
Na 3ª Conferência dos Oceanos da ONU, realizada em Nice, na França, a bióloga e doutora em Ciências Marinhas Janaína Bumbeer soou o alarme: “o oceano está doente”. Ela reforçou a importância de ações globais coordenadas para restaurar a saúde dos mares, destacando que os oceanos são parte fundamental da adaptação às mudanças climáticas e da resiliência das cidades costeiras.
A saúde do oceano em risco
Segundo ela, “a hora de agir é agora”. O compromisso com a preservação marinha não é mais opcional, mas uma necessidade urgente que exige envolvimento de governos, setor privado e da própria sociedade.
Corais como barreiras naturais contra desastres
Janaína destacou o papel vital dos recifes de coral na proteção das regiões costeiras. No Brasil, esses ecossistemas evitam aproximadamente R$ 160 bilhões em danos relacionados à erosão e inundações. Além do valor ambiental, os recifes têm forte impacto na economia, especialmente no turismo.
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Como o peixe matrinxã salta fora d’água na Amazônia para alcançar frutos e sementes nas árvores das florestas alagadasA especialista ressaltou que proteger e restaurar os corais é uma das formas mais eficazes de soluções baseadas na natureza. Esses projetos não apenas conservam a biodiversidade marinha, mas também são estratégicos para reduzir os impactos dos desastres naturais, cada vez mais frequentes e intensos.

Projetos que conectam ciência e prática
A Fundação Grupo Boticário, onde Janaína atua como gerente de projetos, já apoia mais de 300 iniciativas voltadas à proteção costeira e marinha em parceria com 170 instituições no Brasil. Entre os critérios de seleção estão inovação, viabilidade técnica e conexão com ciência e empreendedorismo.
O modelo busca não só impactar o ambiente, mas também estimular políticas públicas e parcerias duradouras. No Rio Grande do Sul, por exemplo, um aporte inicial de R$ 1,5 milhão resultou na mobilização de mais R$ 9 milhões em investimentos adicionais, com foco em soluções locais para adaptação climática.
COP30 no Brasil: oportunidade para liderar
Janaína apontou que a realização da COP30 no Brasil, prevista para 2025, será uma oportunidade única para o país se firmar como liderança em ações de adaptação climática e proteção marinha. Os prejuízos recentes com desastres naturais já ultrapassam R$ 47 bilhões por ano, um alerta que exige aumento dos investimentos em ações preventivas.
Para atingir a meta global definida na COP29, de US$ 1,3 trilhão por ano para ação climática, será fundamental envolver não só o poder público, mas também empresas e investidores privados. “A responsabilidade é coletiva”, reforça a especialista.
A urgência de combater a poluição plástica: enfatiza bióloga
Outro ponto crítico abordado por Janaína foi a poluição marinha por plásticos. O Brasil figura entre os 20 maiores poluidores do mundo, com cada cidadão gerando, em média, 16 kg de plástico por ano.
Ela ressaltou que, embora mudanças individuais sejam importantes, o enfrentamento do problema precisa de soluções em larga escala. A Fundação Boticário tem lançado editais específicos para apoiar projetos que unam ciência, inovação e práticas empreendedoras no combate ao lixo no mar.
Cultura oceânica e o papel da educação
Apesar da relevância dos oceanos para o equilíbrio climático e econômico, a maioria dos brasileiros ainda desconhece esse tema. Um levantamento da Fundação revelou que 86% da população nunca ouviu falar em “economia azul” ou “cultura oceânica”.
Diante disso, Janaína defende a necessidade de ampliar o conhecimento da sociedade sobre o papel dos oceanos. Fomentar essa consciência coletiva é essencial para construir um futuro em que o mar continue sendo fonte de vida, alimento, renda e equilíbrio ambiental.
Geração da mudança
A mensagem final da especialista é clara: “Somos a geração que ainda pode mudar o destino do oceano”. Ela apela para que a ação não seja adiada, destacando que a responsabilidade não pode ser transferida às futuras gerações. A preservação dos mares é hoje, mais do que nunca, uma missão de todos.
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