Operários abriam terreno para uma ferrovia no Maranhão e acharam ossos gigantes: eram de uma espécie nova de dinossauro de 20 metros, parente de um gigante da Espanha

Operários abriam terreno para uma ferrovia no Maranhão e acharam ossos gigantes: eram de um dinossauro de até 23 metros, o maior já encontrado no estado
Reconstrução do Amazonsaurus, outro saurópode do Cretáceo Inferior do Maranhão. Ilustração: Levi Martinez-Reza, via Wikimedia Commons, licença CC BY-SA 3.0.

Em abril de 2021, durante a terraplenagem para um terminal ferroviário em Davinópolis, no sudoeste do Maranhão, ossos fossilizados apareceram no meio da terra revirada. O achado foi feito pelo arqueólogo Daniel Ribeiro da Silva, que acompanhava a obra. Cinco anos depois, os ossos ganharam nome: pertencem a uma espécie nova de dinossauro, o Dasosaurus tocantinensis, o maior já conhecido no Maranhão.

A descrição foi publicada no Journal of Systematic Palaeontology por uma equipe liderada pelo paleontólogo Elver Luiz Mayer, da Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (Unifesspa).

Um gigante de 20 metros

O Dasosaurus era um saurópode, do grupo dos dinossauros herbívoros gigantes de pescoço e cauda longos e cabeça pequena. O material reunido inclui falanges, costelas, ossos do braço e da perna, bacia e pelo menos dez vértebras da cauda. A peça-chave para estimar o tamanho foi um fêmur de cerca de 1,5 metro. Com base nele, os pesquisadores calculam que o animal tinha aproximadamente 20 metros de comprimento.

O nome junta o grego dasos, floresta, em referência à Amazônia Legal, e tocantinensis, homenagem à região do rio Tocantins, que passa perto do local da descoberta.

Parente de um dinossauro da Espanha

A parte mais surpreendente do estudo é o parentesco. Segundo a análise, o parente mais próximo conhecido do Dasosaurus é o Garumbatitan morellensis, um saurópode encontrado na Espanha. Para os pesquisadores, os ancestrais do dinossauro maranhense provavelmente saíram da Europa, passaram pela África e chegaram à América do Sul entre 140 e 120 milhões de anos atrás, quando os continentes ainda estavam muito mais próximos e havia conexões de terra entre eles.

Isso não significa que o animal tenha vindo da Espanha, como algumas leituras apressadas sugeriram. O estudo indica apenas que a linhagem dele tem origem ligada a dinossauros europeus.

Uma janela para o Cretáceo Inferior

Os ossos estavam em rochas da Formação Itapecuru, com idade em torno de 120 milhões de anos, no Cretáceo Inferior. A maior parte dos fósseis de dinossauros do Brasil vem do Cretáceo Superior, um período mais recente, o que torna o Dasosaurus uma peça rara para entender a fauna que vivia no território brasileiro antes dos dinossauros mais conhecidos do país.

A mesma formação já tinha revelado outro saurópode, o Amazonsaurus, descrito no início dos anos 2000 a partir de ossos achados na região do rio Itapecuru. O Dasosaurus é bem maior.

Do canteiro de obras ao laboratório

Depois da coleta, o material foi levado ao Pará, onde estudantes de Ciências Biológicas fizeram o trabalho de preparação: retirada da rocha grudada aos ossos, catalogação e restauração de fragmentos, um verdadeiro quebra-cabeça. O estudo usou medições detalhadas, modelos virtuais em três dimensões e comparações com saurópodes do Brasil e de outros continentes, com participação de pesquisadores da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), da Unesp e da USP.

Por que obras revelam fósseis

Muitos achados paleontológicos do Brasil surgem em obras: estradas, ferrovias, barragens e loteamentos expõem camadas de rocha que estavam enterradas. A legislação brasileira considera fósseis patrimônio da União. Quando aparecem durante uma obra, o trabalho deve parar no local e especialistas precisam ser chamados, como aconteceu em Davinópolis.

Perguntas frequentes

Qual o maior dinossauro do Maranhão?

O Dasosaurus tocantinensis, saurópode de cerca de 20 metros encontrado em Davinópolis.

De quando é o Dasosaurus?

Viveu há cerca de 120 milhões de anos, no Cretáceo Inferior.

O que fazer ao encontrar um fóssil?

Não retirar nem quebrar o material, registrar o local e avisar uma universidade, um museu ou a Agência Nacional de Mineração.

Com informações da Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (Unifesspa) e do estudo publicado no Journal of Systematic Palaeontology.

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