El Niño com anomalia de +2,5 ºC no Pacífico agrava a seca em cinco estados da Amazônia e leva até 500 mm de chuva ao Sul

El Niño com anomalia de +2,5 ºC no Pacífico agrava a seca em cinco estados da Amazônia e leva até 500 mm de chuva ao Sul
Foto: 190543825]Na Região Norte, o El Niño atua de forma oposta, r

Mesmo fenômeno que castiga rios do Norte ameaça inundar bacias do Sul; na Amazônia, o déficit de chuva atinge o Leste do Amazonas, Roraima, Pará, Acre e Rondônia.

Rios em níveis criticamente baixos, navegação prejudicada e comunidades com o abastecimento ameaçado. Esse é o retrato que o El Niño deve intensificar no Leste do Amazonas, em Roraima, no Pará, no Acre e em Rondônia nas próximas semanas, enquanto o Sul do país se prepara para o extremo oposto: chuva em excesso.

Segundo reportagem do portal iG publicada em 29 de outubro de 2026, o aquecimento do Pacífico atingiu um pico histórico e coloca o Brasil diante de dois cenários climáticos simultâneos.

Por que o Pacífico muda o tempo na Amazônia

O El Niño é o aquecimento anormal das águas do Pacífico Equatorial. Ele altera a circulação da atmosfera e muda o regime de chuvas em vários continentes.

Na Região Norte do Brasil, o efeito é de redução das chuvas e de temperaturas acima da média. O calor acelera a evaporação da água e agrava a seca.

Para o morador ribeirinho, isso significa menos água nos rios, barcos encalhados e dificuldade para receber alimentos, combustível e remédios. A navegação é, em muitos municípios, o único meio de acesso.

Os números que medem a força do fenômeno

Para medir a intensidade, a agência americana NOAA passou a usar o Índice Oceânico Niño Relativo, o RONI. Ele compensa o aquecimento geral dos oceanos tropicais, que distorce a comparação com décadas anteriores.

O índice aponta uma anomalia de +2,5 ºC, sinal de um El Niño mais forte. Na Região Niño 1+2, junto às costas do Peru e do Equador, o desvio chega a +5,2 ºC.

Isso caracteriza um El Niño Costeiro de força histórica para esta época do ano.

Cinco estados sob déficit de chuva

O Leste do Amazonas, Roraima, Pará, Acre e Rondônia sofrem com forte déficit de chuva e rios em níveis criticamente baixos. A estiagem já era severa e tende a se agravar.

A região não é homogênea. O Oeste do Amazonas e o Amapá apresentam comportamento diferente, com aumento gradual da chuva ao longo das próximas semanas.

Para o leitor amazônida, vale acompanhar os boletins de nível dos rios e os avisos da Defesa Civil estadual, já que a situação varia de uma sub-região para outra.

No Sul, o problema é o excesso

Nesta primavera, o Oeste do Paraná, o Oeste de Santa Catarina e o Noroeste do Rio Grande do Sul devem receber entre 300 mm e 500 mm de chuva nos próximos 30 a 45 dias.

O volume agrava o risco de cheias e inundações em grandes rios, como o Uruguai, o Paraná e o Iguaçu. Os três estados do Sul enfrentam o cenário mais crítico, sobretudo no Norte e Noroeste gaúcho e na faixa oeste catarinense e paranaense.

Em Mato Grosso do Sul e em São Paulo, a tendência é de precipitação consideravelmente acima da média climatológica.

Onde as previsões divergem

Em Minas Gerais, a avaliação meteorológica indica que deve chover mais do que o projetado pelos modelos europeus. Em Mato Grosso, o indicativo de excesso de chuva é considerado duvidoso.

Essas diferenças mostram que a previsão sazonal tem margem de incerteza. Ela orienta o planejamento, mas não substitui os alertas de curto prazo.

O que observar nas próximas semanas

O comportamento dos rios amazônicos e dos grandes rios do Sul deve ser o principal termômetro do impacto do fenômeno. Os próximos boletins meteorológicos dirão se o déficit de chuva no Norte se aprofunda e se os acumulados no Sul se confirmam dentro da janela de 30 a 45 dias.

Com informações de iG Último Segundo.

Gostou desta reportagem?

Marque Revista Amazônia como fonte preferencial e veja mais conteúdo nosso no Google.

Gostou desta reportagem?
Siga a Revista Amazônia no Google News

⭐ SEGUIR AGORA