
Falta de chuva diminui o néctar disponível e enfraquece a formação das reservas para o inverno europeu.
Apicultores da Holanda estão dando açúcar dissolvido em água às abelhas para compensar a falta de néctar provocada por uma seca prolongada em 2026. A escassez de chuva reduziu a floração em áreas de solo arenoso no leste do país, ameaça a produção de mel de urze e diminui as reservas que as colmeias precisam para atravessar o inverno.
A situação se agravou justamente no início da temporada de produção do mel de urze, uma variedade associada às pequenas flores roxas que cobrem áreas de charneca. Neste ano, porém, muitas plantas floresceram por menos tempo ou nem chegaram a produzir flores em quantidade suficiente.
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Segundo a NOS, emissora pública dos Países Baixos, as regiões de solo seco e arenoso do leste holandês estão entre as mais afetadas. A paisagem da Strabrechtse Heide, no sudeste do país, apresenta vegetação ressecada e poucas flores de urze, que normalmente atraem grande quantidade de abelhas nesta época do ano.
O apicultor John Hoogendoorn, secretário da Associação Profissional de Apicultores da Holanda, afirmou à NOS que os enxames precisam ser acompanhados semanalmente. A vigilância permite identificar rapidamente quando a oferta de alimento diminui e agir antes que a colmeia perca força.
A apicultora Frauke Wessel relatou que as abelhas ainda transportam alimento para dentro das caixas, mas os favos estão sendo preenchidos em ritmo menor. A baixa disponibilidade de alimento também afeta a reprodução: segundo ela, a rainha está colocando menos ovos porque o enxame recebe poucos recursos.
Entenda o caso
As abelhas dependem do néctar das flores para produzir mel, que funciona como reserva energética da colmeia. Quando a seca reduz a floração, os insetos encontram menos alimento no ambiente e armazenam menos mel.
Para evitar a falta de comida, os criadores fornecem uma mistura de água e açúcar. A medida é emergencial e ajuda a sustentar as abelhas, mas não substitui completamente a diversidade de nutrientes obtida na natureza.
Açúcar para garantir a reserva do inverno
O mel produzido durante o verão é essencial para a sobrevivência das abelhas nos meses frios. Como a seca impede que as colmeias acumulem o volume esperado, os produtores precisam complementar a alimentação antes da chegada do inverno.
Hoogendoorn estima que terá de fornecer aproximadamente 15 quilos de açúcar por colmeia neste ano. A quantidade é superior à utilizada em temporadas anteriores e mostra o tamanho da pressão sobre os apicultores.
Segundo a NOS, cerca de 95% da apicultura holandesa é formada por criadores amadores. Mesmo sem atuar profissionalmente, esses produtores precisam acompanhar o peso das colmeias, a quantidade de alimento armazenado e a presença de ovos e larvas para avaliar a saúde dos enxames.
O calor também alterou o calendário dos insetos. Joris Knoops, da Associação Holandesa de Apicultores, explicou que as abelhas normalmente permanecem ativas entre o fim de fevereiro e meados de setembro. As temperaturas mais altas estão antecipando o início e prolongando o fim da temporada.
Mais tempo de atividade, no entanto, não significa necessariamente mais alimento. Em áreas afetadas pela seca, as abelhas podem continuar voando e procurando flores, mas encontram uma paisagem com pouca oferta de néctar. O resultado é um esforço maior para uma recompensa menor.
Impacto atinge outros insetos
O problema não se limita às abelhas criadas em colmeias. O biólogo Jan Wieringa disse à NOS que há poucas flores em áreas de charneca, dunas e margens de estradas. Com isso, abelhas silvestres, moscas e vespas também enfrentam redução na oferta de alimento.
Insetos que dependem diretamente da água sofrem uma pressão adicional. Libélulas, por exemplo, utilizam lagoas e outros ambientes úmidos para se reproduzir. Quando esses locais secam, o ciclo de vida das espécies é interrompido ou fica mais difícil.
A escassez de flores pode afetar ainda a polinização de plantas nativas e cultivadas. Esse serviço ecológico é realizado por diferentes insetos e influencia a produção de frutos e sementes. Na Amazônia, onde a agricultura, os sistemas agroflorestais e a vegetação nativa dependem de redes complexas de polinizadores, períodos de estiagem também podem ampliar riscos semelhantes, embora as condições climáticas e as espécies envolvidas sejam diferentes.
Primavera favorável não evitou a crise
Alguns apicultores holandeses tiveram uma boa colheita na primavera. O resultado foi favorecido pelo início precoce do período quente, que ampliou temporariamente a disponibilidade de flores. A melhora, porém, não compensou a queda registrada na produção de mel de verão.
As abelhas são consideradas capazes de se adaptar a diferentes condições climáticas. Ainda assim, a adaptação tem limites quando a falta de chuva se prolonga, a vegetação perde vigor e os períodos de floração ficam mais curtos.
Segundo a NOS, a seca não é a única ameaça às colmeias holandesas. A expansão da vespa-asiática, espécie invasora que captura abelhas e outros insetos, acrescenta pressão sobre os enxames. A combinação de menos alimento, calor prolongado e predadores pode elevar o trabalho necessário para manter as colônias saudáveis.
Perguntas frequentes
Por que os apicultores estão dando açúcar às abelhas?
Porque a seca reduziu a quantidade de flores e néctar disponíveis. O açúcar dissolvido em água funciona como complemento alimentar para manter as colmeias durante o período de escassez.
Quanto açúcar pode ser usado por colmeia?
O apicultor John Hoogendoorn estima que precisará fornecer cerca de 15 quilos de açúcar por colmeia neste ano, acima do volume utilizado em temporadas anteriores.
A seca afeta apenas as abelhas criadas por apicultores?
Não. Abelhas silvestres, moscas, vespas e insetos dependentes de ambientes úmidos, como as libélulas, também sofrem com a redução das flores e o ressecamento de lagoas e outros locais de reprodução.
Os apicultores holandeses devem continuar monitorando as colmeias semanalmente e reforçando a alimentação conforme a disponibilidade de néctar e a evolução da seca.
Com informações de NOS.
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