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Jovens oceanógrafos lideram expedição inédita no Atlântico

Jovens oceanógrafos lideram expedição inédita no Atlântico
Foto: newswise.com

Cientistas da Universidade Rutgers enfrentarão desafios em pesquisa crucial sobre a interação oceânica.

Imagine a emoção de zarpar para o desconhecido, não para uma aventura de lazer, mas para uma jornada científica que pode desvendar segredos cruciais do nosso planeta. É exatamente isso que os oceanógrafos Joe Gradone e Corday Selden estão prestes a fazer, liderando uma ambiciosa expedição de 25 dias pelo Oceano Atlântico.

Em 7 de agosto, eles embarcarão no navio de pesquisa R/V Falkor (too), em Bridgetown, Barbados, para uma missão que pode redefinir nossa compreensão sobre como os oceanos funcionam. Como co-chefes de uma equipe internacional de 19 cientistas, Gradone e Selden terão a tarefa de guiar um projeto complexo e desafiador, com o objetivo de estudar a interação de pequenas escalas de mistura oceânica e seus impactos na vida marinha e no ciclo do carbono.

A oportunidade é resultado do apoio da Schmidt Ocean Institute, uma organização sem fins lucrativos dedicada à pesquisa oceanográfica, que oferece acesso gratuito a navios equipados com tecnologia de ponta. Essa parceria proporciona à Universidade Rutgers e, em particular, a esses jovens pesquisadores, uma plataforma global para ciência ininterrupta, com oito laboratórios a bordo e capacidade de computação avançada.

Desvendando os Segredos da Mistura Oceânica

A expedição de Gradone e Selden é um marco em suas carreiras, combinando suas experiências complementares. Joe Gradone, professor assistente de pesquisa, foca em oceanografia física e plataformas autônomas, como os gliders robóticos que exploram as profundezas. Corday Selden, professora assistente, traz sua expertise em amostragem biológica e química, fundamental para os estudos que serão realizados.

Juntos, eles buscarão conectar a estrutura física de pequena escala do oceano com sua química e biologia. O foco será um fenômeno conhecido como mistura por “dedo de sal”, que ocorre quando camadas de água com diferentes temperaturas e níveis de salinidade interagem. Esses movimentos sutis podem influenciar a vida marinha, a química do oceano e o transporte de carbono. A meta é capturar um espectro dessas condições de mistura e entender como a circulação oceânica impacta esses processos e, por sua vez, a vida oceânica.

“O apoio do Schmidt Ocean Institute oferece aos cientistas e estudantes de Rutgers acesso a capacidades extraordinárias a bordo do navio. Para Joe Gradone e Corday Selden, esta expedição é tanto uma grande oportunidade científica quanto um momento definidor na carreira, ao liderarem uma equipe internacional que estuda processos difíceis de observar, mas essenciais para entender o oceano e seu alcance global.” disse Josh Kohut, reitor de pesquisa da Rutgers School of Environmental and Biological Sciences. Segundo Kohut, a missão é crucial para o entendimento da dinâmica oceânica.

A Incógnita Amazônica: Conexões Regionais

Embora a expedição se concentre no Atlântico, os resultados desta pesquisa podem ter implicações importantes para a Amazônia e sua vasta rede hídrica. A saúde dos oceanos está intrinsecamente ligada aos rios e florestas, e qualquer mudança na circulação oceânica pode afetar padrões climáticos que, por sua vez, impactam ecossistemas sensíveis como a bacia amazônica. Por exemplo, a capacidade de o oceano absorver carbono, influenciada por misturas como as que serão estudadas, tem um efeito direto nas concentrações de gases de efeito estufa na atmosfera, impactando climas globais e regionais.

Com a Amazônia desempenhando um papel vital na regulação climática mundial, entender os processos oceânicos é fundamental para prever e mitigar os efeitos das mudanças climáticas em nossa região. A Amazônia brasileira também é lar de diversos estudos oceanográficos em sua costa, principalmente em áreas de plataformas continentais e estuários, onde rios encontram o oceano. Pesquisas como esta colaboram para um entendimento mais amplo.

Desafios e Recompensas da Ciência em Alto Mar

A vida de um cientista marinho é repleta de incertezas. Selden já viveu a frustração de perder amostras devido a falhas de equipamentos, enquanto Gradone se preocupa com a possibilidade de seus gliders autônomos se perderem no vasto oceano. “O oceano tem um jeito de guardar o que a gente manda para ele, é a natureza do trabalho”, comenta Gradone, que brinca sobre a sorte de sempre recuperar seus equipamentos até agora.

A responsabilidade e a imprevisibilidade do mar trazem um misto de ansiedade e gratidão. Além de toda a equipe a bordo, a Rutgers contará com o oceanógrafo Travis Miles e vários estudantes de doutorado, além de especialistas em oceanografia física, biologia marinha, química e ecologia de zooplâncton. Muitos desses colaboradores são ex-alunos ou mentores que continuam a apoiar uns aos outros, criando um ambiente “familiar” que Selden valoriza, especialmente quando os planos precisam mudar rapidamente.

Esta expedição representa um “período de construção” para ambos os cientistas, que estão estabelecendo seus laboratórios e traçando seus futuros como mentores e pesquisadores. Os resultados das descobertas desta missão, que podem levar tempo para serem totalmente analisados após o retorno à terra firme, serão cruciais para o avanço da ciência oceanográfica e para o entendimento do nosso planeta.

Perguntas Frequentes

O que é a mistura por “dedo de sal”?

É um tipo de interação que ocorre no oceano quando camadas de água com diferentes temperaturas e salinidades se encontram, gerando movimentos em pequena escala.

Qual a importância dessa pesquisa para o clima global?

Esses pequenos movimentos oceânicos influenciam a circulação de carbono, um fator crucial para entender como o oceano absorve gases de efeito estufa e, consequentemente, afeta o clima global.

Quando a expedição terá início?

Os cientistas embarcarão em 7 de agosto, com o navio partindo em 9 de agosto de Bridgetown, Barbados, para 25 dias de pesquisa.

Com informações de Rutgers University-New Brunswick.

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