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Duas novas espécies de escorpião descobertas perto de cachoeira turística…

Nove novas espécies de gafanhoto no Amazonas, duas batizadas com toadas do Boi Garantido de Parintins

Em julho de 2026, uma pesquisadora do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) descreveu nove novas espécies de gafanhoto e quatro novos gêneros. Oito das espécies foram encontradas na Amazônia brasileira. Duas delas receberam nomes inspirados em toadas do Boi-Bumbá Garantido, do Festival de Parintins: Kamara kratxatxa e Proscopia caacy.

A espécie Kamara kratxatxa (“gafanhoto-onça”) foi inspirada na toada “Kamara”, lançada pelo Garantido em 2026. A pesquisa foi publicada na revista internacional Zootaxa em 24 de julho.

A ciência encontra o Folclore

A escolha de nomes que dialogam com a cultura popular de Parintins é rara e simbólica. Ela aproxima a taxonomia do universo cultural da Amazônia e mostra que a ciência pode (e deve) conversar com as tradições locais. O gênero Kamarajá reúne três espécies.

Entre as localidades de coleta estão Presidente Figueiredo (AM), Rio Branco (AC), Tiquié (AM) e Amajari (RR). A descoberta de quatro novos gêneros é considerada um avanço ainda maior do que a descrição de espécies isoladas, pois revela linhagens evolutivas até então desconhecidas.

Importância

Os gafanhotos são indicadores importantes de qualidade ambiental e desempenham papel fundamental nas cadeias alimentares. A descoberta de nove espécies novas em um único estudo reforça o quanto a entomofauna amazônica ainda está subamostrada.

Para o público brasileiro, a história ganha um apelo especial porque conecta a ciência de ponta ao Festival de Parintins, um dos maiores eventos culturais da Amazônia. A ciência e a cultura popular se encontram no nome de um gafanhoto.

O alcance da descoberta

A descrição de quatro novos gêneros em um único artigo é especialmente relevante. Gêneros novos indicam que a classificação anterior não capturava a diversidade real do grupo. A pesquisadora do Inpa enfatiza que descobrir um novo gênero é um avanço maior do que encontrar uma espécie isolada.

As toadas do Garantido como fonte de nomes científicos aproximam a academia da cultura popular. Em um país onde a ciência muitas vezes é vista como distante, gestos como esse ajudam a construir pontes. O gafanhoto Kamara kratxatxaagora carrega no nome uma referência direta a Parintins.

A Amazônia continua entregando espécies novas em ritmo acelerado. A cada ano, dezenas de insetos, anfíbios, répteis e plantas são descritos. O desafio é transformar esse conhecimento em proteção efetiva de habitats.

Perspectiva mais ampla e conexão com o Brasil

Essas descobertas de 2025 e 2026 se somam a um conjunto crescente de evidências de que a Amazônia brasileira ainda guarda um volume extraordinário de biodiversidade e de história humana desconhecida. Seja uma rã críptica, um caranguejo de altitude, um escorpião perto de uma cachoeira, um gafanhoto batizado com toada de Parintins, uma ave restrita a topo de serra, um conjunto de espécies novas em 12 dias de campo, um cemitério indígena ou sinais de isolados, o padrão é o mesmo: a floresta continua a surpreender.

Para o leitor brasileiro, cada uma dessas histórias traz números concretos, localidades precisas e consequências mensuráveis. Elas substituem a imagem genérica da Amazônia por uma paisagem de descobertas específicas, datadas e verificáveis. E, ao fazer isso, reforçam a urgência de proteger os territórios onde essas descobertas ainda são possíveis.

A ciência feita no Brasil, em parceria com povos indígenas e com instituições de pesquisa, continua a escrever páginas novas da história natural e cultural da maior floresta tropical do mundo.

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