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Dia Internacional dos Trópicos celebra 40% da biodiversidade mundial

Dia Internacional dos Trópicos celebra 40% da biodiversidade mundial

Data instituída pela ONU destaca desafios climáticos e oportunidades de desenvolvimento sustentável na região tropical.

O Dia Internacional dos Trópicos, celebrado em 29 de junho, reconhece a extraordinária diversidade de uma região que ocupa 40% da superfície terrestre e abriga aproximadamente 80% da biodiversidade mundial. A data foi instituída pela Assembleia Geral das Nações Unidas em 2016, por meio da resolução A/RES/70/267, para destacar os desafios únicos e as oportunidades que as nações tropicais enfrentam na busca pelo desenvolvimento sustentável.

A região tropical, definida geograficamente como a área entre o Trópico de Câncer e o Trópico de Capricórnio, caracteriza-se por temperaturas consistentemente elevadas e baixa variação sazonal. Sua biodiversidade excepcional contrasta com desafios crescentes relacionados às mudanças climáticas, desmatamento, urbanização acelerada e transformações demográficas profundas.

Amazônia no centro da agenda tropical

A Amazônia brasileira representa a maior extensão contínua de floresta tropical do planeta e constitui peça fundamental no equilíbrio climático global. Segundo dados da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), quase metade das florestas mundiais está localizada nos trópicos, tornando a preservação da Amazônia estratégica não apenas para o Brasil, mas para todo o sistema climático terrestre.

Os nove estados da Amazônia Legal brasileira (Acre, Amapá, Amazonas, Pará, Rondônia, Roraima, Tocantins, Mato Grosso e parte do Maranhão) concentram desafios e potencialidades que espelham a realidade tropical em escala global: vastos recursos hídricos, biodiversidade incomparável e populações vulneráveis à pressão climática e econômica.

Recursos hídricos abundantes, população vulnerável

Embora os trópicos concentrem 54% dos recursos hídricos renováveis do mundo, quase metade de sua população é considerada vulnerável ao estresse hídrico. Esse paradoxo reflete desigualdades no acesso à água potável, infraestrutura inadequada e gestão deficiente dos recursos naturais, problemas especialmente evidentes em áreas periféricas das cidades amazônicas.

Na região Norte do Brasil, comunidades ribeirinhas e populações urbanas periféricas enfrentam simultaneamente a abundância de água e a dificuldade de acesso a serviços básicos de saneamento, ilustrando o descompasso entre disponibilidade natural e desenvolvimento de infraestrutura.

Entenda a origem da data

O Dia Internacional dos Trópicos foi estabelecido para marcar o lançamento, em 29 de junho de 2014, do primeiro relatório State of the Tropics (Estado dos Trópicos), produzido por doze instituições de pesquisa lideradas pela Universidade James Cook, da Austrália. O documento ofereceu a primeira avaliação abrangente das condições ambientais, sociais e econômicas da região tropical, tornando-se referência para políticas públicas e estudos acadêmicos.

Projeções demográficas e desafios urbanos

Até 2050, a região tropical abrigará a maior parte da população mundial e dois terços das crianças do planeta. Esse crescimento demográfico acelerado intensifica a pressão sobre ecossistemas já fragilizados e exige planejamento urbano robusto para evitar a expansão desordenada de assentamentos precários.

Atualmente, a proporção de população urbana vivendo em condições de favela é maior nos trópicos do que no restante do mundo. Níveis mais elevados de pobreza resultam em taxas de subnutrição superiores às observadas em outras regiões, criando um ciclo de vulnerabilidade que demanda atenção prioritária dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).

Biodiversidade em risco

Apesar de concentrar a maior biodiversidade do planeta, a região tropical também registra as maiores taxas de perda de espécies e degradação de habitats. O desmatamento para expansão agropecuária, a exploração madeireira ilegal e a urbanização não planejada ameaçam ecossistemas que levaram milhões de anos para se formar.

Na Amazônia, a perda de biodiversidade não representa apenas extinção de espécies, mas também diminuição da resiliência dos ecossistemas frente às mudanças climáticas, comprometendo serviços ambientais essenciais como regulação de chuvas, captura de carbono e manutenção de ciclos hidrológicos.

Eventos climáticos extremos ameaçam comunidades

Regiões tropicais são altamente vulneráveis a eventos climáticos extremos, incluindo ciclones tropicais, secas prolongadas e inundações repentinas. O fenômeno El Niño, originado no Pacífico equatorial, perturba padrões de precipitação e temperatura, provocando secas severas em algumas áreas e chuvas torrenciais em outras.

Na Amazônia, períodos de seca intensa têm se tornado mais frequentes e prolongados, afetando comunidades ribeirinhas que dependem dos rios para transporte, pesca e abastecimento. Essas populações, muitas vezes isoladas geograficamente, enfrentam dificuldades crescentes para acessar serviços básicos durante eventos climáticos extremos.

Relatórios anuais monitoram progresso

Desde 2014, relatórios periódicos do State of the Tropics têm documentado o progresso e os retrocessos da região em múltiplos indicadores de desenvolvimento. Em 2022, um relatório especial analisou os impactos da pandemia de COVID-19 nas comunidades tropicais, que representam a vasta maioria dos extremamente pobres no mundo. O documento revelou que a crise sanitária adicionou nova camada de vulnerabilidade a populações já fragilizadas.

Instituições como a FAO mantêm a Plataforma de Agricultura Tropical (TAP) para promover inovação agrícola sustentável e compartilhar boas práticas entre países da região. A Organização Mundial da Saúde (OMS) desenvolve planos específicos para eliminar doenças tropicais negligenciadas até 2030, condições que afetam desproporcionalmente mulheres e crianças em comunidades empobrecidas.

Próximos passos e agenda futura

A celebração anual do Dia Internacional dos Trópicos oferece oportunidade para avaliar avanços, compartilhar experiências e reconhecer o potencial da região. Eventos promovidos pela ONU e instituições parceiras destacam a necessidade de atenção coordenada em múltiplos indicadores de desenvolvimento, desde acesso à água potável até preservação de florestas e combate às desigualdades sociais.

Para a Amazônia e demais regiões tropicais brasileiras, o desafio central permanece: conciliar desenvolvimento econômico com preservação ambiental, garantindo que as gerações futuras herdem ecossistemas saudáveis e comunidades prósperas. O alcance dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável depende, em grande medida, do sucesso das políticas implementadas nos trópicos.

Perguntas frequentes

Por que o Dia Internacional dos Trópicos é celebrado em 29 de junho?
A data marca o lançamento, em 29 de junho de 2014, do primeiro relatório State of the Tropics, produzido por doze instituições de pesquisa tropical. A ONU oficializou a data em 2016.

Qual a área geográfica da região tropical?
A região tropical ocupa aproximadamente 40% da superfície terrestre, estendendo-se entre o Trópico de Câncer (ao norte) e o Trópico de Capricórnio (ao sul), incluindo toda a Amazônia brasileira.

Quais os principais desafios enfrentados pelos países tropicais?
Mudanças climáticas, desmatamento, urbanização acelerada, pobreza, subnutrição, doenças tropicais negligenciadas e vulnerabilidade a eventos climáticos extremos estão entre os principais desafios identificados pela ONU.

Com informações das Nações Unidas.

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