
O tamanduá-mirim caça formigas e cupins no chão e nas árvores, usa a cauda preênsil como apoio e tem uma língua de até 40 centímetros.
O tamanduá-mirim (Tamandua tetradactyla) é um mamífero da ordem Pilosa e da família Myrmecophagidae, a mesma do tamanduá-bandeira. Segundo a avaliação do risco de extinção feita pelo ICMBio em 2015, coordenada por José Abílio Barros Ohana e colegas, ele tem cabeça alongada e estreita, boca pequena e circular, língua longa, delgada e viscosa, olhos pequenos e pretos, e pelagem amarelada que em muitas regiões traz duas faixas pretas formando um desenho que lembra um colete. Em outras regiões o pelo pode ser inteiramente amarelo, preto ou ruivo.
Os adultos pesam cerca de 7 quilos, medem geralmente de 47 a 77 centímetros de comprimento, fora a cauda, que tem de 40 a 68 centímetros, conforme dados de Nowak (1999) reunidos pelo ICMBio. A cauda é preênsil, nua na face de baixo e com manchas pretas irregulares na ponta. Os membros anteriores têm musculatura muito desenvolvida e quatro dedos com garras recurvadas, sendo a do terceiro dedo a maior, enquanto os posteriores têm cinco dedos com garras menores.
Hábito de subir em árvores, mas sem abandonar o chão
O ICMBio classifica o tamanduá-mirim como de hábito escansorial, isto é, capaz de escalar, com atividade predominantemente noturna. Quando não está ativo, descansa em ocos de árvores, em tocas de tatus e em outras cavidades naturais. O Animal Diversity Web, da Universidade de Michigan, informa que ele passa de 13% a 64% do tempo nas árvores, é desajeitado no chão e não galopa, e que caminha apoiado na parte externa das mãos para proteger as garras.
A cauda ajuda nessa vida entre o chão e os galhos. De acordo com a mesma fonte, a parte de baixo e a ponta da cauda são sem pelos, e quando ameaçado numa árvore o animal agarra um galho com as patas traseiras e a cauda, deixando os antebraços e as garras longas livres para lutar. Nas descrições técnicas, portanto, a cauda funciona como ponto de apoio ao lado das patas, e não como único sustento do corpo.
Língua de 40 centímetros e cupinzeiros de árvore
A alimentação é formada geralmente por cupins e formigas, e o ICMBio observa que o tamanduá-mirim pode se alimentar no chão ou nas árvores, o que lhe dá acesso a cupinzeiros arbóreos que o tamanduá-bandeira não alcança. Segundo o Animal Diversity Web, ele localiza o alimento pelo olfato, usa os membros anteriores fortes para rasgar os ninhos e lambe os insetos com a língua, que pode chegar a cerca de 40 centímetros para fora da boca. A mesma fonte afirma que o animal evita formigas com defesas químicas fortes, como as saúvas e as formigas-de-correição, e pode comer também mel e abelhas.
Onde vive e quantos são
No Brasil, a espécie ocorre em todos os biomas, Amazônia, Caatinga, Cerrado, Mata Atlântica, Pantanal e Pampa, e em todos os estados, com extensão de ocorrência estimada em 6,8 milhões de quilômetros quadrados, segundo o ICMBio. A espécie usa ambientes de savana e de floresta, incluindo matas de galeria e mangues. A densidade medida no Pantanal central por Desbiez e colegas (2010) foi de 0,12 indivíduo por quilômetro quadrado em áreas de planície alagada, 0,41 em mata e 0,39 em cerrado. A área de vida média registrada nos Llanos da Venezuela foi de 380 hectares, e o animal percorre em média 3 quilômetros por dia.
Defesa e reprodução
Quando está irritado, o tamanduá-mirim sibila e libera uma secreção de cheiro forte pela glândula anal, segundo o Animal Diversity Web. No chão, costuma se encostar numa pedra ou num tronco e agarrar o agressor com os antebraços. A gestação dura de 130 a 150 dias, de acordo com Medri e colegas (2011) citados pelo ICMBio, e nasce um filhote por vez, que é carregado no dorso da mãe ou deixado num ninho enquanto ela se alimenta. O pelo do recém-nascido varia do branco ao preto, e o Animal Diversity Web registra que a fêmea alcança a maturidade por volta de um ano de idade.
Ameaças e situação de conservação
O ICMBio classifica o tamanduá-mirim como menos preocupante no país, porque a espécie é comum, tem ampla distribuição e as ameaças não comprometem severamente a população brasileira. A IUCN usa a mesma categoria na avaliação global. Ainda assim, as ameaças são concretas: incêndios, conversão de áreas naturais em agricultura, desmatamento, expansão da malha de estradas, predação por espécies exóticas e caça. Em algumas regiões o animal é caçado para consumo e mantido como animal de estimação.
No Rio Grande do Sul, onde a espécie é considerada vulnerável, um levantamento de Corrêa e Vilella (2009) registrou 98 tamanduás-mirins em 63 localidades, dos quais 59 estavam mortos. Entre os mortos, 49% foram atropelados, 24,6% morreram por caça e o restante por outras causas, como barragens e doenças. Os autores da avaliação do ICMBio destacam ainda que são necessários mais estudos de ecologia e de dinâmica populacional em diferentes partes da distribuição e uma revisão taxonômica da espécie, já que há indícios de que o grupo reúna mais de uma espécie.
Em resumo, o tamanduá-mirim é um insetívoro versátil, capaz de explorar o chão e a copa das árvores, que usa a cauda preênsil como apoio, as garras fortes para abrir ninhos e a língua longa para capturar formigas e cupins. Proteger as matas e reduzir atropelamentos nas estradas são as medidas de maior efeito para a espécie.
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