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Da experiência de Belém à COP31, 31 organizações ampliam alianças para influenciar a agenda climática

Da experiência de Belém à COP31, 31 organizações ampliam alianças para influenciar a agenda climática
Foto: Beatriz Santomauro

Encontro do iCS reuniu instituições da sociedade civil para definir prioridades brasileiras nas negociações internacionais de 2026.

As decisões tomadas em Belém entram agora em uma fase menos visível, mas decisiva: acompanhar sua execução, medir resultados e fazer com que cheguem aos territórios. Foi a partir desse desafio que representantes de 31 instituições donatárias do Instituto Clima e Sociedade, o iCS, se reuniram no Diálogo Estratégico sobre a COP31, encontro dedicado a organizar prioridades da sociedade civil brasileira para as negociações climáticas de 2026.

Mais do que alinhar discursos, a reunião buscou aproximar compromissos internacionais de políticas públicas, evidências produzidas no país e experiências de organizações que atuam em diferentes frentes. A proposta é que a participação brasileira nos espaços multilaterais seja capaz de influenciar decisões sem perder contato com problemas concretos vividos nos territórios.

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O trabalho começa depois do anúncio internacional

A agenda definida no encontro parte de uma constatação prática: um compromisso climático só produz efeito quando se transforma em planejamento, orçamento, regras, fiscalização e ações capazes de mudar a vida das pessoas. Por isso, as instituições participantes discutiram como acompanhar a continuidade das decisões associadas à COP realizada em Belém e como cobrar avanços dos governos.

Segundo o iCS, o diálogo reuniu 31 instituições donatárias para discutir estratégias da sociedade civil brasileira diante da COP31 e das etapas seguintes da agenda climática internacional. A rede envolve organizações com atuações diferentes, mas que podem combinar conhecimento técnico, presença territorial e capacidade de incidência política.

Marina Caetano, especialista em Política Climática e Instrumentos Econômicos do iCS e responsável por conduzir o evento, resumiu três prioridades identificadas durante a conversa: monitorar os compromissos assumidos em Belém, produzir evidências conectadas às realidades locais e ampliar alianças entre organizações e países do Sul Global.

“De forma geral, o encontro apontou três frentes importantes para a sociedade civil: acompanhar e cobrar a continuidade dos compromissos assumidos em Belém; produzir evidências e aproximar as negociações das realidades territoriais; e fortalecer alianças entre organizações e países do Sul Global. Também ficou clara a importância de construir, desde já, a ponte política e estratégica entre a COP31 e a COP32”, explica Marina Caetano.

Adaptação e metas nacionais entram no centro da articulação

Entre os assuntos debatidos estiveram a adaptação às mudanças do clima, os chamados mapas do caminho e as Contribuições Nacionalmente Determinadas, conhecidas pela sigla NDC. Esses compromissos indicam como cada país pretende reduzir emissões e enfrentar os impactos climáticos dentro do esforço internacional.

Na prática, discutir adaptação significa olhar para medidas capazes de reduzir riscos em áreas expostas a secas, enchentes, calor extremo e outros efeitos da mudança do clima. Já os mapas do caminho ajudam a organizar trajetórias e etapas para que metas amplas sejam convertidas em políticas setoriais e decisões verificáveis.

As NDCs, por sua vez, conectam a negociação internacional às escolhas feitas dentro do Brasil. A forma como o país estrutura sua política climática, protege o uso da terra, reorganiza sua matriz energética e prepara cidades e comunidades para eventos extremos interfere diretamente na credibilidade de sua atuação externa.

Da experiência de Belém à COP31, 31 organizações ampliam alianças para influenciar a agenda climática
Foto: Beatriz Santomauro

Por que a Amazônia está no centro dessa ponte

Para a Amazônia, a discussão tem peso particular. Belém foi incorporada à trajetória recente das negociações climáticas internacionais, e os compromissos associados à cidade precisam ser acompanhados em uma região marcada por diferentes realidades sociais, econômicas e ambientais. A transformação de decisões globais em resultados locais depende de escutar povos, comunidades, pesquisadores, governos e organizações que atuam nos estados amazônicos.

Esse vínculo também amplia o significado da cooperação Sul-Sul. Países do Sul Global enfrentam desafios que não são idênticos, mas frequentemente compartilham dificuldades relacionadas ao financiamento climático, à adaptação, à desigualdade e à implementação de políticas públicas. A troca entre essas experiências pode fortalecer propostas brasileiras e reduzir a distância entre a linguagem diplomática e as necessidades dos territórios.

Na região amazônica, a produção de evidências territoriais é especialmente importante porque decisões sobre floresta, energia, transportes e desenvolvimento afetam municípios e comunidades de maneiras diferentes. Uma política desenhada apenas em escala nacional pode não capturar essas diferenças. Por isso, a rede discutida pelo iCS aposta na combinação entre conhecimento técnico e diversidade de vozes.

Uma rede para acompanhar o intervalo entre as COPs

O encontro também apontou que a preparação para uma conferência não deve começar apenas quando a data do evento se aproxima. O intervalo entre as COPs é o período em que compromissos precisam ser detalhados, indicadores definidos e responsabilidades distribuídas.

Essa continuidade ajuda a evitar que a negociação climática fique restrita a anúncios durante as conferências. Organizações da sociedade civil podem acompanhar planos, comparar promessas com resultados, identificar lacunas e levar informações dos territórios para os espaços internacionais. Também podem ajudar a traduzir decisões técnicas para uma linguagem compreensível por comunidades, gestores públicos e outros setores da sociedade.

A articulação discutida no diálogo envolve quatro eixos que se cruzam: uso da terra, política climática e arcabouço institucional, transição energética, industrial e de transportes, além do engajamento de agentes de mudança e da governança climática. O objetivo não é tratar esses temas como compartimentos isolados, mas observar como uma decisão em uma área pode alterar resultados em outra.

Essa visão sistêmica é relevante para o Brasil porque a redução de emissões, a adaptação e o desenvolvimento econômico dependem de políticas coordenadas. Também permite que organizações com especialidades distintas contribuam para uma estratégia comum, sem apagar as diferenças entre suas agendas.

O que vem antes da COP31

A principal consequência do encontro foi a definição de um caminho de articulação para os próximos ciclos da agenda climática. O trabalho deverá combinar acompanhamento dos compromissos de Belém, elaboração de evidências, diálogo com diferentes territórios e fortalecimento de alianças internacionais.

Para a sociedade civil, a COP31 aparece como uma etapa de uma sequência mais longa. A construção antecipada da ponte com a COP32 indica que as instituições pretendem trabalhar com continuidade, em vez de concentrar esforços em uma única conferência. Os próximos passos estarão ligados à capacidade de transformar as prioridades debatidas em ações, posicionamentos e acompanhamento público.

Com informações do Instituto Clima e Sociedade.

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