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Desmatamento no Brasil cai 20,6% e fica abaixo de 1 milhão de ha

Desmatamento no Brasil cai 20,6% e fica abaixo de 1 milhão de ha
Ilustração: IA

Dados de 2025 do MapBiomas Alerta mostram redução significativa, mas Cerrado lidera perdas e agropecuária segue como principal motor.

Em um marco histórico para o monitoramento ambiental brasileiro, o Relatório Anual do Desmatamento (RAD2025) do MapBiomas Alerta revelou que, pela primeira vez desde 2019, a área total de vegetação nativa desmatada no Brasil ficou abaixo de 1 milhão de hectares em um único ano. O relatório, divulgado em 27 de maio de 2026, aponta que foram desmatados 984.794 hectares em 2025, representando uma redução de 20,6% em comparação com 2024.

Essa queda foi observada em todos os biomas brasileiros, o que é um indicador positivo para a preservação ambiental. Nos últimos sete anos, o Brasil perdeu um total de 10.913.064 hectares de vegetação nativa, uma área superior ao estado de Pernambuco, conforme os dados acumulados desde 2019.

Impacto diário: mais de 2.600 hectares desmatados

Apesar da redução anual, o ritmo de desmatamento em 2025 ainda é alarmante. A média diária foi de 2.698 hectares, o equivalente a 112 hectares por hora. Isso significa que, a cada dia, o Brasil perde uma área comparável a 17 Parques do Ibirapuera, um dos maiores parques urbanos do país.

No Cerrado, a perda diária de vegetação nativa atingiu 1.482 hectares. Na Amazônia, o desmatamento foi de 792 hectares por dia, o que se traduz em aproximadamente cinco árvores perdidas por segundo.

Cerrado e Amazônia: biomas mais atingidos

Amazônia e Cerrado, juntos, concentraram mais de 84% de toda a área desmatada no Brasil em 2025. O Cerrado, mesmo com uma queda de 16,9% em relação a 2024, continua sendo o bioma com a maior área desmatada, totalizando 540.614 hectares e respondendo por 54,9% do desmatamento nacional.

A Amazônia registrou 289.478 hectares desmatados, uma redução de 23,5% frente ao ano anterior. O Pantanal se destacou pela maior redução proporcional entre todos os biomas, com uma queda de 48,4% na área desmatada em 2025, totalizando 12.260 hectares perdidos.

Formações savânicas e florestais sob pressão

Pelo terceiro ano consecutivo, as formações savânicas foram as mais afetadas pelo desmatamento, representando 51,4% da área total suprimida. As formações florestais vêm em seguida, com 46,3%.

Na Amazônia e na Mata Atlântica, o desmatamento predominantemente ocorreu em formações florestais. Já nos biomas Cerrado, Caatinga e Pantanal, a supressão das formações savânicas foi a mais expressiva.

Concentração regional e o vetor agropecuário

Os estados do MATOPIBA (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia), juntamente com Mato Grosso, concentraram mais de 63% da área total desmatada no Brasil em 2025. Especificamente, a Amazônia, por seu caráter regional, concentra grande parte do desmatamento, notadamente no Pará.

Embora o Pará seja o estado com maior área desmatada no acumulado entre 2019 e 2025, ultrapassando 2 milhões de hectares, em 2025 ele registrou uma expressiva queda de 40% em relação ao ano anterior. Maranhão, Pará e Tocantins tiveram reduções absolutas superiores a 50 mil hectares. Sergipe e Alagoas também se destacaram com reduções acima de 60%.

Entenda o caso: a expansão agropecuária

A expansão agropecuária permanece como o principal vetor da perda de vegetação nativa no Brasil. Nos últimos sete anos, ela foi responsável por mais de 97% de todo o desmatamento. Em 2025, esse percentual atingiu 99% da vegetação nativa perdida. Outros vetores incluem o garimpo, quase que inteiramente concentrado na Amazônia (99% em 2025, principalmente no Pará), e empreendimentos de energia renovável, 97% concentrados na Caatinga. O desmatamento associado à expansão urbana, embora menor em volume, teve um aumento de 7% em 2024 e concentrou-se no Cerrado e na Amazônia.

Municípios e áreas protegidas

Mais da metade dos municípios brasileiros (2.932 de 5.572) registraram eventos de desmatamento em 2025. Canto do Buriti, no Piauí, lidera o ranking com 20.877 hectares desmatados, incluindo o maior evento de desmatamento isolado do ano, com 20.834 hectares. A média diária de desmatamento neste município foi de 57,2 hectares, o equivalente a cerca de 80 campos de futebol por dia. Oito dos dez municípios com maior desmatamento estão na região do MATOPIBA, que concentrou 40% da perda de vegetação nativa do país e 70% do desmatamento no Cerrado.

Dentro das Unidades de Conservação (UCs), houve uma redução de 21,4% no desmatamento em 2025, totalizando 46.257 hectares. As UCs de Proteção Integral registraram uma queda ainda mais acentuada, de 55,8%. Embora o Cerrado responda por 43,5% do desmatamento em UCs (sendo 97% em APAs), a APA do Rio Preto (BA) aumentou seu desmatamento em 44% em 2024, para 7.701 hectares, tornando-se a UC mais impactada.

Em Terras Indígenas (TIs), a perda foi de 12.593 hectares, uma redução de 22% em relação a 2024. A Terra Indígena Porquinhos dos Canela-Apãnjekra, no Maranhão, apesar de uma queda de 34% no desmatamento, permaneceu no topo do ranking pelo terceiro ano consecutivo. Em 2025, 30% das TIs registraram ao menos um evento de desmatamento. Entre 2019 e 2025, 1,7% (184.622 hectares) do total de terras desmatadas no Brasil estavam em Terras Indígenas. Os dados do RAD2025 continuam a ser um instrumento vital para a formulação de políticas públicas e para o acompanhamento da conservação ambiental no país, indicando onde os esforços devem ser intensificados nos próximos anos.

Perguntas Frequentes

P: Qual foi o principal achado do relatório MapBiomas Alerta 2025?
R: O principal achado é que o desmatamento no Brasil ficou abaixo de 1 milhão de hectares em um único ano pela primeira vez desde 2019, registrando 984.794 hectares desmatados, uma queda de 20,6% em relação a 2024.

P: Qual bioma teve a maior área desmatada em 2025?
R: O Cerrado foi o bioma com a maior área desmatada em 2025, com 540.614 hectares, concentrando 54,9% do desmatamento total do país.

P: Qual é o principal vetor de pressão para o desmatamento no Brasil?
R: A expansão agropecuária é o principal vetor de pressão, sendo responsável por cerca de 99% da perda de vegetação nativa em 2025, de acordo com o MapBiomas.

Com informações de MapBiomas.

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