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Outono de 2026 reúne Andrômeda, Plêiades e a primeira superlua em uma temporada de noites mais longas

Outono de 2026 reúne Andrômeda, Plêiades e a primeira superlua em uma temporada de noites mais longas
Foto: acervo

O calendário celeste do outono no Hemisfério Norte oferece alvos para observação a olho nu, com binóculos ou telescópios.

Uma galáxia a milhões de anos-luz, um agrupamento de estrelas visível sem telescópio e uma Lua cheia que parecerá um pouco maior compõem o roteiro de observação do céu para o outono de 2026. A temporada, considerada no Hemisfério Norte, marca o retorno de alguns dos alvos mais procurados por quem acompanha o céu noturno.

O destaque não depende apenas de equipamentos sofisticados. Em uma área afastada das luzes urbanas, a galáxia de Andrômeda e as Plêiades podem ser localizadas com orientação simples. Já a superlua será o fenômeno mais acessível, porque poderá ser vista por praticamente qualquer pessoa quando estiver acima do horizonte e o tempo permitir.

O calendário depende do hemisfério

Há uma diferença importante para os leitores brasileiros: quando o outono chega ao Hemisfério Norte, o Brasil está na primavera. Isso não impede a observação dos astros, mas muda a forma de interpretar o calendário. A mesma noite pode oferecer condições diferentes conforme a latitude, o horário e a posição dos objetos no céu.

Na Amazônia, moradores do Acre, Amapá, Amazonas, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins observam o céu em latitudes tropicais. Nessas áreas, a galáxia de Andrômeda pode aparecer em uma região mais baixa do céu do que para observadores do norte da Europa ou dos Estados Unidos. O horizonte aberto é, portanto, especialmente importante.

Segundo a Live Science, o outono de 2026 terá entre seus principais atrativos a galáxia de Andrômeda, o aglomerado das Plêiades e a primeira superlua da estação no Hemisfério Norte.

Por que as noites mais longas ajudam

Durante o outono setentrional, o período de escuridão aumenta em comparação com o verão. Isso cria uma janela mais ampla para observar objetos que aparecem em horários diferentes ao longo da noite. Para o público, o efeito prático é simples: há mais tempo entre o fim do crepúsculo e o amanhecer.

O melhor ponto de partida é afastar-se de postes, fachadas iluminadas e áreas com grande concentração de veículos. A poluição luminosa funciona como uma espécie de claridade permanente sobre o céu. Ela reduz o contraste e apaga primeiro os objetos mais fracos, como a aparência difusa de uma galáxia distante.

Mesmo sem um local totalmente escuro, a adaptação dos olhos ajuda. Depois de alguns minutos longe de telas e lanternas fortes, a visão noturna melhora. Uma lanterna com luz vermelha é preferível, porque interfere menos nesse processo.

Andrômeda é uma galáxia vista como uma mancha

A galáxia de Andrômeda é uma das estruturas mais distantes que podem ser percebidas a olho nu em condições favoráveis. Ela não aparece como uma fotografia colorida ou como um disco perfeitamente definido. Para o observador, o aspecto mais comum é o de uma pequena mancha esbranquiçada e difusa.

O uso de binóculos torna a busca mais fácil. O instrumento amplia a área observada sem estreitar tanto o campo de visão quanto um telescópio. A recomendação é começar por estrelas mais brilhantes da região do céu e avançar aos poucos, usando um mapa celeste ou aplicativo de astronomia como referência.

A aparência discreta engana. A mancha corresponde a uma galáxia inteira, formada por uma quantidade enorme de estrelas. Como a luz percorre uma distância imensa até chegar à Terra, o que se observa agora representa uma imagem antiga de Andrômeda, e não o estado atual da galáxia no mesmo instante.

As Plêiades parecem um pequeno grupo de pontos

As Plêiades são um aglomerado aberto, nome dado a um conjunto de estrelas que se formou na mesma região e permanece ligado pela gravidade. O grupo costuma ser reconhecido como uma pequena concentração de pontos brilhantes, semelhante a uma miniatura de constelação.

O número de estrelas percebido varia conforme a acuidade visual, a transparência do ar e a iluminação do local. Por isso, algumas pessoas identificam apenas as mais luminosas, enquanto outras conseguem notar vários pontos. Binóculos revelam uma quantidade maior de estrelas e ajudam a separar aquelas que parecem formar uma única mancha.

Para encontrar o aglomerado, o observador deve procurar a região associada à constelação de Touro. Como a posição dos astros muda durante a noite e ao longo das semanas, não existe um único ponto fixo do céu que sirva para todos os horários e localidades. A consulta a um mapa atualizado evita confusões.

A superlua chama atenção pelo tamanho aparente

O terceiro destaque é a primeira superlua do outono de 2026. O termo é usado para descrever uma Lua cheia que ocorre quando o satélite está próximo do perigeu, o ponto de sua órbita mais perto da Terra. Nessa configuração, o disco lunar pode parecer ligeiramente maior e mais brilhante do que em uma Lua cheia comum.

A diferença não transforma a Lua em um objeto gigantesco. O efeito é sutil, mas pode ser valorizado quando o satélite nasce perto de prédios, árvores ou montanhas. A comparação visual com elementos do horizonte cria uma referência de escala que não existe quando a Lua está isolada no alto do céu.

Também é importante separar a superlua de outros fenômenos. Ela não é um eclipse, não altera a cor da Lua por si só e não exige telescópio. Binóculos podem revelar crateras e contrastes, mas a observação direta deve ser feita sem olhar para o Sol, algo que não se aplica à Lua durante a noite.

Como adaptar a observação para a Amazônia

Para quem vive na Amazônia, o principal desafio costuma ser combinar céu escuro, horizonte livre e condições meteorológicas favoráveis. O clima varia muito entre os nove estados da região, e a presença de nuvens pode mudar rapidamente. Por isso, a escolha de uma área segura e aberta é tão importante quanto o equipamento.

Em cidades como Belém, Manaus, Rio Branco, Macapá, Porto Velho, Boa Vista, Palmas, São Luís e Cuiabá, a iluminação urbana pode limitar a observação de Andrômeda e de outros objetos difusos. Ainda assim, a Lua e as Plêiades continuam sendo alvos mais fáceis. Áreas rurais, comunidades afastadas e unidades de conservação podem oferecer melhores condições, desde que o acesso seja permitido e seguro.

O roteiro ideal começa com uma verificação do tempo, passa pela escolha de um local sem obstáculos e termina com a identificação dos astros por um mapa celeste. A observação deve ser feita sem pressa, porque os olhos precisam se adaptar e a posição dos objetos muda conforme a noite avança.

O que levar para observar

  • Mapa celeste ou aplicativo de astronomia atualizado.
  • Lanterna com luz vermelha ou filtro vermelho.
  • Binóculo, se disponível, para localizar Andrômeda e detalhar as Plêiades.
  • Casaco, água e proteção contra insetos, conforme o local escolhido.
  • Telefone carregado e comunicação planejada para áreas afastadas.

A temporada de 2026 oferece uma oportunidade para observar três fenômenos com níveis diferentes de dificuldade. A superlua é o alvo mais simples, as Plêiades funcionam como uma boa etapa intermediária e Andrômeda exige um céu mais escuro e maior adaptação visual. As datas e os horários exatos devem ser conferidos em um calendário astronômico confiável à medida que o outono setentrional se aproximar.

Com informações de Live Science.

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