismologia. Os próximos estudos devem indicar em quais tipos de solo a técnica funciona melhor e até que ponto os sinais de raios conseguem detalhar estruturas subterrâneas.

A partir dessa etapa, tempestades poderão ser analisadas não apenas pelo risco que oferecem, mas também pelos dados que produzem sobre o planeta. O avanço da pesquisa deve definir se os “thunderquakes” serão apenas uma curiosidade geofísica ou uma ferramenta complementar para mapear o subsolo nos próximos anos.

Com informações de Scientific American.

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