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Terceira Natureza: Rota para prosperidade amazônica pós-desmate

Terceira Natureza: Rota para prosperidade amazônica pós-desmate
Foto: bncamazonas.com.br

Proposta de Alfredo Homma busca unir sustentabilidade e desenvolvimento na Amazônia através da recuperação produtiva de áreas degradadas.

A Amazônia, um bioma de superlativos, confronta um dilema significativo: como equilibrar a imperativa conservação de sua floresta primária com a necessidade premente de desenvolvimento socioeconômico para sua população. É nesse cenário que o agrônomo Alfredo Kingo Oyama Homma, especialista com décadas de estudo sobre a região, propõe a concretização de uma ‘Terceira Natureza’. Essa visão se concentra na transformação de áreas desmatadas, que ele denomina ‘Segunda Natureza’, em polos de produção sustentável, recuperação ambiental e progresso regional.

A ‘Primeira Natureza’ refere-se à floresta virgem, intocada. A ‘Segunda Natureza’, por sua vez, abrange os alarmantes 82 milhões de hectares já desmatados, o que corresponde a 18% da área total da Amazônia. Esse território supera a extensão da Região Sul do Brasil e é equivalente ao dobro da superfície da Alemanha e do Japão, juntas. Homma argumenta que o desafio central reside em fazer com que uma parcela significativa dessa ‘Segunda Natureza’ evolua para uma ‘Terceira Natureza’, onde atividades produtivas adequadas coexistam com a recuperação ambiental, gerando valor e oportunidades para a população local.

O Gigante Adormecido: Amazônia e seu Potencial Econômico

Apesar de sua vasta dimensão territorial e recursos naturais, a participação da Amazônia no Produto Interno Bruto (PIB) nacional ainda é modesta, atingindo apenas 9,7% em 2023. Esse percentual é ligeiramente superior ao de Santa Catarina, um estado significativamente menor, e não reflete o impacto que a região poderia ter no desenvolvimento do país. Homma enfatiza que a priorização exclusiva de questões ambientais, embora crucial, muitas vezes obscurece as necessidades básicas da população amazônica, como segurança alimentar, geração de renda e oportunidades de emprego. A subsistência de grande parte dos moradores da região ainda depende de espécies exóticas, como bovinos, bubalinos e culturas como soja, milho e dendê, em detrimento do vasto potencial da biodiversidade local.

No entanto, a Amazônia já demonstra sua força em diversos setores. Em 2024, a região concentrava 108 milhões de bovinos, o que representa 45% do rebanho nacional. Os estados amazônicos lideram a pecuária brasileira: Mato Grosso detém 14% do total nacional, seguido pelo Pará com 11%, e Rondônia com 8%. Esse cenário indica um potencial produtivo relevante, mas também a necessidade de otimização de terras para reduzir a pressão ambiental.

Inovação Agrícola e o Rebanho Adaptável

A história da Amazônia mostra que os produtores locais não são avessos à inovação. Exemplos como a introdução da juta e da pimenta-do-reino por imigrantes japoneses demonstram a adaptabilidade da agricultura regional. Essas culturas exóticas, com práticas de cultivo inicialmente estranhas, foram amplamente adotadas quando se provaram economicamente viáveis e lucrativas. Segundo Alfredo Homma, a resiliência e a abertura a novas práticas são características marcantes dos agricultores amazônicos, desde que existam mercado e rentabilidade.

O Brasil é o segundo maior produtor mundial de carne bovina e líder nas exportações, apesar de os Estados Unidos, com um rebanho de apenas 44% do brasileiro, ocuparem a primeira posição em produção. A Amazônia, portanto, desempenha um papel fundamental nesse cenário. A melhoria da produtividade, impulsionada pela recuperação de pastagens e aprimoramento genético do rebanho, tem sido um aspecto positivo, contribuindo para a redução da pressão sobre os recursos naturais e um uso mais eficiente das terras.

Domesticar a Floresta: o Caminho para a Sustentabilidade

Paralelamente à pecuária, a região também busca o reflorestamento, embora de forma ainda incipiente comparada a outras áreas do país. Em 2024, a Amazônia possuía 1.101 mil hectares de área reflorestada, com espécies como eucalipto, teca e mogno africano. Este índice é inferior ao de estados como Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, São Paulo ou Paraná, sinalizando uma oportunidade de expansão nesse setor.

Duas plantas tipicamente amazônicas, a seringueira e o cacaueiro, estão entre as espécies perenes de maior área cultivada globalmente. No entanto, o Brasil ainda se vê na posição de importador de produtos derivados delas: em 2024, 22% da borracha consumida no país foi importada, gerando um custo de US$ 262 milhões. Da mesma forma, 36% do óleo de dendê e 75% do óleo de palmiste foram importados, custando US$ 615 milhões, assim como 7% do cacau, que representou US$ 130 milhões em gastos. Isso aponta para uma lacuna na produção interna de produtos tropicais com alto potencial de mercado.

A domesticação de espécies nativas e o plantio em larga escala podem reverter esse quadro. Homma argumenta que o extrativismo, embora culturalmente relevante, se torna insustentável à medida que a demanda cresce, incentivando o plantio para garantir o abastecimento. A Amazônia possui um potencial inexplorado para a aquicultura e a criação de peixes, espelhando o sucesso da avicultura brasileira, que superou a produção de carne bovina em 2007 e fez do Brasil um dos maiores exportadores desses produtos.

Visão de Futuro: Tecnologia e Desenvolvimento para Todos

Homma reitera que não existem soluções instantâneas para a Amazônia. As transformações exigem tempo, tecnologia, dedicação e, muitas vezes, recursos financeiros significativos. Aumentar a produtividade agrícola, especialmente na pecuária, é fundamental para aliviar a pressão sobre os recursos naturais. Além disso, promover a domesticação de plantas com potencial econômico, substituir importações de produtos tropicais e garantir segurança alimentar são eixos cruciais para o desenvolvimento.

O desafio social é igualmente complexo: na Amazônia, 83% das propriedades pertencem a pequenos produtores. Enquanto metade vive em condições razoáveis, a outra metade, composta por colonos, indígenas, quilombolas e pescadores artesanais, ainda enfrenta um baixo padrão de vida. A criação de oportunidades para esses grupos, através da implementação da ‘Terceira Natureza’, é o cerne da proposta do agrônomo amazonense.

Perguntas Frequentes

O que é a ‘Terceira Natureza’ proposta por Alfredo Homma?

A ‘Terceira Natureza’ é um conceito que visa transformar as áreas desmatadas da Amazônia (a ‘Segunda Natureza’) em espaços de produção sustentável e recuperação ambiental, gerando desenvolvimento regional e oportunidades para a população.

Qual a extensão das áreas desmatadas na Amazônia que o projeto visa transformar?

O projeto foca nos 82 milhões de hectares já desmatados, o que corresponde a 18% da área total da Amazônia, um território enorme com potencial para novas abordagens produtivas.

Como a proposta da ‘Terceira Natureza’ se relaciona com a economia brasileira?

A proposta busca aumentar a participação da Amazônia no PIB nacional, que atualmente é de apenas 9,7%, e reduzir a dependência da importação de produtos tropicais, potencializando a produção local e gerando mais renda para a região.

Com informações de Alfredo Kingo Oyama Homma/Brasil Norte Comunicação.

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