Estudo do BID mostra que só 2 de 37 empresas privadas planejam investir no turismo da Amazônia, apesar do interesse de colombianos, brasileiros e peruanos

Estudo do BID mostra que só 2 de 37 empresas privadas planejam investir no turismo da Amazônia, apesar do interesse de colombianos, brasileiros e peruanos
Ilustração: Revista Amazônia

Pesquisa inédita será apresentada em Manaus, de 23 a 25 de novembro, e expõe a distância entre a fama da floresta e a oferta estruturada de viagens.

De cada 37 atores privados do turismo analisados pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) na Amazônia, apenas dois informaram ter investimentos ou processos relevantes de expansão em andamento ou previstos no curto prazo. Os demais condicionam o aporte a recursos, garantias e melhores condições para operar. O dado integra o Estudo da Amazônia, que será apresentado ao público pela primeira vez no Fórum Brasileiro de Turismo Responsável, de 23 a 25 de novembro de 2026, em Manaus.

O número contrasta com o apetite dos viajantes. Segundo o BID, entre as pessoas que fazem viagens internacionais e ainda não conhecem a região, 23,2% dos colombianos, 19,8% dos brasileiros e 17,7% dos peruanos manifestaram interesse em visitá-la.

Vizinhos lideram a intenção de viagem

O levantamento comparou públicos próximos e distantes. Entre os mercados de longa distância pesquisados, os índices de interesse foram de 12,2% na França, 10,5% nos Estados Unidos e 7,9% na Espanha.

Brasileiros, colombianos e peruanos aparecem, portanto, entre os públicos com maior intenção de visitar a Amazônia no curto prazo. Para quem opera na região, isso aponta para um mercado regional que pode ser mobilizado com menos dependência de voos intercontinentais.

O estudo foi realizado no âmbito do programa Amazônia Sempre, do Grupo BID. Ele analisa a oferta turística, a demanda atual e potencial e as condições para o desenvolvimento e o investimento no setor.

A cultura entra na rota, ao lado da floresta

A natureza segue como principal motivação para visitar a Amazônia. Ainda assim, a dimensão cultural aparece com destaque: 46,5% da demanda potencial francesa, 37,8% da brasileira e 32,6% da colombiana mencionaram esse interesse.

Os dados indicam espaço para combinar biodiversidade, cultura, gastronomia e experiências comunitárias em uma mesma oferta. Para Juliana Bettini, especialista sênior de Turismo do BID e responsável pelo acompanhamento técnico da pesquisa, o cenário pede estrutura.

“O estudo mostra que existe uma oportunidade de mobilizar a demanda regional e ampliar a forma como a Amazônia é apresentada ao visitante. Mais do que a natureza, a cultura também tem potencial para atrair turistas. O desafio é transformar esse interesse em experiências estruturadas, negócios e benefícios duradouros para os territórios”, destaca Juliana Bettini.

Fama mundial, pouca informação prática

A pesquisa identificou uma distância entre o reconhecimento da Amazônia e o conhecimento sobre o que visitar. Entre viajantes de longa distância, a imagem do destino costuma se limitar à floresta e ao Rio Amazonas.

Informações sobre países, localidades específicas, formas de acesso e experiências disponíveis são menos conhecidas. A análise de conversas digitais reforça essa diferença entre visibilidade e conhecimento dos produtos turísticos.

Na prática, isso significa que a região é lembrada, mas nem sempre é vendida como roteiro. O estudo aponta oportunidades para aprimorar a promoção, facilitar o acesso à informação e articular destinos e experiências.

Por que o investimento não acompanha o interesse

No campo do investimento privado, o resultado é mais cauteloso. Dos 37 atores considerados, só dois têm expansão em curso ou prevista no curto prazo.

Segundo o BID, o potencial turístico, por si só, não basta para garantir a expansão dos negócios. O fortalecimento do ecossistema regional depende de condições como infraestrutura, financiamento, logística e governança.

Preparar o ambiente para investimentos, de acordo com o estudo, passa por fortalecer os negócios que já existem e ampliar as condições para que novos empreendimentos operem, cresçam e gerem benefícios econômicos nos territórios amazônicos.

O que o fórum vai discutir em Manaus

A apresentação será conduzida por Juliana Bettini e fará parte da programação do Fórum, que reunirá representantes do turismo, comunidades, empresas, organizações e especialistas. Entram em pauta turismo de base comunitária, conservação, bioeconomia, mudanças climáticas e geração de negócios na Amazônia.

Os resultados reúnem pesquisas e fontes com períodos de referência entre 2019 e 2024, com universos, metodologias e alcances próprios. Os dados representam uma fotografia do período analisado e não constituem um diagnóstico institucional atualizado do BID sobre toda a Amazônia.

A divulgação completa do estudo no evento, em novembro, deve alimentar o debate sobre como converter o interesse dos visitantes em oferta estruturada e investimento nos territórios.

Serviço

  • Evento: Fórum Brasileiro de Turismo Responsável, Edição Amazônia
  • Data: 23 a 25 de novembro de 2026
  • Local: Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), Avenida André Araújo, 2.936, Manaus (AM)
  • Informações e inscrições: forumturismoresponsavel.com.br/edicao-regional-amazonia

Com informações de Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).

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