×
Próxima ▸
Uma esponja de água doce reapareceu 30 anos depois sobre…

ONU convoca apoio global para estudo inédito sobre crimes na Amazônia

ONU convoca apoio global para estudo inédito sobre crimes na Amazônia
Foto: amazonwatch.org

Foro Permanente busca experiências sobre impactos de economias ilícitas em povos indígenas, incluindo violência sexual e tráfico humano.

Genebra, Suíça: O Foro Permanente para as Questões Indígenas da Organização das Nações Unidas (ONU) lançou um chamado global por contribuições para um estudo temático de grande relevância. A iniciativa visa aprofundar a compreensão sobre os impactos das economias ilícitas e do crime organizado nos direitos coletivos dos povos indígenas. O estudo será um pilar fundamental para um relatório abrangente a ser apresentado na 26ª sessão do Foro Permanente, em 2027.

Rodrigo Paillalef Monnard e Patricia Gualinga Montalvo, membros do Foro Permanente, anunciaram e convidaram a sociedade civil global para enviar suas experiências, análises e recomendações. A convocatória se estende a povos indígenas, comunidades, organizações, Estados, academia e instituições internacionais. Segundo Paillalef, “cada perspectiva, seja do território ou dos âmbitos institucionais, é fundamental para construir um relatório que reflita a diversidade e complexidade deste fenômeno global”.

Ameaça Crescente em Territórios Indígenas

A expansão de economias ilícitas em territórios indígenas, impulsionada pela alta demanda global por substâncias ilícitas, ouro, minerais de transição e outros recursos estratégicos, tem se consolidado como uma das principais ameaças aos direitos dos povos indígenas. Em regiões como a Amazônia, mas também em partes da África e Ásia, os territórios indígenas, ricos em biodiversidade, transformaram-se em zonas de disputa, onde convergem atores armados, redes criminais e, em alguns casos, atores estatais.

Na 25ª sessão do Foro Permanente, foi explicitado que “o crime organizado, a tala ilegal, o tráfico de substâncias ilícitas e outras economias ilícitas continuam a prejudicar a saúde e o bem-estar dos povos indígenas, impulsionando o deslocamento e minando os meios de vida e as práticas culturais” (parágrafo 66). Diante da gravidade dessa situação, os membros do Foro consideram imperativo aprofundar a análise dessa problemática e formular recomendações para fortalecer as respostas dos Estados e do Sistema das Nações Unidas. As contribuições podem ser enviadas neste link.

Entenda o Caso

O estudo temático sobre economias ilícitas e crime organizado em territórios indígenas foi aprovado por consenso na 25ª sessão do Foro Permanente em 2026. Ele visa coletar informações detalhadas para entender a magnitude do problema e elaborar recomendações eficazes para proteger os direitos humanos e ambientais dos povos indígenas.

Questões Relevantes para a Amazônia

As diretrizes temáticas para as contribuições incluem uma série de perguntas que abordam os múltiplos aspectos da crise. Para a região amazônica, onde o problema é particularmente agudo, as questões são de extrema relevância:

ONU convoca apoio global para estudo inédito sobre crimes na Amazônia
Foto: amazonwatch.org
  • Impacto do Crime Organizado: Como o tráfico de substâncias ilícitas, mineração ilegal, desmatamento ilegal e tráfico de pessoas afetam o território, autonomia e direitos coletivos, com descrição dos tipos de atividades, atores envolvidos e impactos na governança própria e vida cotidiana.
  • Impactos Diferenciados: Exploração de como mulheres, meninas e jovens são afetados, incluindo violência sexual e tráfico, recrutamento de crianças por economias ilícitas, e os efeitos em povos em isolamento voluntário ou contato inicial, bem como comunidades transfronteiriças.
  • Impactos Ambientais: Como essas atividades afetam florestas, rios, biodiversidade, fontes de água, causando contaminação, e os efeitos em locais sagrados, áreas de caça, pesca ou coleta, fundamentais para a cultura e espiritualidade indígena.
  • Estratégias de Proteção: Descrição das iniciativas de governança territorial, sistemas de alerta, mecanismos de justiça própria, alianças ou outras respostas desenvolvidas pelas comunidades, incluindo aquelas lideradas por mulheres, jovens ou guardas territoriais.
  • Resposta Estatal: Avaliação da resposta de autoridades governamentais, incluindo operações militares ou policiais, legislação aplicada, processos de consulta (ou sua ausência) e acesso à justiça, destacando tanto práticas inadequadas quanto boas práticas.
  • Criminalização: Relatos sobre processos de criminalização que povos ou comunidades possam ter enfrentado ao defender seus territórios.
  • Atores Não Estatais: Identificação de empresas (formais ou informais) ou outros atores não estatais que se beneficiem ou facilitem atividades ilícitas.
  • Recomendações: Sugestões para o sistema das Nações Unidas e Estados, visando respostas eficazes e coerentes com os padrões internacionais de direitos humanos, garantindo a participação plena e efetiva dos povos indígenas.

Segundo a ONU, mais de 800 línguas indígenas são faladas na Amazônia, demonstrando uma riqueza cultural e social que se encontra sob ameaça direta. O estudo busca dar voz a essas populações.

Proteção e Uso da Informação

As contribuições serão sistematizadas e integradas ao relatório temático, que será apresentado ao Foro Permanente em 2027 e publicado em seus canais oficiais. A menos que os autores marquem suas contribuições como confidenciais no início do documento, as informações serão utilizadas publicamente. Em caso de relatos sobre casos sensíveis, recomenda-se anonimizar os dados pessoais e indicar quaisquer limitações de confidencialidade. A Amazon Watch, organização que oferece suporte técnico à iniciativa, reforça a importância da privacidade dos dados.

O prazo final para envio das contribuições é 10 de setembro de 2026. As contribuições devem ser textos coesos de até 2.500 palavras, em formatos Word (.docx) ou PDF, e podem ser submetidas em espanhol, inglês, português ou francês. O e-mail para envio é [email protected], com o assunto “Contribuição, Economias Ilícitas 2026 / País / Organização”. É importante que as contribuições sigam as diretrizes de extensão e formato para serem consideradas no estudo.

Perguntas Frequentes

O que é o Foro Permanente para as Questões Indígenas?

É um órgão consultivo do Conselho Econômico e Social (ECOSOC) da ONU, encarregado de dar conselhos especializados e recomendações sobre questões indígenas.

Qual o prazo para enviar as contribuições para o estudo?

As contribuições devem ser enviadas até o dia 10 de setembro de 2026.

Minha contribuição será confidencial?

As contribuições serão públicas, a menos que o autor as marque como confidenciais no início do documento. Para casos sensíveis, é recomendável anonimizar os dados.

Com informações de ONU Foro Permanente para as Questões Indígenas.

Gostou desta reportagem?

Marque Revista Amazônia como fonte preferencial e veja mais conteúdo nosso no Google.

Gostou desta reportagem?
Siga a Revista Amazônia no Google News

⭐ SEGUIR AGORA