Onças-pintadas aparecem duas noites seguidas em Corumbá, e bairros ganham buzinas para afastar os felinos

Onças-pintadas aparecem duas noites seguidas em Corumbá, e bairros ganham buzinas para afastar os felinos
Foto: Leonardo Ramos/Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0). Onça-pintada no Pantanal.

Onças-pintadas foram vistas em dois bairros diferentes de Corumbá, no Pantanal de Mato Grosso do Sul, nas noites de terça-feira (20) e quarta-feira (21) de outubro, em flagrantes registrados por moradores e câmeras de segurança. Depois das aparições, o Grupo Técnico Onças Urbanas Corumbá/Ladário passou a instalar sinalizadores sonoros, uma espécie de buzina que os próprios moradores podem acionar para afugentar os felinos, além de cercas para proteger animais domésticos. A Polícia Militar Ambiental faz rondas noturnas nas áreas dos avistamentos.

Onde as onças apareceram

Na noite de terça-feira, uma onça-pintada foi vista caminhando no quintal de uma casa às margens da rodovia Ramão Gomes. No local, foram instaladas cercas em vários pontos para evitar ataques a galinhas, cães e outros animais. Na noite seguinte, por volta das 19h, moradores flagraram uma onça no bairro onde fica o Mirante da Capivara. É nessa área que estão sendo instalados os sinalizadores sonoros.

O que diz o grupo técnico

Em nota, o Grupo Técnico Onças Urbanas Corumbá/Ladário informou que as ocorrências estão sendo acompanhadas pelas instituições que fazem parte do grupo e lembrou que a presença do felino na cidade não é novidade.

“Corumbá está inserida no Pantanal, ambiente natural da onça-pintada. Há décadas, o município registra a presença de indivíduos da espécie em áreas de transição entre as zonas rural e urbana e, em alguns pontos, a permanência dos animais perto de residências.”

A nota também explica por que tirar uma onça da cidade não resolve o problema. Em maio, uma fêmea que vinha predando animais domésticos foi capturada e levada para a Serra do Amolar. “A retirada de um animal, porém, não impede que outra onça passe a usar a mesma região, o que exige monitoramento permanente e prevenção”, diz o texto.

A captura de maio

A fêmea capturada em maio tinha cerca de quatro anos. A operação, iniciada em abril pelos técnicos do grupo, terminou com a avaliação clínica do animal, que estava em boas condições de saúde, e com o transporte de helicóptero até a Serra do Amolar, área de Pantanal preservado distante da cidade.

Quem forma o grupo

O Grupo Técnico Onças Urbanas Corumbá/Ladário reúne 26 representantes de instituições federais, estaduais e municipais, de organizações da sociedade civil e pesquisadores. Entre os participantes estão o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), o Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Mamíferos Carnívoros (Cenap), do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), a Prefeitura de Corumbá, o Instituto Homem Pantaneiro e o Instituto Jaguarte.

Segundo o grupo, a ajuda da população tem sido decisiva. Os relatos de avistamento e o cercamento dos animais domésticos ajudam a reduzir os conflitos e a garantir uma convivência segura entre moradores, bichos de estimação e a fauna silvestre.

O que fazer ao ver uma onça

Para quem vive perto de áreas naturais ou em bairros com muitos avistamentos, o grupo técnico orienta:

  • manter cães, gatos, galinhas e outros animais domésticos em locais fechados ou cercados, principalmente à noite;
  • conservar terrenos e quintais limpos e, se possível, iluminados;
  • evitar acumular lixo e restos de comida, que atraem a onça ou as presas dela, e colocar o lixo para fora perto do horário da coleta;
  • não se aproximar de uma onça, adulta ou filhote, nem de carcaças de animais;
  • não tentar intervir se a onça atacar um animal doméstico solto;
  • em encontro próximo, não correr nem dar as costas: ficar de frente para o animal, aumentar a distância aos poucos e, se necessário, acender luzes e fazer barulho.

Em Corumbá, avistamentos devem ser comunicados à Polícia Militar pelo telefone (67) 99266-4052.

Por que a onça chega à cidade

Corumbá fica às margens do rio Paraguai, cercada pelo Pantanal, a maior planície alagável do planeta e uma das regiões com mais onças-pintadas do mundo. A cidade e o habitat do maior felino das Américas se encostam, e, como mostrou a Revista Amazônia em agosto, a seca baixa os rios do Pantanal e concentra as onças perto da água e das áreas habitadas, o que aumenta os encontros.

A estratégia do grupo técnico é ensinar a cidade a conviver com o vizinho de pintas: proteger os animais domésticos, não oferecer comida fácil e afugentar a onça sem feri-la.

Com informações do Grupo Técnico Onças Urbanas Corumbá/Ladário.

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