Terremoto em Marte fez pedras rolarem morro abaixo: imagens antes e depois mostram 27 rastros novos em 18 meses, quando o normal são dois por ano

Terremoto em Marte fez pedras rolarem morro abaixo: imagens antes e depois mostram 27 rastros novos em 18 meses, quando o normal são dois por ano
Deslizamentos nas encostas de Cerberus Fossae, em Marte. Imagem: Nasa/JPL/Universidade do Arizona (HiRISE), via Wikimedia Commons, domínio público.

Na Terra, terremotos costumam provocar quedas de rochas. Agora há evidência sólida de que o mesmo acontece em Marte. Comparando imagens de alta resolução feitas antes e depois de um tremor, cientistas encontraram centenas de marcas deixadas por pedras que rolaram encosta abaixo. O estudo foi publicado em setembro na revista científica npj Space Exploration.

A sonda que ouvia Marte

Os dados sísmicos vêm da sonda InSight, da Nasa, que pousou em Marte em 2018. Em quatro anos de operação, seu sismômetro registrou mais de mil tremores, os chamados martemotos. Muitos tiveram origem em Cerberus Fossae, uma região de penhascos, fendas e vales logo ao norte do equador marciano.

Segundo o cientista planetário Vijayan, do Laboratório de Pesquisa Física de Ahmedabad, na Índia, que usa um único nome, a área é uma paisagem dinâmica, com encostas, rachaduras e milhares de pedras que já caíram.

Antes e depois

A equipe se concentrou em um tremor bem registrado pela InSight em julho de 2019, a poucas dezenas de quilômetros de Cerberus Fossae. Comparando imagens de órbita de junho de 2019 e de dezembro de 2020, encontrou 27 novas feições em forma de linha. Cada uma era formada por dezenas a centenas de marcas: os rastros de pedras quicando morro abaixo.

O número chamou atenção. Usando imagens antigas, os pesquisadores calcularam que, em média, só cerca de duas dessas feições se formam por ano em Cerberus Fossae. Registrar 27 em 18 meses foi totalmente inesperado, segundo o sismólogo Bivas Das, também do laboratório indiano. Para a equipe, o tremor foi o provável gatilho.

Um mistério do lado norte

Ainda há perguntas. Todas as quedas aconteceram no lado norte de um vale importante da região, embora haja mais pedras soltas no lado sul. A paisagem complexa pode alterar a forma como as ondas sísmicas se propagam, o que torna difícil prever como cada área vai tremer.

Sismógrafo sem sismógrafo

Instalar sismômetros em outros planetas é caro e raro. A InSight foi a única a registrar martemotos por anos, e já encerrou a missão. Por isso, a descoberta abre uma possibilidade interessante: usar quedas de rocha vistas do espaço como indicador indireto de atividade sísmica, em Marte e em outros corpos do Sistema Solar.

A ideia também tem aplicação prática. Futuras bases humanas em Marte deveriam evitar áreas sismicamente ativas, e rastros de pedras recentes podem funcionar como alerta, um aviso de que aquele terreno não é tão parado quanto parece.

Marte ainda está vivo por dentro

Durante muito tempo, Marte foi visto como um planeta geologicamente morto. Os dados da InSight mostraram que ele ainda treme, e Cerberus Fossae, onde há sinais de atividade vulcânica relativamente recente em escala geológica, é uma das regiões mais ativas. As pedras rolando são a parte visível desse movimento interno.

Perguntas frequentes

Existe terremoto em Marte?

Sim. A sonda InSight registrou mais de mil tremores em Marte entre 2018 e 2022.

Onde fica Cerberus Fossae?

É uma região de fendas e penhascos logo ao norte do equador de Marte, de onde vêm muitos dos tremores registrados.

Com informações do Laboratório de Pesquisa Física de Ahmedabad e do estudo publicado na npj Space Exploration.

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