Criança de nove anos morre em Rondônia e análise confirma Naegleria fowleri em caso raro que chega ao cérebro pelo nariz

Criança de nove anos morre em Rondônia e análise confirma Naegleria fowleri em caso raro que chega ao cérebro pelo nariz
Ilustração: Revista Amazônia

Ameba de água doce e morna foi identificada após investigação em Machadinho D’Oeste; transmissão não ocorre pela ingestão de água nem entre pessoas.

Confirmação veio depois da morte da criança

Uma criança de nove anos, moradora de Machadinho D’Oeste, em Rondônia, morreu no dia 3 de abril após desenvolver uma infecção cerebral grave. O caso foi confirmado posteriormente como uma infecção por Naegleria fowleri, ameba microscópica de vida livre associada a águas doces e mornas. A confirmação laboratorial ocorreu em 10 de abril, sete dias depois da morte, durante a investigação conduzida pelas autoridades de saúde.

A criança estava internada no Hospital Regional de Cacoal, também em Rondônia. A investigação começou na Secretaria Municipal de Saúde de Machadinho D’Oeste, que encaminhou amostras ao Laboratório Central de Saúde Pública de Rondônia, o Lacen/RO. O material foi analisado e teve a confirmação final feita pelo Instituto Adolfo Lutz, em São Paulo. A existência da ameba no estado foi divulgada pela Agência Estadual de Vigilância em Saúde de Rondônia, a Agevisa, em 18 de maio de 2026.

O caminho da ameba até o cérebro passa pelo nariz

A Naegleria fowleri pode estar presente em ambientes de água doce e morna, como rios, lagos e açudes. A transmissão ocorre quando a água contaminada entra pelo nariz. A partir dali, a ameba pode alcançar o cérebro pelo nervo ligado ao olfato, desencadeando uma inflamação severa e destruindo tecidos cerebrais. Esse processo provoca uma doença chamada Meningoencefalite Amebiana Primária, conhecida pela sigla MAP.

O mecanismo também explica duas informações importantes para a prevenção. A infecção não acontece pela ingestão da água e não é transmitida pelo contato entre pessoas. O risco está relacionado à entrada de água contaminada pelas vias respiratórias, especialmente durante mergulhos ou atividades em rios, lagos e açudes. A Agevisa orienta evitar que esse tipo de água alcance o nariz e recomenda atenção também à água usada para higienizar essa região ou em objetos que possam entrar em contato com as vias respiratórias.

Sintomas podem evoluir rapidamente

Os primeiros sinais da infecção incluem dor de cabeça, febre, náuseas e vômitos. Como a doença pode avançar rapidamente, a orientação das autoridades é procurar atendimento médico o quanto antes diante de sintomas compatíveis, sobretudo após exposição à água doce e morna com entrada pelo nariz. A velocidade da evolução torna a avaliação clínica e a investigação laboratorial partes decisivas do atendimento.

A MAP é considerada uma infecção rara e grave. A presença possível da Naegleria fowleri em determinados ambientes não significa que toda pessoa exposta desenvolverá a doença. Mesmo em locais onde a ameba pode ser encontrada, o risco de infecção é considerado extremamente baixo. Essa distinção é importante porque evita transformar a confirmação de um caso em uma indicação de que rios, lagos ou açudes estejam automaticamente associados a contaminações generalizadas.

Prevenção depende de impedir a entrada de água no nariz

Durante mergulhos em água doce, a principal medida indicada pela Agevisa é evitar que a água entre pelo nariz. A recomendação se aplica a rios, lagos e açudes, ambientes nos quais a ameba pode estar presente quando as condições são favoráveis. Para higienizar o nariz, deve-se utilizar água tratada ou fervida. O mesmo cuidado vale para a água empregada em objetos que possam ter contato com as vias respiratórias.

O caso de Rondônia une uma morte registrada em 3 de abril, a confirmação laboratorial feita em 10 de abril e a divulgação oficial em 18 de maio de 2026. A sequência mostra como uma infecção rara pode exigir investigação que passa pelo serviço municipal, pelo laboratório estadual e por uma instituição de referência nacional. Para a população, a medida concreta permanece simples: impedir a entrada de água não tratada pelo nariz, sem associar a doença ao consumo de água ou ao contato com outras pessoas. Em situações de saúde, informação precisa também é uma forma de cuidado.

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