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Petrobras estuda duplicar fábricas de fertilizantes no Brasil

Petrobras estuda duplicar fábricas de fertilizantes no Brasil
Foto: share.google

Estatal quer ampliar produção nacional e reduzir dependência de importações.

A Petrobras estuda duplicar suas quatro fábricas de fertilizantes nitrogenados para reduzir a dependência de importações do Brasil. A presidente da estatal, Magda Chambriard, anunciou a possibilidade nesta quarta-feira (24), um dia antes de evento com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em Três Lagoas (MS) para celebrar a retomada da UFN-3, obra paralisada desde 2014 após o início da Operação Lava Jato.

A fábrica de Três Lagoas está com 85% das obras concluídas. A Petrobras estima um custo adicional de US$ 1 bilhão (cerca de R$ 5 bilhões) para concluir a unidade. A expectativa é que as obras retomem ainda em 2026, com inauguração prevista entre o final de 2028 e o início de 2029.

Segundo Magda Chambriard, ainda não há definição sobre a duplicação das fábricas existentes. A empresa avalia que é mais vantajoso ampliar instalações em operação do que construir novas unidades. “Estamos retomando algumas obras e construções com as quais nos comprometemos no passado e que foram entendidas como não viáveis no meio do caminho”, afirmou a presidente da Petrobras.

Estratégia foca em demanda por gás natural

A duplicação das fábricas integra uma estratégia mais ampla da estatal para garantir mercado ao gás natural produzido no Brasil. A Petrobras tem grandes volumes do combustível no pré-sal e reinjeta parte da produção nos poços. Com a expansão das fábricas de fertilizantes, a companhia busca ampliar o consumo doméstico de gás.

Quando estiver pronta, a fábrica de Três Lagoas vai consumir 2,2 milhões de metros cúbicos de gás por dia, o equivalente a cerca de 5% do volume que a estatal disponibiliza hoje ao mercado brasileiro. A unidade terá capacidade para atender 15% da demanda nacional por fertilizantes nitrogenados.

“Antes de tudo, ancora e fideliza uma demanda por gás natural, que é um produto que a Petrobras produz e vai produzir cada vez mais no futuro”, disse Magda. A presidente tem repetido que a estatal terá grandes volumes de gás ainda por muitos anos.

Parque atual atende 20% da demanda brasileira

A Petrobras opera três fábricas de fertilizantes no Paraná, na Bahia e em Sergipe. As três unidades estavam paradas por diferentes motivos e tiveram a operação retomada recentemente. Juntas, conseguem atender 20% da demanda nacional por fertilizantes nitrogenados.

Com a entrada em operação da UFN-3 de Três Lagoas, o parque da estatal alcançará capacidade para suprir 35% do mercado brasileiro. A duplicação das quatro fábricas, caso seja confirmada, pode elevar significativamente esse percentual e reduzir a dependência de importações do setor agropecuário.

Lula já esteve na Bahia e em Sergipe para celebrar a retomada das fábricas. O evento em Três Lagoas será o sexto do ano com a presença do presidente, em um esforço para garantir palanque antes de restrições do período eleitoral.

Retomada de grandes obras da Lava Jato

A UFN-3 de Três Lagoas integra um conjunto de grandes obras investigadas pela Operação Lava Jato e retomadas no governo Lula 3. Entre os projetos estão a segunda fase da Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, e a unidade de refino do Comperj (Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro), rebatizado de Complexo de Energias Boaventura.

A Petrobras aprovou a retomada do projeto de Três Lagoas em 2024. Em abril de 2026, o conselho de administração da companhia autorizou a contratação das obras. A empresa chegou a iniciar também uma fábrica de fertilizantes em Uberaba (MG), mas o projeto não avançou além de uma cerimônia de lançamento de pedra fundamental com a ex-presidente Dilma Rousseff.

Entenda o caso

A UFN-3 faz parte do pacote de investimentos da Petrobras nos anos 2000 e início dos anos 2010 para ampliar a produção nacional de fertilizantes. As obras foram paralisadas em 2014 após o início da Operação Lava Jato, que investigou esquemas de corrupção envolvendo empreiteiras e contratos da estatal. A retomada foi analisada sob critérios de viabilidade econômica e estratégica.

Impacto para a Amazônia e agronegócio nacional

A ampliação da produção de fertilizantes nitrogenados pela Petrobras tem impacto direto no agronegócio da região amazônica. Estados como Pará, Mato Grosso, Rondônia e Tocantins lideram a produção de grãos e carne no país, com alta dependência de insumos importados.

A redução da dependência externa de fertilizantes pode baixar custos de produção e aumentar a competitividade do setor. O Brasil importa cerca de 85% dos fertilizantes nitrogenados consumidos, segundo dados do setor. A produção nacional mais robusta pode trazer segurança de abastecimento em períodos de crise internacional.

Próximos passos e desdobramentos

A Petrobras deve detalhar o cronograma de retomada das obras de Três Lagoas após o evento com Lula nesta quinta-feira (25). A definição sobre a duplicação das quatro fábricas depende de estudos de viabilidade econômica e aprovação do conselho de administração da estatal. A empresa também avalia contratos de fornecimento de longo prazo com o setor agropecuário para garantir demanda futura.

Perguntas frequentes

Quando a fábrica de Três Lagoas deve começar a operar?

A previsão é que a UFN-3 entre em operação entre o final de 2028 e o início de 2029, após retomada das obras ainda em 2026.

Quantas fábricas de fertilizantes a Petrobras tem no Brasil?

A estatal opera três fábricas em funcionamento (Paraná, Bahia e Sergipe) e está retomando a construção da quarta em Três Lagoas (MS).

Por que a Petrobras quer ampliar a produção de fertilizantes?

A empresa busca garantir mercado para o gás natural produzido no pré-sal e reduzir a dependência brasileira de fertilizantes importados, que chega a 85% do consumo.

Com informações da Folha de S. Paulo.

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