Amazônia: Propostas para lucrar com conservação da natureza em 2026

Amazônia: Propostas para lucrar com conservação da natureza em 2026
Foto: acervo

Regulamentação de Pagamento por Serviços Ambientais pode impulsionar economia verde na região.

Já pensou em transformar a proteção da natureza em uma fonte de renda robusta? Essa é a aposta da Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura, que, no Dia Mundial da Conservação da Natureza, este 28 de julho, reforça a urgência de regulamentar o Pagamento por Serviços Ambientais (PSA) e inserir as Soluções Baseadas na Natureza (SbN) no mercado de carbono. Tais medidas são consideradas cruciais para que a conservação, especialmente em regiões como a Amazônia, possa gerar valor econômico e impulsionar uma economia de baixo carbono.

As recomendações, parte do documento “Propostas da Coalizão Brasil aos Candidatos às Eleições de 2026”, visam subsidiar programas de governo e candidaturas para as próximas eleições. O objetivo é claro: colocar a economia do uso da terra no centro da agenda política nacional, reconhecendo o valor intrínseco da vasta vegetação nativa brasileira.

Valorizando a floresta em pé: PSA e mercado de carbono

Para a Coalizão, uma rede que congrega mais de 400 representantes do agronegócio, setor financeiro, academia e sociedade civil, o PSA e o mercado de carbono são instrumentos vitais. Eles representam a chave para transformar em política de Estado o que hoje ainda depende de avanços pontuais: a remuneração de quem protege e recupera ecossistemas.

A iniciativa busca reconhecer o valor econômico da vegetação nativa, remunerar proprietários rurais, povos indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais que cuidam da floresta. Esse movimento pode beneficiar a segurança climática, hídrica e produtiva do país, abrindo novas perspectivas para as comunidades amazônicas que historicamente vivem da floresta e da sua conservação.

“O Brasil já construiu uma base normativa relevante e sistemas de monitoramento reconhecidos internacionalmente, mas ainda precisa dar escala, direcionamento e continuidade a esses instrumentos”, avalia Iuri Cardoso, coordenador de advocacy da Coalizão Brasil. “Sem segurança jurídica e critérios claros, mecanismos que poderiam beneficiar milhares de famílias no campo e na floresta permanecem subutilizados”, alerta ele.

Onde o Brasil e a Amazônia se encontram nesse cenário

No contexto amazônico, a implementação desses mecanismos é ainda mais vital. Regiões que dependem diretamente da floresta, como Acre, Amazonas e Pará, poderiam ver uma injeção de recursos e oportunidades, formalizando práticas de conservação em modelos de negócio sustentáveis. Segundo Cardoso, o Brasil já tem a base normativa e o conhecimento técnico para remunerar quem conserva. O desafio reside em dar segurança jurídica, escala e capacidade de implementação.

“Isso significa transformar floresta em pé e recurso hídrico protegido em renda concreta para produtores, povos indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais”, afirmou Iuri Cardoso.

Entenda o caso

No Dia Mundial da Conservação da Natureza, a Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura propõe que a regulamentação do Pagamento por Serviços Ambientais (PSA) e a inclusão de Soluções Baseadas na Natureza (SbN) no mercado de carbono sejam prioridades na agenda política de 2026. A rede busca transformar a conservação ambiental em uma fonte de renda e impulsionar a economia de baixo carbono no país, beneficiando especialmente comunidades tradicionais e povos da floresta.

Desafios e o horizonte de 2026

Apesar do potencial, a consolidação desses mecanismos não é automática. A implementação depende de múltiplos fatores, atualmente em debate: a definição de critérios técnicos claros, a coordenação eficiente entre os governos federal e estaduais e a capacidade de fiscalização em território nacional. O desafio, portanto, vai além da regulamentação, envolvendo a execução e a garantia de que os recursos realmente cheguem a quem ativamente protege a floresta.

Com as eleições de 2026 se aproximando, a Coalizão Brasil atua para que a remuneração da conservação se torne um compromisso de campanha e, posteriormente, uma política pública duradoura. A expectativa é que o tema ganhe mais visibilidade no debate eleitoral e nas agendas legislativa e executiva do próximo mandato.

O foco é conciliar a produção agropecuária com a segurança climática e a inclusão econômica das comunidades que vivem e dependem da floresta. A Coalizão Brasil, por meio de seu documento de propostas, espera pavimentar o caminho para um futuro onde a sustentabilidade seja sinônimo de prosperidade para toda a nação, incluindo a vasta região amazônica.

Perguntas Frequentes

O que é Pagamento por Serviços Ambientais (PSA)?
O PSA é um instrumento que remunera proprietários rurais ou comunidades pelo trabalho de conservação e recuperação de ecossistemas, como a manutenção de florestas que fornecem água limpa, ar puro e outros benefícios.

O que são Soluções Baseadas na Natureza (SbN)?
SbN são ações que utilizam a natureza para resolver desafios sociais, como mudanças climáticas, segurança hídrica e alimentar, através da conservação, restauração e manejo sustentável de ecossistemas.

Qual a importância do mercado de carbono para a Amazônia?
O mercado de carbono permite que entidades que reduzem emissões (como as que conservam florestas na Amazônia) vendam créditos de carbono para aquelas que não conseguem reduzir suas próprias emissões, gerando uma fonte de renda para a conservação e o desenvolvimento sustentável da região.

Com informações de Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura.

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