Telescópio James Webb flagra sinais de mundos do tamanho de Marte se chocando em sistemas jovens, como a batida que criou a nossa Lua

Telescópio James Webb flagra sinais de mundos do tamanho de Marte se chocando em sistemas jovens, como a batida que criou a nossa Lua
Ilustração de colisão planetária no sistema HD 172555. Imagem: Nasa/JPL-Caltech, via Wikimedia Commons, domínio público.

Um dos acontecimentos mais importantes do início do Sistema Solar foi uma colisão gigantesca entre a Terra jovem e um corpo do tamanho de Marte, chamado Theia. O impacto vaporizou enormes quantidades de rocha e lançou material ao espaço. Parte desses destroços se juntou e formou a Lua. Agora, o telescópio espacial James Webb está observando sistemas estelares jovens que parecem passar por colisões igualmente violentas.

O estudo foi publicado em outubro no Astrophysical Journal.

Discos de poeira extremos

O material em volta de uma estrela muda com o tempo. Estrelas jovens começam com um disco rico em gás, onde planetas se formam. Com a idade, ele vira um disco de detritos com pouco gás. O telescópio Spitzer, já aposentado, identificou uma categoria incomum, os discos de detritos extremos, com grandes quantidades de poeira quente perto da estrela, na região onde, no nosso sistema, ficam os planetas rochosos.

Os modelos sugerem que esses discos deveriam ser comuns, mas só cerca de 1% das estrelas jovens mostra sinais deles. O Sistema Solar pode ter passado por essa fase. A equipe liderada por Kate Su, do Instituto de Ciência Espacial, em Boulder, reuniu 21 desses discos, 16 deles observados pelo Webb.

Dois tipos de batida

Analisando os minerais, os pesquisadores dividiram os sistemas em dois grupos: discos ricos em sílica e discos pobres em sílica. Na Terra, o vidro vulcânico, como a obsidiana, é um exemplo de material rico em sílica. A forsterita, mineral pobre em sílica, aparece como areia verde em algumas praias do Havaí.

Cerca de um terço dos discos é rico em sílica. Esses sistemas provavelmente surgiram de colisões extremamente energéticas entre corpos do tamanho de Marte, fortes o bastante para vaporizar muita rocha. Os outros dois terços, pobres em sílica, parecem resultar de colisões menos violentas, incluindo batidas de raspão entre objetos do tamanho da Lua.

Há também uma diferença de idade. Discos ricos em sílica só foram encontrados em estrelas com menos de 300 milhões de anos. Os pobres em sílica aparecem em estrelas de idades variadas e mudam mais de brilho, talvez porque os destroços recém-criados evoluem rápido, com novas colisões e mudanças de órbita.

Embriões de planetas

Segundo a astrônoma Agnes Kospal, do Observatório Konkoly, em Budapeste, coautora, não há outra forma de estudar diretamente esses embriões de planetas, porque eles são pequenos demais para serem vistos. A poeira das colisões é a pista.

A nossa história

Para Kate Su, a formação dos planetas rochosos e a evolução dos gigantes gasosos fazem parte da mesma história, a da formação do Sistema Solar. Entender as colisões em outros sistemas ajuda a reconstruir o que aconteceu aqui, inclusive a batida que deu origem à Lua, há cerca de 4,5 bilhões de anos.

Perguntas frequentes

Como a Lua foi formada?

A hipótese mais aceita é que uma colisão entre a Terra jovem e um corpo do tamanho de Marte, chamado Theia, lançou material ao espaço, que se juntou e formou a Lua.

O que é um disco de detritos?

Um anel de poeira e rochas em volta de uma estrela, formado por colisões entre corpos rochosos.

Com informações da Nasa e do estudo publicado no Astrophysical Journal.

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