
Edital em fluxo contínuo permite projetos de pesquisa em campo e laboratório, com avaliação das propostas em até 60 dias.
Empresas e startups que precisam testar cultivares, tecnologias ou processos agrícolas em condições reais passaram a contar com uma nova estrutura na Unicamp. Desde 21 de setembro de 2026, o Parque Científico e Tecnológico da universidade disponibiliza 7,7 hectares de campo experimental do Centro Pluridisciplinar de Pesquisas Químicas, Biológicas e Agrícolas, o CPQBA, além de áreas de laboratório e apoio administrativo.
A oportunidade vale também para instituições públicas e outras organizações interessadas em desenvolver pesquisa e inovação. A entrada ocorre por meio de edital específico, em fluxo contínuo. Isso significa que não existe uma data única de encerramento: as propostas podem ser enviadas a qualquer momento e serão analisadas por uma comissão, que tem até 60 dias para responder.
Como funciona a ocupação da área agrícola
A estrutura foi criada para projetos que necessitam sair do ambiente controlado do laboratório e observar o comportamento de uma solução diretamente no campo. A área pode ser ocupada por hectare, de acordo com a dimensão e as necessidades técnicas de cada proposta.
O espaço conta com calçamento e sistema de irrigação. A ocupação do campo deve ser acompanhada por uma estrutura de suporte, que pode ser uma sala administrativa fechada ou uma área de laboratório. Dessa forma, a proposta combina a realização dos experimentos agrícolas com um local para organizar, acompanhar e analisar as atividades.
O contrato inicial terá duração definida conforme as características de cada projeto. Ele poderá ser prorrogado por até 60 meses. Considerando as extensões previstas, o período total de permanência pode chegar a 120 meses, ou dez anos.
Quem pode apresentar uma proposta
O edital é voltado a empresas, startups, instituições públicas e organizações que tenham interesse em desenvolver pesquisa e inovação no campo agrícola. A avaliação não se limita à ideia do experimento. A comissão também considera a capacidade de execução e a compatibilidade do projeto com os objetivos do Parque Científico e Tecnológico da Unicamp.
- viabilidade técnica do projeto;
- viabilidade econômica;
- potencial de inovação;
- capacidade financeira do proponente;
- alinhamento com a sustentabilidade ambiental.
As propostas e as orientações para participação estão disponíveis na página Traga sua empresa, do Parque Científico e Tecnológico da Unicamp.
Regra ambiental muda o tipo de experimento permitido
Um dos pontos mais importantes do edital é a proibição do uso de defensivos agrícolas sintéticos nos projetos realizados no campo experimental. A exigência direciona a estrutura para pesquisas alinhadas a práticas de agricultura sustentável e reduz o espaço para experimentos que dependam de produtos químicos sintéticos.
Na prática, a regra pode interessar a iniciativas voltadas a bioinsumos, manejo alternativo, novas cultivares, processos de produção e tecnologias que busquem reduzir impactos ambientais. O edital, porém, não transforma toda pesquisa agrícola em um projeto automaticamente sustentável. O compromisso ambiental precisa estar demonstrado na proposta e será considerado durante a avaliação.

Segundo o Parque Científico e Tecnológico da Unicamp, o campo experimental do CPQBA disponibiliza 7,7 hectares para pesquisa e inovação agrícola em Campinas, São Paulo, a partir de 21 de setembro de 2026.
Uma nova frente para o ecossistema da Unicamp
A parceria amplia o perfil de atuação do Parque, que historicamente reúne empresas ligadas à tecnologia, à inovação industrial e ao ambiente digital. Com a integração do CPQBA, o agronegócio passa a ter uma área estruturada para testar soluções, aproximando pesquisadores universitários de empresas que buscam validar produtos e processos.
Mariana Zanatta Inglez, coordenadora de ambientes de inovação e empreendedorismo da Agência de Inovação da Unicamp, afirma que a iniciativa diversifica as áreas disponíveis para as empresas. “O Parque Científico e Tecnológico da Unicamp sempre teve forte vocação para apoiar empresas de tecnologia e inovação industrial. Agora, com a integração de áreas do CPQBA, ampliamos esse horizonte para o setor agrícola, que é estratégico para o Brasil”, disse.
O CPQBA desenvolve pesquisas em agricultura, biotecnologia e química aplicada. Para o coordenador do Centro, Adilson Sartoratto, a abertura da infraestrutura pode aumentar a transferência de tecnologia e a criação de soluções voltadas ao mercado. “Colocar estrutura do campo experimental à disposição de empresas parceiras, dentro do Parque da Unicamp, amplia o impacto do trabalho que já realizamos e abre novas oportunidades para a transferência de tecnologia e a geração de soluções inovadoras para o mercado”, afirmou.
O que isso pode representar para o Pará
O campo experimental fica em Campinas e não representa a abertura de uma unidade da Unicamp no Pará. Ainda assim, a modalidade pode ser relevante para empresas paraenses que desenvolvem soluções para agricultura, biotecnologia ou produção sustentável e buscam testar suas tecnologias em uma estrutura de pesquisa vinculada a uma universidade.
Para o setor produtivo da Grande Belém e de outras regiões paraenses, o principal ponto de atenção é a possibilidade de apresentar projetos de inovação agrícola mesmo quando a validação técnica precisa ocorrer fora do estado. A participação dependerá da adequação da proposta, da capacidade financeira do interessado e das condições previstas no edital. O material não estabelece uma restrição territorial para os proponentes.
O modelo também oferece uma referência para o debate sobre pesquisa aplicada no Pará: além de financiar ideias, é necessário garantir área, irrigação, laboratório, acompanhamento técnico e tempo suficiente para observar resultados. Em culturas agrícolas, testes de campo podem exigir mais de um ciclo de produção antes de uma conclusão segura.
Como enviar uma proposta
O processo não funciona como uma inscrição com período fixo. O interessado deve consultar as regras do edital, preparar o projeto e submetê-lo pela página do Parque Científico e Tecnológico da Unicamp. Depois do envio, a proposta será avaliada pela comissão responsável dentro do prazo de até 60 dias.
- consulte o edital e verifique se o projeto atende às regras ambientais;
- defina a área de campo necessária e a estrutura de apoio pretendida;
- apresente as informações técnicas e econômicas exigidas;
- aguarde a análise da comissão responsável.
A iniciativa foi divulgada pelo Parque Científico e Tecnológico da Unicamp em 21 de setembro de 2026. Os próximos passos dependem da submissão e da avaliação individual de cada proposta.
Com informações de Inova Unicamp.
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