Filhotes de tartaruga-oliva saem de ninho em praia do Ceará onde a espécie nunca tinha registro de desova

Filhotes de tartaruga-oliva saem de ninho em praia do Ceará onde a espécie nunca tinha registro de desova
Fotos: Divulgação/IFCE. Filhote de tartaruga-oliva na mão de integrante da Rede Maré Viva e liberação dos filhotes na Praia da Pedra Rachada, em Paracuru (CE).

Os filhotes que saíram de um ninho na Praia da Pedra Rachada, em Paracuru, no litoral do Ceará, tinham uma surpresa no casco. Ao acompanhar a eclosão, a equipe do Instituto Federal do Ceará (IFCE) percebeu que não se tratava da tartaruga-de-pente, a espécie que costuma desovar ali, e sim da tartaruga-oliva (Lepidochelys olivacea). É o primeiro registro conhecido de desova da espécie no município, feito durante o monitoramento da primeira temporada reprodutiva de 2026 pela Rede Maré Viva, iniciativa do projeto de extensão Amigos do Mar.

A pista estava nas placas do casco

A identificação começou pela contagem das placas da carapaça. Os filhotes tinham mais de seis placas laterais, característica que, no trabalho de campo, distingue a tartaruga-oliva das outras espécies que desovam no litoral brasileiro. Para confirmar, a equipe coletou material biológico para análise genética. O exame de DNA também deve mostrar a relação entre os animais de Paracuru e outras populações de tartarugas marinhas do Brasil.

Depois da avaliação, os filhotes foram liberados seguindo os protocolos técnicos do Projeto Tamar e do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). Banhistas que estavam na praia se aproximaram para acompanhar a caminhada dos filhotes até o mar.

Fora da área habitual

A tartaruga-oliva concentra suas desovas no Brasil na Bahia e em Sergipe. Até agora, os dados de Paracuru apontavam apenas para a tartaruga-de-pente (Eretmochelys imbricata), espécie ameaçada de extinção cujos ninhos são monitorados pela equipe.

A professora Luciana de Castro, coordenadora do projeto Amigos do Mar, pondera que a novidade pode não ser tão nova assim para a natureza. “Do ponto de vista científico, a ausência de registros anteriores conhecidos não significa, necessariamente, que a espécie nunca tenha ocorrido na região”, afirma. Para ela, o achado amplia o conhecimento sobre as tartarugas que usam o litoral de Paracuru e levanta novas perguntas sobre a distribuição dessas populações na costa cearense.

Quem faz o monitoramento

A Rede Maré Viva reúne estudantes e professores do campus Paracuru do IFCE, as secretarias de Turismo e de Meio Ambiente da prefeitura, a gestão das Áreas de Proteção Ambiental e moradores. O trabalho é feito com autorização do Sistema de Autorização e Informação em Biodiversidade (Sisbio) e continua as ações do projeto Amigos do Mar, criado em 2018, que junta pesquisa, educação ambiental e conservação do litoral.

“A Rede Maré Viva não faz ciência sozinha. O trabalho conta com o agradecimento e o apoio fundamental de bugueiros, pescadores, donos de barracas e moradores de Paracuru”, diz a professora.

Uma espécie que também aparece no Pará

A tartaruga-oliva é a menor das tartarugas marinhas que ocorrem no Brasil e vive em mares tropicais de todo o mundo. No litoral paraense, filhotes da espécie também são acompanhados por programas de monitoramento de praias, como o que acontece em Salinópolis. Cada novo ponto de desova registrado ajuda os pesquisadores a entender por onde essas tartarugas circulam e quais praias precisam de proteção na época dos ninhos.

Entenda

  • Espécie: tartaruga-oliva (Lepidochelys olivacea).
  • Onde: Praia da Pedra Rachada, em Paracuru (CE).
  • Novidade: primeiro registro conhecido de desova da espécie no município.
  • Próximo passo: análise de DNA para confirmar a identificação.

Perguntas frequentes

Como diferenciar a tartaruga-oliva?

Nos filhotes, um sinal usado em campo é a quantidade de placas laterais do casco: a tartaruga-oliva tem mais de seis.

Onde a tartaruga-oliva mais desova no Brasil?

Na Bahia e em Sergipe, segundo a equipe do IFCE.

O que fazer ao ver um ninho ou filhotes na praia?

Não mexer nos animais nem no ninho, manter distância, evitar luz forte à noite e avisar a equipe de monitoramento ou o órgão ambiental da região.

Com informações do Instituto Federal do Ceará (IFCE).

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