Palmeira gigante desaparecida há quase um século é reencontrada em Madagascar: são só 28 árvores, e os cientistas precisaram esperar que florescessem para ter certeza

Palmeira gigante desaparecida há quase um século é reencontrada em Madagascar: são só 28 árvores, e os cientistas precisaram esperar que florescessem para ter certeza
Copa de Ravenea moorei, palmeira do mesmo gênero, no Jardim Botânico de Kew. Foto: Eddie Johnston, via Wikimedia Commons, licença CC BY-SA 4.0.

Uma palmeira de Madagascar que não tinha registros científicos confiáveis havia quase um século voltou a ser encontrada. Pesquisadores identificaram 28 indivíduos de Ravenea latisecta em áreas protegidas da região de Andasibe-Mantadia, no leste da ilha. O achado mostra quanto ainda falta conhecer da flora de um dos lugares mais biodiversos do planeta.

A equipe foi liderada por Louis Aureglia, da Universidade Aix-Marseille, na França, e começou as expedições de campo em 2024.

Grande, mas difícil de reconhecer

Pode parecer estranho perder uma árvore grande por tanto tempo. O problema é que muitas palmeiras do gênero Ravenea são parecidas quando não estão em flor. Em campo, distinguir uma espécie da outra é complicado.

A espécie foi descrita a partir de um exemplar coletado em 1927. Tentativas posteriores de identificação, incluindo amostras de 1992, tiveram inconsistências e erros de classificação. Por isso, além de procurar as palmeiras na floresta, os pesquisadores revisaram exemplares antigos guardados em herbários.

A prova estava nas flores

A confirmação veio quando a equipe encontrou indivíduos férteis, com inflorescências, os cachos de flores. A Ravenea latisecta é dioica: há plantas só com flores masculinas e plantas só com flores femininas. Encontrar os dois tipos permitiu validar a identificação com segurança.

A maior parte dos indivíduos estava em quatro áreas: a Reserva Vohimana, os parques nacionais Analamazaotra e Mantadia e a reserva particular Vakona Forest.

Menos de 50 adultos

Com menos de 50 indivíduos maduros conhecidos, a espécie está na categoria criticamente ameaçada da Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), o último degrau antes da extinção na natureza.

Os cientistas ainda não sabem se ela é naturalmente rara ou se ficou rara por pressão humana. As áreas onde vive sofrem com a agricultura de corte e queima e com a perda de floresta nas bordas. Os pesquisadores não encontraram sinais de exploração direta da palmeira pelas comunidades locais e defendem monitoramento contínuo para entender como a população se comporta.

Madagascar, a ilha das palmeiras

Madagascar tem uma das floras de palmeiras mais ricas do mundo, com cerca de duas centenas de espécies, quase todas exclusivas da ilha, e muitas delas ameaçadas. A perda de floresta é a maior ameaça, e várias espécies são conhecidas por poucos indivíduos.

E no Brasil?

O Brasil também tem palmeiras ameaçadas. A juçara, da Mata Atlântica, foi tão explorada para a retirada do palmito que se tornou rara em muitas áreas. Projetos de manejo do fruto, que dá uma polpa parecida com a do açaí, tentam mostrar que a palmeira vale mais em pé.

Perguntas frequentes

Onde a palmeira foi reencontrada?

Em áreas protegidas da região de Andasibe-Mantadia, no leste de Madagascar.

Por que demorou tanto para encontrá-la?

Porque as espécies do gênero são parecidas fora da floração, e registros antigos tinham erros de identificação.

Com informações da Universidade Aix-Marseille.

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