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Biodiversidade brasileira ganha rede para inovar em alimentos

Biodiversidade brasileira ganha rede para inovar em alimentos
Ilustração: IA

Instituto liderado pela USP conecta pesquisa, produtores e empresas para transformar espécies nativas em soluções para saúde e alimentação.

O Instituto Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação em Interseccionalidade entre Biodiversidade de Plantas, Produção Sustentável de Alimentos e Biotecnologia, o INCT FoRC, iniciou suas atividades em 3 de agosto de 2026, sob liderança da Universidade de São Paulo (USP), para investigar espécies nativas, desenvolver ingredientes e processos sustentáveis e aproximar a ciência de produtores, empresas e políticas públicas. Com apoio da FAPESP, do CNPq e da Capes, a rede reúne instituições brasileiras e parceiros internacionais com o objetivo de transformar a biodiversidade brasileira em inovação para a saúde e a alimentação.

Rede amplia trajetória do Centro de Pesquisa em Alimentos

A criação do instituto é resultado da experiência acumulada pelo Centro de Pesquisa em Alimentos (FoRC), criado em 2014 como um Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão financiado pela FAPESP. Posteriormente, o centro foi incorporado à estrutura permanente da USP e passou a integrar pesquisadores de diferentes unidades e campi da universidade.

Esse processo também foi fortalecido pelo Programa de Pós-Graduação em Sistemas Integrados em Alimentos, que reúne competências da Faculdade de Ciências Farmacêuticas, da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz e da Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos. A nova configuração amplia a articulação científica e incorpora pesquisadores de outras universidades, centros de pesquisa, empresas de base tecnológica, startups e instituições estrangeiras.

Segundo a FAPESP, o INCT FoRC pretende conectar todas as etapas da cadeia de inovação, desde a identificação de compostos bioativos em plantas nativas até estudos clínicos em seres humanos, transferência de tecnologia e avaliação dos impactos econômicos, sociais e ambientais das cadeias produtivas.

Da espécie vegetal ao produto

Uma das frentes da rede será a prospecção da biodiversidade vegetal brasileira. Os pesquisadores vão investigar substâncias presentes em espécies nativas e avaliar seus possíveis efeitos sobre a saúde humana. A pesquisa poderá contribuir para a criação de novos ingredientes, alimentos e soluções biotecnológicas, sempre dependendo da validação científica, regulatória e tecnológica de cada aplicação.

A coordenadora do instituto, Bernadette Franco, afirmou que a iniciativa consolida uma forma de trabalho baseada na integração entre áreas do conhecimento. “O INCT consolida um modelo de pesquisa que aprendemos a construir ao longo dos últimos anos. Hoje conseguimos reunir especialistas de diferentes áreas em torno de problemas comuns, conectando competências que antes trabalhavam separadamente”, disse.

De acordo com Bernadette, o projeto também deverá atuar junto aos produtores rurais para identificar gargalos, promover qualificação técnica e desenvolver soluções capazes de fortalecer cadeias associadas à biodiversidade brasileira. A proposta inclui compreender o percurso dos alimentos desde a origem vegetal até sua aplicação na saúde humana e na produção sustentável.

O vice-coordenador do INCT, Eduardo Purgatto, destacou que o conhecimento produzido precisa avançar além dos laboratórios. “Nossa proposta é conectar a descoberta de novos compostos bioativos ao desenvolvimento de processos tecnológicos, compreender as demandas das cadeias produtivas e gerar inovação que possa chegar efetivamente ao setor produtivo e à sociedade”, afirmou.

Três plataformas de pesquisa

O INCT FoRC foi estruturado em três grandes plataformas. A primeira é dedicada à prospecção da biodiversidade vegetal brasileira e à investigação dos efeitos de compostos bioativos sobre a saúde humana. A segunda concentra o desenvolvimento de processos biotecnológicos sustentáveis para a obtenção de ingredientes e produtos alimentícios.

Biodiversidade brasileira ganha rede para inovar em alimentos
Foto: agencia.fapesp.br

A terceira plataforma atua na interface entre ciência, produtores rurais e sociedade. Entre suas atribuições estão a avaliação de impactos socioeconômicos, a capacitação de trabalhadores e empreendedores e a formulação de soluções para fortalecer cadeias produtivas relacionadas às espécies nativas.

Entenda o caso

Institutos Nacionais de Ciência, Tecnologia e Inovação são redes de pesquisa formadas para integrar competências e enfrentar desafios estratégicos do país. No caso do INCT FoRC, a prioridade é usar conhecimento científico e biotecnologia para agregar valor à biodiversidade vegetal e ampliar a sustentabilidade da produção de alimentos.

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A estratégia tem relevância direta para a Amazônia, onde os estados do Acre, Amapá, Amazonas, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins concentram espécies, conhecimentos tradicionais e cadeias produtivas com potencial de gerar alimentos e ingredientes de maior valor agregado. A transformação desse potencial em inovação exige pesquisa, repartição de benefícios, conservação ambiental e participação das comunidades envolvidas.

Formação e transferência de conhecimento

Além de ampliar a produção científica, o instituto tem entre suas metas estimular a geração de inovação e propriedade intelectual, formar recursos humanos qualificados e desenvolver ações de educação voltadas à alimentação sustentável. A expectativa é que os resultados sejam compartilhados com produtores rurais, empresas e formuladores de políticas públicas.

Participam da rede a USP, a Universidade Federal de São Paulo, a Universidade Federal do Paraná, a Universidade Federal da Bahia, a Universidade Federal do Oeste da Bahia, a Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais, o Fundecitrus, empresas de base tecnológica, startups e parceiros internacionais.

A formação de uma rede nacional também pode favorecer a troca de dados e métodos entre diferentes biomas. Para a Amazônia, isso abre espaço para pesquisas sobre frutos, sementes, raízes e outras espécies nativas, desde que os estudos avancem com protocolos de segurança, conservação e uso sustentável dos recursos naturais.

Perguntas frequentes

O que é o INCT FoRC?

É um Instituto Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação liderado pela USP que pesquisa a biodiversidade vegetal, a produção sustentável de alimentos e aplicações biotecnológicas para a saúde e a alimentação.

Quem apoia a iniciativa?

O instituto tem apoio da FAPESP, foi selecionado em edital do programa INCT lançado pelo CNPq em 2025 e também conta com participação da Capes.

Como a rede pode beneficiar a Amazônia?

A rede pode apoiar pesquisas, capacitação e inovação em cadeias produtivas baseadas em espécies nativas amazônicas, combinando geração de renda, conservação ambiental e segurança alimentar.

Nos próximos anos, o instituto deverá avançar na pesquisa de espécies nativas, na formação de profissionais e na transferência de tecnologias para produtores, empresas e órgãos públicos.

Com informações de FAPESP.

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