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Lago de Tucuruí alaga 2.850 km², deixa árvores submersas e transforma parte da floresta em madeira extraída enquanto usina chega a 8.370 MW

Lago de Tucuruí alaga 2.850 km², deixa árvores submersas e transforma parte da floresta em madeira extraída enquanto usina chega a 8.370 MW
Ilustração: IA

No rio Tocantins, árvores permaneceram em pé depois do enchimento do reservatório e passaram a integrar uma atividade posterior de retirada de madeira submersa.

Quando o reservatório de Tucuruí está cheio, uma área de 2.850 quilômetros quadrados fica coberta pelas águas do rio Tocantins. Em parte desse espaço, a floresta não foi retirada antes do alagamento. Árvores permaneceram em pé, com troncos, galhos e raízes submetidos a um ambiente aquático criado pela barragem.

Com o passar do tempo, essas árvores deixadas sob a água passaram a ser retiradas como madeira submersa. A sequência reúne três momentos distintos: a formação do reservatório, a permanência da vegetação embaixo d’água e o uso posterior de parte desse material. O caso também se conecta à ampliação da Usina Hidrelétrica de Tucuruí, cuja capacidade instalada passou de 4.000 para 8.370 megawatts em 2010.

Uma floresta permaneceu no lugar durante o alagamento

O reservatório não cobre apenas uma superfície líquida uniforme. Onde antes havia floresta, o enchimento alterou o ambiente de forma completa. A água passou a ocupar áreas de solo, clareiras e trechos com árvores que não foram removidas. Os troncos ficaram expostos à água em diferentes profundidades, enquanto copas e galhos puderam permanecer acima da superfície em alguns pontos, dependendo do relevo e do nível do reservatório.

Essa imagem ajuda a entender por que a madeira submersa não deve ser confundida com troncos levados pela correnteza. Trata-se de material originado na própria floresta alagada, deixado no local quando a área foi tomada pela água. O posicionamento das árvores, a quantidade de água e a variação do nível influenciam a forma como os troncos permanecem disponíveis. O briefing da pauta não informa quantas árvores ficaram submersas nem quais espécies compunham essa vegetação.

O que acontece com a madeira debaixo d’água

A água modifica as condições que afetam a madeira, mas não faz com que todos os troncos desapareçam no mesmo ritmo. O material vegetal é formado principalmente por tecidos lenhosos que dão sustentação ao caule. Depois do alagamento, a disponibilidade de oxigênio, a exposição à luz, a presença de microrganismos e o contato com sedimentos podem influenciar a decomposição.

Em um tronco submerso, fungos, bactérias e organismos que consomem madeira encontram condições diferentes das existentes em uma árvore viva exposta ao ar. Algumas partes podem se degradar mais rapidamente, enquanto outras permanecem íntegras por mais tempo. A densidade da madeira também interfere no comportamento do tronco na água. Sem uma lista de espécies, medições ou análise de campo indicada na pauta, não é possível afirmar quais árvores resistiram mais ou qual foi o volume total aproveitado.

Da vegetação alagada à retirada de madeira

A extração posterior muda a função daquele material dentro da paisagem. A árvore que fazia parte da floresta passou a ser tratada como recurso localizado no reservatório. Para alcançar esse tipo de madeira, é necessário trabalhar em um ambiente aquático, com embarcações, equipamentos de corte ou sistemas de içamento adequados às condições do local. O briefing confirma a retirada como atividade posterior, mas não especifica empresas, métodos, períodos ou volumes.

O processo também separa duas ideias que costumam aparecer juntas, mas não são iguais. Uma é a formação do reservatório, quando a floresta foi deixada em pé durante o alagamento. Outra é a retirada da madeira, realizada depois, como uso do material submerso. Essa distinção é importante porque a extração não representa a remoção preventiva da vegetação antes da inundação. Ela ocorre sobre árvores que já haviam sido alcançadas pela água.

O reservatório e a escala da usina

A área de 2.850 quilômetros quadrados mostra a dimensão territorial do reservatório quando cheio. Esse número descreve a superfície ocupada pela água, não o volume armazenado nem a quantidade de floresta submersa. Também não permite concluir, sozinho, quanto material lenhoso ficou disponível para retirada. A extensão pode incluir diferentes profundidades, margens, ilhas e áreas com características ambientais variadas.

A outra medida central da pauta é a capacidade de geração. Em 2010, a Usina Hidrelétrica de Tucuruí foi ampliada de 4.000 para 8.370 megawatts. A mudança de capacidade pertence à história da infraestrutura energética instalada no rio Tocantins, enquanto a madeira submersa pertence à transformação ambiental provocada pela formação do reservatório. Os números ajudam a colocar lado a lado a escala da área inundada e a dimensão do empreendimento, sem afirmar que a ampliação da usina tenha causado diretamente a extração.

Uma paisagem com árvores, água e usos posteriores

O alagamento não apaga imediatamente a estrutura física da floresta. Troncos podem continuar visíveis, parcialmente emergidos ou inteiramente cobertos, conforme o nível da água. Galhos e raízes também passam a fazer parte de um ambiente que combina características de terra firme antiga com condições aquáticas. Essa mudança interfere nos espaços usados por peixes, invertebrados e microrganismos, embora a pauta não apresente dados para medir a resposta de cada grupo.

Na superfície, o reservatório parece representar a substituição da floresta por água. A madeira submersa revela uma etapa menos visível dessa transformação, porque mantém no fundo ou sob a lâmina d’água parte da matéria que existia antes do enchimento. Depois, a retirada converte esse vestígio da paisagem anterior em material de extração. A história de Tucuruí, informada nesta pauta com referência à ampliação ocorrida em 2010, mostra como uma barragem pode produzir mudanças sucessivas no mesmo espaço, primeiro como floresta inundada e depois como fonte de madeira submersa.

O caso também exige cuidado com o que os números não dizem. Os 2.850 quilômetros quadrados correspondem ao reservatório cheio, não à área exata coberta por árvores. Os 8.370 megawatts correspondem à capacidade da usina após a ampliação, não à quantidade de madeira retirada. A pauta tampouco informa a data de formação do reservatório, a duração da atividade de extração, o volume comercializado ou a identificação das espécies.

Essa ausência de detalhes impede transformar uma descrição de escala em uma estimativa de impacto ou de aproveitamento econômico. O que está confirmado é a sequência básica: a floresta foi deixada em pé durante o alagamento do reservatório no rio Tocantins, árvores permaneceram submersas e parte desse material passou a ser retirada depois. Em Tucuruí, a água não cobriu apenas uma área no mapa. Ela mudou o destino da madeira, que deixou de ser somente parte da floresta e passou a existir também como recurso sob o reservatório.

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