
Na madrugada de 18 de novembro de 2026, às 5h16min07 no horário da costa leste dos Estados Unidos, 7h16 em Brasília, a sonda Voyager 1, da Nasa, vai bater mais um recorde. Ela se tornará o primeiro objeto feito por humanos a chegar a um dia-luz da Terra, a distância que a luz percorre em 24 horas.
São 25,9 bilhões de quilômetros, mais de quatro vezes a distância entre o Sol e Plutão. A partir desse ponto, um comando enviado da Terra levará um dia inteiro para chegar à sonda, e a resposta levará outro dia para voltar.
Quase 50 anos de estrada
A Voyager 1 foi lançada em 5 de setembro de 1977, de Cabo Canaveral, na Flórida. Sua gêmea, a Voyager 2, tinha decolado antes, mas seguiu um caminho mais longo. Em 1998, a Voyager 1 ultrapassou a sonda Pioneer 10 e se tornou o objeto humano mais distante da Terra, título que nunca mais perdeu.
A missão aproveitou um alinhamento raro dos planetas exteriores, que permitia a uma nave lançada no fim dos anos 1970 passar por Júpiter, Saturno, Urano e Netuno ganhando impulso gravitacional de cada um. Um alinhamento assim só voltará a acontecer por volta da década de 2150.
Vulcões em outra lua e o ponto azul
As câmeras das Voyagers revelaram tempestades gigantes, dezenas de luas nunca vistas e detalhes dos anéis de Júpiter, Saturno, Urano e Netuno. Uma das maiores surpresas veio de uma imagem de navegação. Dias depois da passagem por Júpiter, a astrônoma Linda Morabito, do Laboratório de Propulsão a Jato (JPL), notou uma bolha saindo da borda da lua Io. Era uma pluma vulcânica de 250 quilômetros de altura, o primeiro vulcão ativo descoberto fora da Terra.
Em 1990, a cerca de 6 bilhões de quilômetros do Sol, a Voyager 1 virou a câmera para trás a pedido do astrônomo Carl Sagan e fez um retrato de família do Sistema Solar. Nele, a Terra aparece como um ponto azul-pálido, um pixel de luz. Depois disso, as câmeras foram desligadas para economizar energia.
Fora da bolha do Sol
Por 35 anos, a Voyager 1 viajou dentro da heliosfera, a bolha formada pelo vento solar, que protege o Sistema Solar da radiação cósmica. Em 25 de agosto de 2012, a cerca de 18 bilhões de quilômetros, ela cruzou a heliopausa, a fronteira onde o vento solar encontra o espaço interestelar. Foi a primeira nave a fazer isso.
A confirmação veio meses depois, graças a uma erupção no Sol que mandou uma onda de pressão até a sonda e permitiu medir a densidade de partículas ao redor dela.
Uma missão de várias gerações
A cientista planetária Linda Spilker, do JPL, começou a trabalhar na Voyager pouco antes do lançamento, estava em Cabo Canaveral no primeiro voo e hoje é a cientista-chefe da missão. Ela conta que nunca imaginou que a missão duraria tanto. Outros integrantes da equipe nem tinham nascido quando as sondas partiram.
Para pesquisadores como a física Jamie Rankin, da Universidade Princeton, cada dia de dados das Voyagers ainda traz algo novo, porque elas estão em lugares que ninguém explorou antes.
Até quando?
As Voyagers são alimentadas por geradores que usam o calor do decaimento de plutônio, e a energia diminui a cada ano. Para prolongar a missão, a equipe vem desligando instrumentos e sistemas aos poucos. Em algum momento da próxima década, as sondas devem ficar em silêncio, mas continuarão viajando pela galáxia levando o famoso disco de ouro com sons e imagens da Terra.
Perguntas frequentes
O que é um dia-luz?
É a distância que a luz percorre em 24 horas: cerca de 25,9 bilhões de quilômetros.
A Voyager 1 ainda funciona?
Sim. Com instrumentos reduzidos para economizar energia, ela continua enviando dados do espaço interestelar.
Com informações da Nasa e do Laboratório de Propulsão a Jato (JPL).
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