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Mestre do Inpa descreve 33 espécies inéditas de vespas-achatadas na Amazônia e multiplica o conhecimento do gênero Pseudisobrachium, que antes tinha apenas quatro espécies conhecidas na região

Na coleção científica do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), o pesquisador Leonardo Alho Gomes examinou centenas de exemplares de vespas-achatadas da família Bethylidae. O resultado do trabalho de mestrado, publicado em Zootaxa e divulgado no Dia do Biólogo de 2025, é a descrição formal de 33 espécies novas do gênero Pseudisobrachium. Antes da pesquisa, apenas quatro espécies desse gênero eram conhecidas na Amazônia brasileira. A descoberta multiplica por mais de oito o conhecimento do grupo na região.

Essas vespas, de corpo achatado e hábitos predominantemente parasitóides, são pouco visíveis e ainda menos estudadas. Elas desempenham papel importante no controle natural de outros insetos e na complexidade da cadeia alimentar da floresta. A Amazônia continua a revelar uma biodiversidade de insetos que, segundo estimativas recentes, pode ser 90% a 98% desconhecida pela ciência.

O trabalho taxonômico e as coleções

Gomes, orientado por Alexandre Somavilla (Inpa) e Wesley Colombo (UFES), analisou caracteres morfológicos detalhados, comparou com material de museus e usou técnicas de imagem para documentar as novas espécies. O gênero Pseudisobrachium, apesar de amplamente distribuído e frequente em coleções, era um dos mais negligenciados taxonomicamente na Amazônia.

“Essa aparente restrição pode estar ligada à falta de estudos. Elas podem existir em mais lugares, mas ainda não foram registradas. Antes do nosso trabalho, só se conheciam quatro espécies na Amazônia”, afirmou o pesquisador. O acesso a coleções do Inpa, do Museu Paraense Emílio Goeldi e de outras instituições foi fundamental.

A importância dos insetos na Amazônia

Insetos representam a maior parte da biodiversidade terrestre e desempenham funções essenciais: polinização, decomposição, controle de populações de herbívoros e ciclo de nutrientes. Descobertas como as 33 novas vespas-achatadas alimentam bancos de dados taxonômicos, estudos de evolução e, potencialmente, aplicações em controle biológico.

No contexto brasileiro, o trabalho reforça o papel do Inpa e da pesquisa básica na Amazônia. Em um momento em que a floresta sofre pressão de desmatamento, conhecer a biodiversidade ainda não descrita é urgente. Muitas espécies podem desaparecer antes mesmo de serem nomeadas.

Conexão com a conservação e os povos da Amazônia

Embora o estudo seja taxonômico, ele se insere no mesmo contexto de inventários que envolvem terras indígenas e áreas protegidas. Florestas contínuas e bem preservadas, muitas delas sob gestão indígena, são os principais repositórios dessa diversidade de insetos ainda desconhecida. Projetos de inventário colaborativo (como o Panará e o Alto Rio Içá) e estudos de LEK mostram que a integração de saberes acelera a descoberta e a proteção.

A Amazônia brasileira continua sendo um dos maiores hotspots de biodiversidade do planeta. Cada nova espécie descrita é um argumento a mais para a conservação e para o financiamento da ciência nacional.

Conclusão

De quatro espécies conhecidas para 33 novas: o trabalho de Leonardo Gomes no Inpa multiplica o conhecimento sobre as vespas-achatadas da Amazônia e lembra que ainda estamos apenas no começo de inventariar a floresta. Proteger a Amazônia é proteger não apenas as espécies carismáticas, mas também os milhares de organismos invisíveis que sustentam o funcionamento do ecossistema. A ciência brasileira, quando investida, continua revelando o que a floresta ainda esconde.

Fonte: Gomes, L.A. et al. Descrição de 33 novas espécies de Pseudisobrachium (Bethylidae) da Amazônia. Zootaxa / Inpa, 2025. Divulgado no Dia do Biólogo.

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