×
Próxima ▸
Açaí, castanha e pirarucu entram no PNL 2050 com portos,…

Pirarucu: rodada conecta comunidades e empresas em Tefé

Pirarucu: rodada conecta comunidades e empresas em Tefé
Foto: acervo

Evento gratuito será realizado em 27 de agosto e abre a comercialização da safra de manejo de 2026.

A XVIII Rodada de Negócios do Pirarucu de Manejo Sustentável será realizada em 27 de agosto de 2026, a partir das 8h, em Tefé, no Amazonas, para aproximar comunidades ribeirinhas manejadoras, distribuidores, supermercados, restaurantes e fornecedores interessados na comercialização de pescado sustentável. Organizado pelo Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, o encontro será gratuito e marcará o início da comercialização da safra de pirarucu de manejo de 2026, com previsão de aproximadamente 630 toneladas.

Evento aproxima comunidades e compradores

A rodada foi criada para promover a negociação direta entre os grupos comunitários e as empresas interessadas em comprar o pescado. A expectativa é reunir representantes de organizações assessoradas pelo Instituto Mamirauá, compradores já presentes no mercado e novos empreendimentos interessados em ingressar na cadeia produtiva.

Além da venda do pirarucu, o encontro também deve aproximar as comunidades de empresas que oferecem serviços e insumos necessários à atividade. Entre os itens estão locação de embarcações, rancho, gelo, combustível, materiais de pesca e outros produtos que podem contribuir para a eficiência e a competitividade do manejo.

De acordo com o Instituto Mamirauá, a negociação direta amplia a transparência dos acordos e favorece relações comerciais de longo prazo. O modelo também fortalece a autonomia das organizações locais, que passam a ampliar sua capacidade de articulação com compradores e parceiros.

Safra de 2026 terá mais de 60% disponível

A previsão de 630 toneladas corresponde à produção estimada para a safra de 2026. Mais de 60% desse volume deverá estar disponível para negociação durante a rodada, que será um dos principais espaços de articulação comercial do pirarucu de manejo sustentável na região do Médio Solimões.

A comercialização também ocorrerá por meio de feiras, da Marca Coletiva Gosto da Amazônia e da Indicação Geográfica Mamirauá. Esses mecanismos ajudam a identificar a origem do produto e a aproximar os consumidores de uma produção associada à conservação ambiental e à geração de renda para as comunidades.

Segundo o Instituto Mamirauá, a edição de 2025 reuniu 18 grupos de manejo, 45 comunidades e aproximadamente 940 manejadores e manejadoras do Médio Solimões. Os números indicam a dimensão da organização comunitária envolvida na atividade.

Entenda o caso

O manejo sustentável do pirarucu é resultado de mais de 25 anos de trabalho conjunto entre comunidades amazônicas, pesquisadores e técnicos. A atividade estabelece regras para a pesca, utiliza contagens e monitoramento dos estoques e limita a captura para permitir a recuperação das populações.

Nas áreas assessoradas pelo Instituto Mamirauá e por instituições parceiras, as populações de pirarucu aumentaram cerca de 620% desde o início do programa, conforme dados divulgados pela instituição. A atividade também gerou mais de R$ 40 milhões em renda para as comunidades envolvidas.

O tamanho dos peixes capturados é um dos indicadores utilizados para acompanhar a recuperação dos estoques. Atualmente, os exemplares pescados nas áreas de manejo apresentam comprimento médio de 1,72 metro, com registros de indivíduos superiores a 2,40 metros.

Conservação e geração de renda

O pirarucu, conhecido cientificamente como Arapaima gigas, esteve sob forte pressão da pesca predatória em diferentes áreas da Amazônia. A organização comunitária e o acompanhamento técnico permitiram transformar a espécie em referência de uso sustentável dos recursos pesqueiros.

Cada exemplar comercializado no sistema de manejo é proveniente de áreas autorizadas e submetidas a critérios técnicos, monitoramento e regras de controle. O processo busca garantir legalidade, rastreabilidade e sustentabilidade, além de valorizar o protagonismo das comunidades que vivem próximas aos lagos e rios.

“A Rodada de Negócios é muito mais do que um espaço para comercialização da produção anual. É o momento em que aproximamos diretamente as comunidades manejadoras dos compradores, fortalecendo relações comerciais de longo prazo e demonstrando que é possível conciliar conservação da biodiversidade, geração de renda e desenvolvimento sustentável na Amazônia”, afirma Ana Cláudia Gonçalves, coordenadora do Programa de Manejo de Pesca do Instituto Mamirauá.

O projeto Entre Águas Amazônicas passou a integrar a organização da rodada nos últimos dois anos. Executada pelo Instituto Mamirauá, organização vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, a iniciativa conta com apoio técnico da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura e financiamento do Fundo Global para o Meio Ambiente.

O projeto atua no fortalecimento de processos participativos de gestão dos recursos naturais, na conservação da biodiversidade e na manutenção dos estoques de carbono, especialmente em áreas protegidas dos estados do Amazonas, Pará e Amapá.

Após a rodada, o Instituto Mamirauá continuará acompanhando as tratativas entre compradores e comunidades. O suporte inclui orientação para contratos de compra e venda, procedimentos de entrada nas unidades de conservação, emissão de guias de trânsito e comercialização e declaração de estoque.

Serviço

XVIII Rodada de Negócios do Pirarucu de Manejo Sustentável

Data: 27 de agosto de 2026
Horário: a partir das 8h
Local: Salão de Festas Regis Buffet, Rua Capitão José Patrício, nº 448, Centro, Tefé, Amazonas
Participação: gratuita e aberta a empresas de todos os portes

Informações: Programa de Manejo de Pesca do Instituto Mamirauá. Ana Cláudia, (97) 99151-4246. Jonas Batista, (97) 98608-3972. Yvina Batalha, (97) 98105-1684.

Os interessados poderão participar das negociações e buscar informações sobre a produção diretamente com a equipe do Instituto Mamirauá durante o evento.

Perguntas frequentes

Quem pode participar da rodada?

Distribuidores, supermercados, restaurantes, fornecedores de insumos e serviços e outras empresas interessadas na comercialização de pescado sustentável. A participação é gratuita.

Onde será realizada a Rodada de Negócios do Pirarucu?

O evento ocorrerá no Salão de Festas Regis Buffet, na Rua Capitão José Patrício, nº 448, Centro de Tefé, no Amazonas.

Qual safra será negociada?

A rodada marca o início da comercialização da safra de pirarucu de manejo de 2026, com previsão de aproximadamente 630 toneladas.

Com informações de Instituto Mamirauá.

Gostou desta reportagem?

Marque Revista Amazônia como fonte preferencial e veja mais conteúdo nosso no Google.

Gostou desta reportagem?
Siga a Revista Amazônia no Google News

⭐ SEGUIR AGORA