
Material líquido com urânio alcançou o sistema de efluentes dentro da instalação, segundo o Ibama.
Um reservatório de fibra com capacidade para 20 mil litros rompeu dentro da principal unidade de beneficiamento de urânio da Bahia e levou à paralisação da instalação em Caetité. O vazamento ocorreu na tarde de terça-feira (22/9), na Unidade de Concentração de Urânio da Indústrias Nucleares do Brasil, e envolveu líquido proveniente do processo industrial, com presença de urânio.
A área atingida foi isolada e interditada. A Autoridade Nacional de Segurança Nuclear, ANSN, informou que não houve registro de pessoas atingidas nem de impacto fora da planta. O Ibama, porém, confirmou que uma parcela do material alcançou o sistema fluvial interno da unidade e foi recolhida na caixa de coleta de efluentes.
O vazamento ficou dentro da área industrial
O reservatório era usado para armazenar temporariamente o líquido gerado na extração de urânio por solventes, etapa do beneficiamento químico. Esse material passa por tratamento e, conforme as características do processo, pode ser reutilizado ou encaminhado para destinação final.
Segundo a ANSN, o setor não estava em operação quando a estrutura se rompeu. Equipes de emergência foram acionadas para fazer a limpeza, coletar amostras e acompanhar as condições do local.
Segundo o Ibama, o líquido que atingiu o sistema fluvial permaneceu dentro da Unidade de Concentração de Urânio em Caetité e foi direcionado à estrutura de coleta de efluentes. A informação é relevante porque diferencia a ocorrência registrada na planta de uma contaminação confirmada em rios ou comunidades fora da instalação.
Como funciona a contenção na unidade
A INB classificou o episódio como um “evento não usual” e afirmou que o impacto ficou restrito à instalação. A estatal também informou que o reservatório estava em área pavimentada, protegida por uma estrutura de concreto e por um sistema descrito como de “dupla camada de proteção”.
Na prática, esse tipo de contenção serve para impedir que líquidos industriais avancem diretamente para o solo ou para cursos d’água externos. A coleta do material dentro da própria unidade é justamente uma das etapas usadas para limitar a dispersão e permitir análises posteriores.
Após a limpeza inicial, uma equipe multidisciplinar passou a acompanhar a área. A paralisação determinada pela autoridade nuclear impede a continuidade das atividades no local até que sejam avaliadas as condições de segurança e as medidas necessárias para a retomada.
Segundo incidente em menos de três meses
O episódio ocorre poucas semanas depois de outro problema na mesma unidade. No fim de junho, a planta da INB em Caetité registrou um vazamento de amônia. A repetição de ocorrências em um intervalo curto aumenta a pressão por respostas técnicas sobre manutenção, operação e controle de riscos.
Os dois casos não envolvem necessariamente o mesmo produto nem o mesmo mecanismo de falha. A amônia é uma substância química utilizada em processos industriais, enquanto o episódio de setembro envolveu líquido associado ao beneficiamento de urânio. A comparação, portanto, ajuda a dimensionar a frequência dos incidentes, mas não permite concluir que tenham a mesma causa.
Também não há, nas informações divulgadas, indicação de que o vazamento tenha alcançado áreas externas, moradores ou trabalhadores. A ANSN informou que o setor estava fora de operação e que foi isolado imediatamente, fatores que contribuíram para restringir o alcance do evento.
O que a ocorrência significa para a Amazônia
Caetité fica no sudoeste da Bahia e não pertence à Amazônia Legal. Por isso, não há indicação de impacto direto deste episódio sobre os estados amazônicos, nem base para relacionar o material recolhido na planta com rios da região Norte.
A conexão regional está no tipo de risco envolvido. Pará, Amazonas, Amapá, Acre, Rondônia, Roraima, Tocantins, Mato Grosso e Maranhão também concentram atividades industriais, minerárias e logísticas que dependem de contenção, monitoramento de efluentes e resposta rápida a incidentes. O caso baiano reforça que a segurança ambiental precisa ser verificada dentro das instalações, e não apenas depois que um contaminante chega ao ambiente externo.
Em áreas amazônicas, onde comunidades podem depender de rios para abastecimento, pesca e transporte, a transparência sobre amostras, limites de segurança e medidas de emergência é especialmente importante. Essa observação não significa que exista contaminação na Amazônia relacionada ao episódio de Caetité, mas mostra por que protocolos de prevenção e comunicação pública são decisivos em qualquer empreendimento industrial.
As dúvidas que ficam após a paralisação
A ocorrência ainda exige respostas sobre a causa do rompimento, a condição do reservatório e os resultados das amostras coletadas no local. Também será necessário esclarecer quais medidas a INB deverá cumprir antes de retomar as atividades da unidade.
A presença de urânio no líquido não permite, sozinha, concluir que houve dano à saúde ou ao meio ambiente fora da planta. Para isso, são necessários dados de monitoramento, identificação da concentração do material e avaliação dos órgãos responsáveis.
A ANSN mantém a unidade paralisada enquanto as equipes realizam a limpeza, a coleta de amostras e o monitoramento da área. Os próximos passos dependem da análise técnica do incidente e da definição das providências para a operação segura da instalação.
Com informações de ANSN, Ibama e INB.
Gostou desta reportagem?
Marque Revista Amazônia como fonte preferencial e veja mais conteúdo nosso no Google.














