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Um gavião consegue continuar voando mesmo quando faltam penas inteiras nas asas e pesquisadores descobriram como ele compensa cada espaço vazio

Uma pena grande cai da asa.

Durante algum tempo, outra ainda não cresceu completamente para ocupar seu lugar.

Para uma máquina criada por engenheiros, perder parte importante da superfície de voo poderia exigir uma parada imediata para reparo.

Um gavião não possui essa opção.

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A muda faz parte de sua vida.

Pesquisadores da Universidade da Califórnia em Davis estudaram gaviões-de-cauda-vermelha e descobriram que as aves ajustam os movimentos das asas e da cauda para preservar o desempenho mesmo durante períodos em que penas estão faltando. A equipe quer entender como essa capacidade de compensação pode ajudar tanto na reabilitação de aves quanto no desenvolvimento de aeronaves e drones mais resistentes a danos.

Trocar as penas cria um problema de engenharia

Penas sofrem desgaste.

Elas entram em contato com vegetação, ar, chuva e outros materiais. Com o tempo, precisam ser substituídas.

Esse processo recebe o nome de muda.

O problema é que uma ave não pode simplesmente remover todas as penas de voo de uma vez e esperar semanas até que novas cresçam.

Para muitas espécies, isso significaria perder a capacidade de voar.

A substituição precisa ocorrer de maneira organizada.

Mesmo assim, a asa temporariamente deixa de apresentar a mesma superfície contínua.

Existem espaços.

Existem penas de tamanhos diferentes.

A aerodinâmica muda.

O gavião não tenta simplesmente voar da mesma maneira

É aqui que entra a descoberta.

Os pesquisadores observaram que gaviões-de-cauda-vermelha conseguem modificar a utilização das asas e da cauda de acordo com a situação.

Em vez de depender de uma configuração rígida, o animal adapta o próprio corpo enquanto executa manobras.

Isso transforma a ave em um sistema de voo extremamente flexível.

O organismo identifica, por meio da própria experiência sensorial e motora, que o corpo não está exatamente igual e produz ajustes para continuar funcionando.

A cauda não serve apenas para parecer bonita durante o voo

Quando uma ave abre a cauda, ela altera a aerodinâmica do corpo.

As penas podem contribuir para estabilidade, frenagem, direção e controle durante curvas.

Se parte da asa está temporariamente comprometida, movimentos de outras superfícies podem ajudar a compensar.

Os pesquisadores estão interessados justamente nessa coordenação.

O voo não depende de uma única peça.

Asas, cauda, postura corporal e controle neuromuscular trabalham como um conjunto.

Quando uma dessas partes muda, outras podem assumir parcela maior do trabalho.

A diferença para um avião tradicional é enorme

A maioria dos aviões foi projetada para manter uma geometria relativamente previsível.

Danos relevantes em asas podem alterar drasticamente estabilidade e sustentação.

A ave vive em uma realidade diferente.

Ela cresce.

Engorda e emagrece.

Molha as penas.

Perde penas.

Carrega alimento.

Enfrenta rajadas.

Ainda assim, precisa pousar em galhos e perseguir presas.

Essa capacidade de operar em condições variáveis é uma das razões pelas quais engenheiros estudam animais voadores.

Não se trata de construir um drone com aparência de gavião.

O objetivo é compreender os princípios de controle que permitem ao sistema continuar funcionando quando alguma coisa muda.

A pesquisa também pode ajudar aves feridas

Existe uma aplicação muito menos tecnológica.

Centros de reabilitação recebem aves com danos nas penas.

Determinar quando um indivíduo está realmente pronto para voltar à natureza é difícil.

Uma ave pode conseguir sair do chão e ainda não possuir controle suficiente para caçar, escapar de obstáculos ou pousar com segurança.

Compreender como diferentes perdas de penas alteram o voo pode melhorar critérios de avaliação.

Isso é especialmente importante para predadores que dependem de manobras precisas para sobreviver.

A muda não é igual a uma asa gravemente ferida

Esse limite precisa ficar claro.

Uma ave que perde penas naturalmente durante a muda não é equivalente a uma ave com ossos quebrados, músculos lesionados ou grandes traumas.

A pesquisa observa um sistema biológico adaptado evolutivamente à substituição periódica das penas.

Isso não significa que um gavião possa sofrer qualquer dano e simplesmente “compensar”.

Existe uma faixa dentro da qual o organismo consegue ajustar sua estratégia.

Além dela, o voo pode se tornar impossível ou perigoso.

O cérebro faz parte da asa

Quando olhamos uma pena, é fácil imaginar que a explicação para o voo esteja toda na anatomia.

Mas uma superfície aerodinâmica sozinha não decide como será utilizada.

O sistema nervoso precisa integrar informações sobre equilíbrio, velocidade, direção do ar e posição das partes do corpo.

Depois, músculos executam correções continuamente.

Por isso, uma ave é mais do que um conjunto de asas eficientes.

Ela é um sistema ativo de controle.

A adaptação durante a muda evidencia exatamente isso.

O próximo drone pode aprender com uma ave imperfeita

Engenheiros costumam estudar animais quando eles estão funcionando em condições ideais.

A nova linha de pesquisa sugere outra pergunta.

Talvez seja ainda mais útil observar o que acontece quando o animal não está perfeito.

Uma pena desapareceu.

O vento mudou.

O peso ficou desequilibrado.

O gavião continua voando.

Para sistemas robóticos que precisam operar longe de oficinas, essa propriedade é valiosa.

Um equipamento capaz de reconhecer danos e alterar autonomamente sua forma de controle poderia continuar uma missão que um sistema rígido precisaria interromper.

Uma asa com buracos ainda pode ser uma excelente asa

A imagem parece contraditória.

Vemos uma fileira de penas e imaginamos que cada espaço precisa estar preenchido para o voo funcionar.

O gavião mostra que a natureza trabalha com margens, redundância e adaptação.

Durante a muda, a ave não recebe uma nova asa.

Ela administra temporariamente uma asa incompleta.

E faz isso alterando o próprio modo de voar.

Limitação do estudo

Os resultados não significam que aves sejam imunes a danos. A capacidade de compensação depende do tipo e da extensão da perda, e a muda natural não deve ser confundida com trauma severo.

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