
“As árvores também falam.” A frase não significa que troncos e folhas produzam palavras. Ela descreve uma forma de comunicação baseada em substâncias químicas, sinais internos e relações estabelecidas com outros organismos.
Um dos exemplos mais conhecidos envolve acácias africanas atacadas por girafas. Quando as folhas começam a ser consumidas, as árvores ativam defesas e liberam um aviso no ar.
Como uma árvore avisa outra sobre o ataque?
A acácia atacada libera etileno, um composto gasoso capaz de se espalhar com o vento.
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A informação não descreve conscientemente uma girafa. Trata-se de uma resposta química desencadeada pela presença de compostos produzidos durante o ataque.
Peter Wohlleben relata esse mecanismo no livro A vida secreta das árvores, obra utilizada como fonte para este artigo.
O autor apresenta a situação como um exemplo de comunicação vegetal, na qual uma árvore afetada contribui para que outras se preparem antes da chegada do herbívoro.
Por que as girafas caminham cerca de 100 metros?
As girafas parecem responder ao sistema defensivo das acácias.
Em vez de passar diretamente para a árvore vizinha, podem caminhar cerca de 100 metros em busca de exemplares que ainda não tenham recebido o alerta químico.
Essa distância ajuda o animal a sair da área alcançada pela mensagem carregada pelo ar.
Outra estratégia é caminhar contra o vento. Como o etileno segue a corrente de ar, árvores localizadas na direção oposta podem permanecer sem aviso por mais tempo.
A girafa consegue, assim, encontrar folhas que ainda não aumentaram suas defesas.
Como a acácia torna suas folhas menos atraentes?
A árvore pode elevar a concentração de compostos que tornam as folhas amargas, desagradáveis ou prejudiciais quando consumidas em grande quantidade.
Essa defesa não impede qualquer mordida. A reação começa depois que o ataque foi detectado e precisa de tempo para se espalhar pelo organismo vegetal.
O objetivo biológico não é necessariamente expulsar para sempre todos os herbívoros. Uma planta precisa preservar folhas suficientes para continuar realizando fotossíntese, crescer e se reproduzir.
A produção de defesas também exige recursos. Manter a concentração máxima o tempo inteiro poderia ser energeticamente caro.
Por isso, respostas acionadas após um ataque podem ser mais eficientes.
Árvores realmente conversam?
A palavra “conversa” é uma metáfora. Árvores não constroem frases nem decidem conscientemente enviar uma informação.
No entanto, uma substância liberada por uma planta pode modificar o comportamento ou a fisiologia de outra.
Quando um sinal produzido durante o ataque faz árvores vizinhas ativarem defesas, existe transmissão de informação com consequência biológica.
A comunicação vegetal também pode envolver raízes, fungos, sinais elétricos e diferentes compostos liberados no ambiente.
O vento interfere na comunicação entre árvores?
Sim. Como o sinal químico se espalha pelo ar, direção e velocidade do vento influenciam quais árvores entram em contato com ele.
Uma planta localizada a favor do vento pode receber o alerta. Outra, situada a uma distância semelhante, mas em direção oposta, pode não detectar a substância.
Isso ajuda a explicar o comportamento das girafas que mudam de direção durante a alimentação.
O animal não precisa compreender a química envolvida. Indivíduos que evitam folhas mais defensivas e procuram árvores não alertadas conseguem se alimentar melhor.
O que esse exemplo ensina sobre as florestas?
As árvores não são elementos completamente isolados. O que acontece com uma planta pode modificar as condições enfrentadas por outras.
Um ataque localizado produz uma onda invisível de informação. Árvores ainda intactas começam a alterar suas folhas, enquanto as girafas mudam de direção para escapar da área avisada.
O episódio mostra uma rede de respostas entre plantas, animais e vento.
A frase “as árvores também falam” é impactante porque desafia a imagem de uma floresta silenciosa. Embora os seres humanos não escutem o alerta, ele pode viajar pelo ambiente e mudar o comportamento de tudo o que encontra pelo caminho.
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