
No Refúgio Ecológico Caiman, no Pantanal de Mato Grosso do Sul, o biólogo e guia Bruno Sartori Reis, do projeto Onçafari, acompanhava um grupo de turistas quando viu uma cena que nunca tinha presenciado daquele jeito. A onça-pintada Aroeira e seus dois filhotes, Jatobá e Jacarandá, chegaram perto de uma fêmea de tamanduá-bandeira. Em vez de fugir, ela partiu para cima.
Com vocalizações intensas e postura agressiva, a tamanduá avançou sobre a família de onças, que recuou. Segundo o biólogo, os felinos pareciam mais curiosos do que interessados em caçar, mas a reação do tamanduá encerrou qualquer dúvida.
Presa que se defende
Onças-pintadas consideram tamanduás-bandeira presas em potencial, e há registros de ataques. Mas o tamanduá está longe de ser fácil. Ele tem garras enormes nas patas da frente, que usa para rasgar cupinzeiros duros como pedra. Quando ameaçado, fica de pé sobre as patas traseiras, apoiado na cauda, e abraça ou golpeia o adversário com as garras, que podem causar ferimentos graves.
Segundo Reis, o tamanduá encara a onça, usa as garras e não é uma presa fácil. Ele já tinha visto episódios parecidos, mas nunca com três onças ao mesmo tempo.
Filhotes curiosos
A presença dos filhotes ajuda a explicar a cena. Onças jovens são curiosas e investigam tudo o que encontram, inclusive animais que ainda não sabem caçar. A mãe, por sua vez, não tinha motivo para arriscar a família contra um animal capaz de ferir gravemente. Na natureza, um ferimento sério pode significar a morte para um predador, que depende do corpo inteiro para caçar.
O maior tamanduá do mundo
O tamanduá-bandeira (Myrmecophaga tridactyla) pode chegar a 2 metros de comprimento, incluindo a cauda, e cerca de 40 quilos. É solitário, típico do Cerrado e do Pantanal, e se alimenta principalmente de formigas e cupins, capturados com a língua longa e pegajosa. Não tem dentes.
A espécie é classificada como vulnerável à extinção pela IUCN, por causa da perda de habitat, dos incêndios e dos atropelamentos. No Pantanal, convive com as onças em um equilíbrio antigo, em que nem sempre o predador leva a melhor.
Cuidado com quem encontra um tamanduá
Apesar de manso na maior parte do tempo, o tamanduá-bandeira pode reagir com violência se for encurralado, e há registros de pessoas feridas, inclusive caçadores e cães. A orientação é observar de longe, nunca tentar tocar, segurar ou perseguir o animal e manter cães afastados.
Perguntas frequentes
O tamanduá-bandeira enfrenta a onça?
Pode enfrentar. Quando ameaçado, fica de pé e usa as garras para se defender, o que faz muitas onças desistirem.
O tamanduá ataca pessoas?
Não por iniciativa própria, mas pode ferir gravemente se for encurralado ou atacado.
Com informações do projeto Onçafari.
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