×
Próxima ▸
Microplásticos em esgotos podem estar aumentando emissões de metano

Brasil vira referência global na conservação das florestas tropicais

Brasil vira referência global na conservação das florestas tropicais
Conservação de espécies vegetais

Em um momento em que a saúde das florestas tropicais ressoa como um dos maiores desafios ambientais e políticos da atualidade, a revista The Economist lançou um editorial que coloca o Brasil no protagonismo desse debate. A publicação afirma que o país, sob o comando do presidente Lula e amparado pela determinação da ministra Marina Silva, adotou um conjunto de medidas que poderiam servir de modelo global para conservar florestas e reconstruir a governança ambiental.

Durante os quatro anos de gestão de Jair Bolsonaro, o editorial lembra, pouco foi feito para conter o avanço das motosserras e do desmatamento ilegal. Em contraste, o governo que começou em 2023 estabeleceu uma nova lógica: agentes federais fortemente armados passaram a reprimir madeireiros ilegais, garimpos clandestinos foram destruídos, e propriedades que registravam desmatamento ilegal foram barradas de receber crédito subsidiado. Essa combinação de “carrot and stick” — oferta de incentivos e aplicação de punições — foi classificada como decisiva no processo de reversão de tendências.

Segundo os dados mencionados, o ritmo de desmatamento caiu cerca de 80% durante o primeiro mandado de Lula (2003-2011) e voltou a recuar após seu retorno em 2023. O editorial da The Economist destaca que isso não é apenas resultado de sorte ou de circunstâncias externas, mas de políticas deliberadas de Estado.

Uma das peças centrais da estratégia brasileira, segundo o texto, é a regularização fundiária: identificar quem é dono da terra. Quando se sabe quem possui o imóvel, argumenta a revista, também se sabe a quem aplicar sanções ou fazer pagamento por conservar. “Quando se sabe quem é o dono da terra, sabe-se também a quem punir por destruí-la ou recompensar por preservá-la”, afirma o editorial.

Além disso, a The Economist vai além do Brasil e conclui que esse modelo deveria ser replicado em outros países que abrigam florestas tropicais. A tese é que as florestas são um bem público global — todos dependem delas — e, por isso, os países ricos deveriam financiar sua conservação. Porém, o artigo também salienta que “falar é mais fácil do que fazer”: os mercados de crédito de carbono ainda enfrentam problemas e os governos do Norte aparecem como reticentes em cumprir sua parte.

Reprodução
Reprodução

SAIBA MAIS: Banco Mundial assume administração do Fundo Florestas Tropicais para Sempre

A construção da narrativa brasileira, tal como apresentada pela revista, sugere que há um elo entre conservação da floresta e desenvolvimento agrícola. Afinal, segundo o editorial, o governo entende que destruir a Amazônia equivale a arruinar a própria agricultura brasileira. Com isso, a proteção ambiental não é vista como obstáculo, mas como condição de sustentabilidade econômica e social.

Mas o texto não se limita à exaltação. Ele também funciona como um alerta: se o Brasil conseguiu avançar, o mundo precisa acompanhar. Sem mecanismos internacionais robustos de financiamiento, sem transparência, sem responsabilização dos proprietários e sem tecnologia para monitorar rapidamente as infrações, os esforços poderão ser vãos. O uso de imagens de satélite, por exemplo, permite detectar invasões em poucos dias — recurso esse que a revista considera essencial para que as políticas sejam eficazes.

Em síntese, o editorial da The Economist pinta o Brasil como um laboratório de práticas ambientais que devem inspirar países da África, Ásia e América Latina com florestas tropicais. Mas também deixa claro que nenhum país — nem o Brasil — opera isoladamente: há uma interdependência global que exige financiamento, governança eficaz e compromisso coletivo. A lição maior talvez seja essa: proteger florestas é uma tarefa doméstica com impacto global, e precisa de ação local combinada com cooperação internacional.

Gostou desta reportagem?
Siga a Revista Amazônia no Google News

⭐ SEGUIR AGORA