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Amazonía colombiana: reserva bloqueia novas minas e petróleo

Amazonía colombiana: reserva bloqueia novas minas e petróleo
Foto: eltiempo.com

Resolução citada no material protege 48,3 milhões de hectares, mas preserva contratos já assinados e pode enfrentar contestação.

O Ministério do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Colômbia declarou, em 4 de agosto de 2026, 48.328.355 hectares do bioma amazônico como reserva definitiva de recursos naturais renováveis e do ambiente. A área corresponde a cerca de 42% do território continental colombiano e alcança 61 municípios de dez departamentos, restringindo novas concessões de mineração e contratos de hidrocarbonetos, embora mantenha empreendimentos já autorizados. A resolução foi assinada três dias antes da posse presidencial de Abelardo de la Espriella, segundo o material divulgado pelo jornal El Tiempo, e os dados oficiais precisam ser confirmados [CHECAR].

O que a resolução muda na prática

A decisão citada na pauta é a Resolução 0961 de 2026. O texto utiliza o artigo 47 do Código de Recursos Naturais, criado pelo Decreto-Lei 2811 de 1974, para estabelecer uma reserva de recursos naturais renováveis. A ferramenta permite ao Estado retirar determinada região da possibilidade de exploração econômica por particulares, ao menos enquanto a restrição estiver vigente.

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O efeito mais importante não é a criação de um parque nacional. A medida também não substitui as áreas protegidas já existentes nem altera automaticamente terras indígenas, reservas florestais ou outras categorias de conservação. O objetivo específico é impedir que órgãos públicos concedam novos títulos de mineração ou contratos de exploração de petróleo e gás dentro do perímetro delimitado.

Na prática, pedidos ainda em análise ficam sem possibilidade de aprovação enquanto a reserva permanecer válida. Já títulos minerários e contratos de hidrocarbonetos que estavam vigentes antes da decisão não são anulados. Essa distinção reduz o impacto imediato sobre as empresas, mas cria uma barreira para a expansão futura da fronteira extrativa na Amazônia colombiana.

Área protegida inclui seis departamentos inteiros

De acordo com o material, a área abrange integralmente Caquetá, Putumayo, Amazonas, Guainía, Guaviare e Vaupés. Também inclui parcelas de Meta, Vichada, Cauca e Nariño. A dimensão é estratégica para toda a Pan-Amazônia, porque a floresta colombiana se conecta a ecossistemas, rios e territórios indígenas que avançam para o Brasil, o Peru, o Equador e a Venezuela.

Segundo o Ministério do Meio Ambiente da Colômbia, a reserva foi fundamentada nos princípios da prevenção e da precaução diante do avanço do desmatamento e dos riscos associados à abertura de estradas para projetos extrativos. A frase precisa ser confrontada com o texto integral da resolução e do Documento Técnico de Suporte [CHECAR], mas o argumento central é que a infraestrutura de acesso pode estimular ocupação irregular, grilagem, extração ilegal de madeira e expansão de cultivos ilícitos.

Entenda o caso

A resolução não proíbe toda atividade econômica na Amazônia colombiana. Ela bloqueia novas concessões de mineração e petróleo, preservando contratos e títulos anteriores. Também não equivale, por si só, à declaração de um parque nacional.

O material informa que a decisão alcança uma área de 483.283,55 quilômetros quadrados. O número representa aproximadamente 42% do território continental da Colômbia, mas a dimensão exata, a delimitação cartográfica e a vigência jurídica devem ser verificadas na publicação oficial [CHECAR].

Pressão de títulos e contratos existentes

A justificativa ambiental contrasta com a presença de atividades extrativas já autorizadas. Dados atribuídos à Agência Nacional de Mineração indicam 164 títulos minerários vigentes dentro da área, ocupando 104.910 hectares, além de 284 solicitações em tramitação, com extensão estimada em 390.230 hectares.

O levantamento também menciona 183 Áreas Estratégicas Minerais. Segundo a pauta, essa figura teria cobertura próxima de 38 milhões de hectares, apesar de ter sido retirada do ordenamento pela Corte Constitucional em 2015. A permanência de efeitos administrativos ou de expectativas sobre essas áreas é um dos pontos que exigem análise jurídica detalhada.

No setor de hidrocarbonetos, a Agência Nacional de Hidrocarbonetos teria registrado 39 contratos vigentes: 22 em fase de exploração, 13 em produção e quatro em avaliação. Os contratos exploratórios cobririam aproximadamente 1,5 milhão de hectares. A resolução, portanto, funciona mais como uma trava para novos projetos do que como uma interrupção da produção em andamento.

Decisão ocorre na transição de governo

O momento político adiciona uma camada de tensão. A medida foi publicada às vésperas da posse do novo presidente colombiano, cuja campanha, segundo o material, defendeu a retomada da exploração de hidrocarbonetos e a abertura para o fraturamento hidráulico, conhecido como fracking. O ministro do Meio Ambiente designado também teria indicado a possibilidade de autorizar a técnica em algumas áreas, sob regras de controle [CHECAR].

Essa mudança de orientação pode levar o novo governo a tentar modificar, revogar ou judicializar a resolução. No entanto, uma eventual reversão não seria necessariamente simples. A Amazônia colombiana foi reconhecida como sujeito de direitos pela Corte Suprema de Justiça em 2018, na sentença STC4360-2018. Em 2025, a Corte Constitucional também a classificou como conjunto ecossistêmico de especial proteção constitucional, conforme a sentença T-106 de 2025, referências que devem ser conferidas nas bases oficiais [CHECAR].

Segundo o Documento Técnico de Suporte citado pelo Ministério do Meio Ambiente, a Amazônia colombiana perdeu 788 mil hectares de floresta entre 2016 e 2023, volume equivalente a 60% do desmatamento registrado no país no período. O mesmo documento aponta perda adicional de 261 mil hectares entre 2022 e 2024. Os números são expressivos, mas as séries precisam ser comparadas com os relatórios anuais de monitoramento para evitar sobreposição de períodos [CHECAR].

Impactos para a Amazônia e para os mercados

Para os governos locais, a reserva pode reduzir a expectativa de arrecadação futura com royalties, impostos e compensações de mineração e petróleo. Para comunidades indígenas e organizações ambientais, pode representar uma barreira contra novas estradas e empreendimentos em áreas de alta vulnerabilidade. Para as empresas, o principal risco está na insegurança sobre pedidos em tramitação e sobre a interpretação dos direitos adquiridos.

O caso também interessa ao Brasil e aos demais países amazônicos. Estradas, garimpos, petróleo e mudanças no uso da terra não respeitam fronteiras administrativas. Uma redução da pressão extrativa na Amazônia colombiana pode contribuir para a conservação regional, mas seus efeitos dependerão do combate às atividades ilegais e da proteção efetiva dos territórios.

Os próximos passos devem incluir a publicação integral da resolução, a análise dos mapas oficiais, manifestações do novo governo e eventuais ações judiciais de empresas, municípios ou comunidades afetadas.

Perguntas frequentes

O que foi protegido pela decisão?

Uma área de aproximadamente 48,3 milhões de hectares do bioma amazônico colombiano foi declarada reserva de recursos naturais, com bloqueio a novas concessões de mineração e hidrocarbonetos.

A resolução cancela contratos existentes?

Não. Conforme o material, títulos minerários e contratos de petróleo e gás já vigentes permanecem válidos, enquanto pedidos futuros ficam impedidos dentro da área delimitada.

A medida cria um parque nacional?

Não. A reserva é uma figura jurídica diferente e tem como foco restringir novas atividades extrativas, sem substituir automaticamente as categorias tradicionais de áreas protegidas.

Com informações de Ministério do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Colômbia.

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