
Estudo na Science Advances analisou pela primeira vez, individualmente, os pigmentos visuais do crustáceo e achou peças que parecem funcionar como interruptores de luz.
Seus olhos usam três tipos de pigmentos para enxergar as cores do mundo. O camarão-louva-a-deus usa cerca de 30. Para entender o que cada um faz, pesquisadores fizeram algo inédito: analisaram esses pigmentos individualmente, e descobriram que alguns deles parecem funcionar como interruptores de luz que ligam e desligam de forma reversível.
O trabalho foi publicado na revista Science Advances e noticiado pelo portal Phys.org. Os próprios autores e os resumos da pesquisa destacam que a evidência é preliminar e baseada em análise de laboratório.
Trinta peças para um quebra-cabeça de cores
Pigmentos visuais são moléculas presentes nas células dos olhos que reagem à luz. É a reação delas que o cérebro transforma em imagem. Nos humanos, três tipos bastam para a nossa percepção de cores.
O camarão-louva-a-deus, crustáceo marinho conhecido pela visão peculiar, tem cerca de 30. Por muito tempo, a pergunta que ficou no ar foi: para que tantos? Examiná-los um a um é uma forma de tentar responder.
O que parece um interruptor
Segundo a análise, alguns desses pigmentos, entre eles os sensíveis ao vermelho, parecem detectar mudanças na luz e podem funcionar como interruptores reversíveis. Na prática, isso significa que a molécula muda de estado quando recebe luz e pode voltar ao estado anterior, em vez de ser usada uma única vez.
Esse comportamento ajuda a pensar como um olho tão complexo pode processar informação visual. Ainda assim, os resultados vêm de testes em laboratório e não provam, por si sós, como o animal usa esses pigmentos na natureza.
Por que isso importa
Conhecer como sistemas visuais complexos se organizam pode melhorar a compreensão da visão em geral. Estudos com animais de olhos incomuns costumam servir de base para ideias em biologia e em tecnologias inspiradas na natureza, mas, neste caso, qualquer aplicação ainda é uma possibilidade distante, e o estudo não faz essa promessa.
E a Amazônia com isso?
A pesquisa não envolve espécies amazônicas. Mas o litoral amazônico, do Amapá ao Maranhão, abriga uma fauna marinha e estuarina rica em crustáceos, e a região é um laboratório natural para quem estuda como animais enxergam em águas turvas, ricas em sedimentos, como as da foz do Amazonas. Estudos de visão como este lembram como ainda sabemos pouco sobre os sentidos de muitos desses bichos.
Segundo a Science Advances, o estudo analisou individualmente, pela primeira vez, os pigmentos visuais do camarão-louva-a-deus, que tem cerca de 30 deles, contra três nos seres humanos.
Os próximos passos devem incluir testes que verifiquem se esse comportamento de interruptor se confirma em condições mais próximas da vida real do animal e qual o papel de cada pigmento na visão.
Com informações de Science Advances e Phys.org.
O estudo original, intitulado Red-sensitive pigments in mantis shrimp eyes act as reversible light switches, pode ser lido na cobertura do Phys.org.
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