
Moradores encontraram mandíbula, presas e costelas expostas pela baixa histórica do rio na Bulgária.

O que a seca costuma esconder por décadas, o rio Danúbio acabou revelando: ossos de um mamute-lanoso apareceram em 30 de julho de 2026, perto da vila de Ryahovo, na Bulgária. Um morador encontrou os restos na margem exposta pela baixa do nível da água, fotografou o material e avisou as autoridades locais. Especialistas do Museu Regional de História de Ruse identificaram uma mandíbula inferior, duas presas, uma escápula e várias costelas como possíveis partes do esqueleto de um animal adulto.
A descoberta ocorreu poucos dias depois de o nível excepcionalmente baixo do Danúbio também expor antigos naufrágios em outros trechos do rio. Segundo a Agência de Notícias Búlgara, BTA, os pesquisadores acreditam que ainda pode haver mais ossos enterrados no local. A equipe, porém, trabalha com cuidado porque o material permaneceu submerso por muito tempo e começou a se degradar ao entrar novamente em contato com o ar.
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Os restos recuperados incluem uma mandíbula, duas presas, uma omoplata e um conjunto de costelas. A concentração das peças chamou a atenção dos especialistas, já que achados anteriores na região costumavam aparecer espalhados pelos sedimentos e, em alguns casos, precisavam ser retirados com o auxílio de máquinas de dragagem.
A BTA informou que os pesquisadores estimam que o mamute pudesse alcançar quase 4,9 metros de altura e pesar entre sete e oito toneladas. A medida é uma estimativa inicial e difere de referências gerais sobre a espécie. A Encyclopaedia Britannica aponta que mamutes adultos normalmente tinham entre 3 e 3,7 metros de altura, embora o tamanho variasse conforme a espécie, o sexo e o indivíduo.
Segundo a Agência de Notícias Búlgara, BTA, os ossos de mamute-lanoso foram identificados em Ryahovo, Bulgária, em julho de 2026, depois que a estiagem reduziu o nível do Danúbio e expôs a margem do rio.
Duas hipóteses para a origem dos ossos
Ainda não há uma resposta definitiva para explicar como os restos chegaram à margem do Danúbio. Krasimir Kirov, curador do Departamento de Natureza do Museu Regional de História de Ruse, levantou a possibilidade de que o trecho funcione como uma espécie de bacia natural.
Nessa hipótese, a correnteza teria transportado e acumulado restos de animais ao longo de muitos anos. O mesmo setor do rio poderia receber materiais de diferentes pontos da região, funcionando como uma área de deposição de sedimentos e fósseis.
O diretor do museu, Nikolay Nenov, considera outra possibilidade. Como os ossos encontrados agora estavam agrupados em um único ponto, o animal pode ter morrido exatamente onde foi localizado. Uma área pantanosa existente no passado teria contribuído para preservar e concentrar o esqueleto.
Entenda o caso
O mamute-lanoso viveu em ambientes frios durante a chamada Era do Gelo. A origem do grupo é associada a um período entre 500 mil e 800 mil anos atrás, enquanto as últimas populações desapareceram há alguns milhares de anos. O desaparecimento ocorreu em momentos diferentes, dependendo da região, e pode ter envolvido mudanças climáticas e pressão humana.
A cor dos ossos também está sendo analisada. Tonalidades muito escuras, próximas do preto ou do marrom profundo, às vezes aparecem em restos preservados em ambientes alagados ou pantanosos. Ainda assim, os pesquisadores ressaltam que a coloração, sozinha, não é suficiente para determinar onde o mamute morreu.
Um rio que guarda pistas do passado
O entorno de Ryahovo já é conhecido por revelar outros vestígios antigos. Fragmentos de árvores fossilizadas aparecem com frequência na região, geralmente espalhados e facilmente confundidos com pedras comuns. De acordo com o relato atribuído a Kirov pela BTA, uma equipe de dragagem chegou a usar um pedaço de madeira petrificada para manter uma porta aberta, sem saber que se tratava de um material de grande interesse científico.
A história mostra como a paisagem do Danúbio reúne diferentes camadas de tempo. O rio é uma das principais vias fluviais da Europa e atravessa áreas que registram mudanças na fauna, no clima e no relevo ao longo de milhares ou milhões de anos. Em períodos de estiagem severa, sedimentos normalmente cobertos pela água ficam acessíveis, mas a exposição também pode acelerar a deterioração dos achados.
O fenômeno tem uma conexão importante com a Amazônia. Nos rios amazônicos, incluindo os que banham Amazonas, Pará, Acre, Amapá, Rondônia, Roraima, Tocantins e Maranhão, a alternância entre cheias e vazantes também modifica margens e bancos de sedimentos. Essa dinâmica pode revelar vestígios arqueológicos, fósseis e objetos históricos, mas exige equipes especializadas para evitar danos e interpretações precipitadas.
Conservação será decisiva
Depois da retirada, os ossos precisam ser transportados e conservados em condições controladas. Materiais que passaram muito tempo na água podem ficar frágeis quando secam rapidamente. Por isso, a prioridade dos especialistas é manter a integridade das peças antes de realizar estudos mais detalhados sobre idade, espécie, ambiente e causa da morte.
O Museu Regional de História de Ruse espera colocar os restos em exposição no futuro, caso o estado de conservação permita. As peças poderão ser apresentadas ao lado de um modelo de mamute-lanoso que já integra o acervo da instituição e ajuda o público a visualizar o tamanho do animal.
As próximas escavações devem indicar se há outras partes do esqueleto enterradas e ajudar a esclarecer se a correnteza transportou os ossos ou se o mamute morreu no antigo terreno pantanoso; a equipe também deverá avançar na conservação antes de uma eventual exposição pública.
Perguntas frequentes
Onde os ossos de mamute foram encontrados?
Os restos apareceram na margem do rio Danúbio, perto da vila de Ryahovo, na Bulgária, depois de uma forte redução no nível da água.
Quais partes do mamute foram recuperadas?
Foram identificadas uma mandíbula inferior, duas presas, uma escápula e várias costelas. Os especialistas acreditam que outras peças ainda podem estar enterradas.
Já se sabe como o animal morreu?
Não. As duas principais hipóteses são que os ossos tenham sido carregados e acumulados pela correnteza ou que o mamute tenha morrido no próprio local, possivelmente em uma área pantanosa.
Com informações da Agência de Notícias Búlgara.
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