
Pesquisa identifica que apenas 10% das unidades industriais concentram mais da metade das emissões do setor.
O impacto climático da indústria petroquímica está concentrado em uma parcela pequena de suas fábricas. Um estudo internacional identificou que 10% das instalações analisadas respondem por 53% das emissões do setor e projetou crescimento de aproximadamente 50% até 2050 caso a produção continue no ritmo atual.
A pesquisa foi conduzida pela University of Sheffield, no Reino Unido, em colaboração com as universidades de Cambridge e Bath e a University of California. O levantamento, divulgado em 10 de setembro de 2026, examinou mais de 37 mil instalações e unidades de processamento espalhadas pelo mundo.
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Plano da ONU contra poluição e clima pode elevar PIB global em 2,8% até 2035 com 25 medidas integradasO resultado muda a forma de olhar para o problema. Em vez de tratar a petroquímica como um bloco único, os pesquisadores localizaram emissões por instalação, produto, processo e país. Essa divisão permite apontar onde medidas de redução poderiam produzir os maiores efeitos.
Poucas unidades concentram a maior parte do problema
A concentração das emissões é um dos principais achados do trabalho. Segundo a Universidade de Sheffield, 53% das emissões da indústria petroquímica vêm de apenas 10% das instalações avaliadas em escala global.
Essa distribuição cria uma possibilidade de ação mais direcionada. Em tese, intervenções nas unidades de maior emissão poderiam reduzir uma parcela expressiva do impacto sem exigir mudanças simultâneas em todas as fábricas do planeta. O estudo, porém, não apresenta essa concentração como uma solução simples.
As plantas são diferentes entre si, usam matérias-primas distintas e fabricam produtos com funções variadas. Por isso, a tecnologia capaz de reduzir emissões em uma unidade pode não ser adequada para outra. A localização, a disponibilidade de energia e a infraestrutura também influenciam a escolha.
Etileno e amônia aparecem entre os maiores emissores
Entre os principais produtos químicos primários analisados, o etileno e a amônia foram os que apresentaram as maiores emissões. O etileno é usado na fabricação de plásticos e embalagens, enquanto a amônia tem papel central na produção de fertilizantes.
Esses compostos também aparecem em cadeias ligadas a produtos de limpeza e a diferentes itens de uso cotidiano. Isso ajuda a explicar por que a redução das emissões não depende apenas de trocar equipamentos industriais. Ela envolve consumo, transporte, matérias-primas, geração de energia e destinação dos produtos depois do uso.
Segundo a University of Sheffield, o estudo publicado em 10 de setembro de 2026 mapeou as emissões de gases de efeito estufa de mais de 37 mil instalações e unidades de processamento da indústria petroquímica em todo o mundo.
O cenário que leva ao aumento até 2050
A projeção de alta de 50% considera um cenário de continuidade das práticas atuais, conhecido como business as usual. Nele, a produção segue crescendo sem uma transformação suficiente nos processos, na matriz energética ou no padrão de demanda por produtos petroquímicos.
O cálculo não significa que o aumento ocorrerá necessariamente. Ele funciona como um alerta sobre o caminho que pode ser seguido caso as decisões de descarbonização sejam adiadas ou aplicadas em escala insuficiente.
Os autores avaliaram possibilidades como maior eficiência industrial, eletrificação, mudança nas matérias-primas, uso de insumos de origem biológica e captura e armazenamento de carbono. A combinação dessas alternativas pode reduzir parte das emissões, mas não elimina o desafio.

“Unfortunately given the complexities of the petrochemical industry and the crucial role it plays in underpinning many of the everyday products that modern society is built on, there is no silver bullet.”
A declaração é do pesquisador Fanran Meng, professor sênior de Engenharia Química Sustentável da University of Sheffield. Em tradução livre, ele afirma que não existe uma solução única para um setor complexo e essencial à fabricação de muitos produtos usados pela sociedade.
Mesmo o cenário mais favorável não chega ao zero líquido
De acordo com a pesquisa, até uma combinação considerada extremamente otimista, com forte descarbonização das redes elétricas, implantação completa da captura e armazenamento de carbono elegível e oferta suficiente de matérias-primas de base biológica, não levaria o setor a emissões líquidas zero em 2050.
Essa conclusão coloca a redução da demanda no centro da discussão. Para os pesquisadores, a produção mais limpa precisa ocorrer junto com mudanças no volume e no tipo de produtos petroquímicos consumidos. A tecnologia, sozinha, não resolveria todo o problema.
A proposta não significa eliminar de imediato plásticos, fertilizantes ou produtos de limpeza. O ponto levantado pelo estudo é que políticas climáticas também precisam considerar eficiência no uso, reutilização, reciclagem, substituição de materiais quando possível e redução de desperdícios.
O que isso representa para a Amazônia
Os efeitos dessa agenda também alcançam a Amazônia. Nos estados do Acre, Amapá, Amazonas, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins, cadeias de abastecimento dependem de combustíveis, embalagens, fertilizantes, materiais de construção e produtos de limpeza, todos relacionados direta ou indiretamente à indústria química e petroquímica.
O estudo não apresenta um recorte específico para os estados amazônicos. Ainda assim, o mapa global pode ajudar governos, empresas e pesquisadores a identificar pontos de maior emissão nas cadeias que abastecem a região, além de orientar escolhas sobre energia, transporte, reaproveitamento de materiais e produção agrícola.
Para a Amazônia, a discussão tem uma camada adicional. A expansão de alternativas de base biológica precisa ser planejada para não aumentar a pressão sobre florestas, terras agrícolas e recursos hídricos. Trocar uma matéria-prima por outra não garante benefício climático se a mudança provocar novos impactos ambientais.
Um painel para localizar as emissões
Como parte do trabalho, os pesquisadores criaram um painel de acesso aberto com dados sobre as emissões por instalação, produto, processo e país. A ferramenta foi desenvolvida para apoiar decisões de indústrias, formuladores de políticas públicas e pesquisadores.
O painel de dados sobre emissões petroquímicas permite consultar a distribuição do problema e pode servir como base para priorizar investimentos em eficiência, eletrificação, captura de carbono e alterações de processo.
O artigo científico completo, intitulado “Emissions and System-level Decarbonisation Pathways for Global Petrochemical Production”, está disponível na revista Nature Sustainability por meio do estudo sobre os caminhos de descarbonização da produção petroquímica global.
O próximo passo indicado pelos resultados é transformar o mapa de emissões em decisões concretas sobre as unidades mais poluentes, a demanda por produtos e as alternativas tecnológicas disponíveis até 2050.
Com informações de University of Sheffield.
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