Cobra de até 15 metros viveu na Índia há 47 milhões de anos e disputa com a Titanoboa, da Colômbia, o posto de maior serpente da história

Cobra de até 15 metros viveu na Índia há 47 milhões de anos e disputa com a Titanoboa, da Colômbia, o posto de maior serpente da história
Reconstrução artística de Vasuki indicus. Ilustração: Ansh Saxena, via Wikimedia Commons, domínio público (CC0).

Uma serpente que viveu no oeste da Índia há cerca de 47 milhões de anos pode ter sido uma das maiores que já existiram. Batizada de Vasuki indicus, ela teria entre 10,9 e 15,2 metros de comprimento, segundo as estimativas dos paleontólogos. Se o número maior estiver certo, supera a Titanoboa, a cobra gigante que viveu onde hoje fica a Colômbia e que desde 2009 é considerada a maior serpente conhecida.

A espécie foi descrita na revista científica Scientific Reports por Debajit Datta e Sunil Bajpai, do Instituto Indiano de Tecnologia de Roorkee.

Uma cobra montada a partir da coluna

Os fósseis saíram da mina de lignito de Panandhro, na região de Kutch, no estado de Gujarat. Os pesquisadores analisaram 27 vértebras, os ossos que formam a coluna da serpente. Muitas estavam bem preservadas, algumas ainda encaixadas na posição original, e pertenciam a um animal adulto.

As maiores vértebras tinham até 62,7 milímetros de comprimento e 111,4 milímetros de largura. O formato largo indica um corpo grosso e cilíndrico, capaz de sustentar muito peso.

Para estimar o tamanho total, os cientistas compararam os ossos com vértebras de serpentes atuais de comprimento conhecido. Dois métodos diferentes deram resultados distintos: de 10,9 a 12,2 metros, e de 14,5 a 15,2 metros.

Maior que a Titanoboa?

A Titanoboa viveu há cerca de 60 milhões de anos na região de Cerrejón, no norte da Colômbia, e teria cerca de 13 metros. Os próprios autores do estudo sobre Vasuki pedem cautela: as estimativas feitas a partir de uma coluna incompleta têm grande margem de incerteza, e não dá para afirmar que a cobra indiana foi maior.

O que é certo é que as duas estão em outra escala em relação às serpentes atuais. A sucuri-verde, maior cobra das Américas e símbolo dos rios amazônicos, é a mais pesada do mundo, mas raramente passa de 6 metros.

Lenta, de emboscada

Apesar do tamanho, Vasuki provavelmente não era rápida nem ágil. O corpo enorme e a estrutura das vértebras sugerem movimentos lentos. Em vez de perseguir presas, ela deve ter usado a emboscada, esperando escondida até que um animal chegasse perto, à maneira das sucuris e pítons atuais, que matam por constrição.

A anatomia indica que passava boa parte do tempo em terra ou em áreas pantanosas rasas. O ambiente da época tinha brejos e áreas alagadas, cenário adequado para um grande predador de tocaia.

O calor ajudou a crescer

No Eoceno Médio, a região de Kutch era tropical, com temperatura média estimada em cerca de 28 °C. Serpentes dependem do calor externo para regular o corpo, a digestão e o crescimento, e ambientes quentes podem ter favorecido o surgimento de cobras gigantes em períodos mais quentes da história da Terra. A Titanoboa também viveu em um clima muito quente.

Os pesquisadores lembram, porém, que temperatura não explica tudo: oferta de comida, habitat e a história evolutiva da linhagem também pesam no tamanho.

Uma família que se espalhou pelos continentes

Vasuki pertence aos madtsoiídeos, uma família de serpentes extinta que existiu por dezenas de milhões de anos e teve representantes na África, na Europa, na Índia, na América do Sul e na Austrália. A descoberta indiana ajuda a reconstituir como esse grupo se espalhou pelos continentes.

O nome homenageia Vasuki, a serpente mitológica que, na tradição hindu, aparece enrolada no pescoço do deus Shiva. O segundo termo, indicus, se refere ao país da descoberta.

Perguntas frequentes

Qual foi a maior cobra que já existiu?

As candidatas são a Titanoboa, da Colômbia, com cerca de 13 metros, e a Vasuki indicus, da Índia, com estimativas entre 10,9 e 15,2 metros. A incerteza impede cravar qual era maior.

Qual a maior cobra viva hoje?

A sucuri-verde é a mais pesada, e a píton-reticulada, da Ásia, é a mais comprida. Nenhuma chega perto do tamanho das gigantes extintas.

Com informações do Instituto Indiano de Tecnologia de Roorkee e do estudo publicado na Scientific Reports.

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