
Evento será realizado no INPA, de 23 a 25 de novembro de 2026, com debates, oficinas, negócios e imersões.
Durante três dias, participantes do setor turístico poderão sair das salas de debate e conhecer iniciativas desenvolvidas em territórios amazônicos. Essa é a proposta central da Edição Amazônia do Fórum Brasileiro de Turismo Responsável, que será realizada de 23 a 25 de novembro de 2026, no Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, o INPA, em Manaus.
O encontro reunirá lideranças comunitárias, empreendedores, gestores públicos, pesquisadores e profissionais do turismo para discutir como a atividade pode gerar renda sem se afastar da conservação ambiental, da valorização cultural e dos direitos das populações tradicionais. A agenda inclui painéis, atividades práticas, encontros de networking, oportunidades de negócios e visitas técnicas.
Por que a programação termina fora do auditório
A escolha de Manaus não funciona apenas como mudança de endereço para um evento nacional. A organização pretende usar a edição para observar experiências que já acontecem na região e entender, diretamente com os envolvidos, quais soluções podem ser adaptadas ou inspirar projetos em outras partes do Brasil.
No último dia, 25 de novembro, os participantes deixarão o espaço do INPA para fazer imersões e visitas técnicas a territórios amazônicos. A atividade foi planejada para aproximar o debate da rotina de quem recebe visitantes, administra empreendimentos, protege áreas naturais ou organiza experiências ligadas à cultura e ao modo de vida local.
Segundo o Grupo Vivejar, o Fórum Brasileiro de Turismo Responsável realiza sua Edição Amazônia em Manaus, no Amazonas, entre 23 e 25 de novembro de 2026, com programação voltada ao turismo de base comunitária, à conservação, às mudanças climáticas e ao desenvolvimento responsável.
Um debate que atravessa nove estados
O recorte amazônico amplia a discussão para além dos limites administrativos do Amazonas. O bioma se estende, no Brasil, por Acre, Amapá, Amazonas, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins. Cada estado reúne diferentes condições de acesso, infraestrutura, paisagens, comunidades, cadeias produtivas e formas de relação com os visitantes.
Essa diversidade interfere na maneira como o turismo pode ser planejado. Uma solução adequada para uma área urbana próxima a Manaus pode não servir para uma comunidade ribeirinha, uma reserva extrativista, uma região de fronteira ou um município do interior com acesso limitado. Por isso, a agenda do Fórum combina temas gerais, como gestão e mercado, com experiências concretas dos territórios.
Entre os assuntos previstos estão o turismo de base comunitária, a bioeconomia, a conservação, as mudanças climáticas e o desenvolvimento responsável em territórios tradicionais. O conjunto relaciona a chegada de visitantes a questões como distribuição de renda, proteção ambiental, governança, qualificação dos serviços e participação das comunidades nas decisões.
O que está previsto para cada dia
A abertura, em 23 de novembro, terá painéis sobre promoção internacional, experiência do cliente, monetização da responsabilidade e sistemas de gestão ESG em grandes eventos. A programação aproxima a dimensão comercial do turismo das responsabilidades sociais e ambientais que acompanham a operação de destinos, produtos e eventos.
O tema da monetização aparece novamente no segundo dia, 24 de novembro, ao lado de workshops dedicados ao turismo de base comunitária. Também estão previstos encontros de networking e negócios, além de uma feira de produção associada. Esse formato pode aproximar empreendimentos, fornecedores, organizações e compradores interessados em produtos e experiências vinculados aos destinos.
A feira amplia o debate para além dos serviços tradicionalmente vendidos como passeios ou hospedagem. A produção associada pode incluir bens e atividades relacionados à identidade do território, desde que a relação com o turismo seja construída de maneira organizada e respeitosa com as comunidades envolvidas.
Em 25 de novembro, a programação será dedicada às imersões e visitas técnicas. A proposta é permitir que os participantes observem no local como iniciativas de turismo responsável são estruturadas e quais desafios aparecem na prática. O contato direto também deve alimentar as conversas sobre políticas públicas, gestão e replicação de experiências.
O que significa turismo responsável na prática
O conceito discutido pelo Fórum não se limita à redução de impactos ambientais. Ele envolve a responsabilidade de diferentes atores, incluindo empresas, poder público, visitantes, comunidades, instituições de ensino e organizações que atuam na conservação.
Na prática, isso pode significar planejar a visitação conforme a capacidade do território, fortalecer a contratação de serviços locais, reconhecer o trabalho de condutores e empreendedores comunitários, respeitar protocolos culturais e evitar que a atividade turística transforme a natureza ou a cultura em simples cenário de consumo.
Também existe uma dimensão econômica. Para que o turismo contribua com o desenvolvimento, o dinheiro movimentado pelos visitantes precisa alcançar a economia local e permanecer, em alguma medida, nos territórios. Isso depende de governança, qualificação, acesso a mercados, organização dos negócios e transparência na divisão de responsabilidades e benefícios.

Em regiões amazônicas, o planejamento ainda precisa considerar sazonalidade dos rios, longas distâncias, conectividade, custos de deslocamento, disponibilidade de energia e atendimento emergencial. Esses fatores alteram a experiência do visitante e podem determinar se uma atividade será viável para quem vive no destino.
Por trás dos números e da trajetória do Fórum
O Fórum Brasileiro de Turismo Responsável foi criado em 2025. A primeira edição nacional ocorreu em Brasília, entre 11 e 14 de setembro daquele ano, reunindo mais de 200 participantes de todas as regiões do país.
A realização teve apoio institucional do Banco Interamericano de Desenvolvimento, do Ministério do Turismo e da Embratur, além de parceria acadêmica do Laboratório de Estudos em Turismo e Sustentabilidade da Universidade de Brasília, o LETS/UnB.
Em março de 2026, o projeto avançou para o formato regional com uma edição em Belo Horizonte, realizada com apoio da Belotur, do Sistema Fecomércio de Minas Gerais, do Sesc e do Senac. A agenda em Manaus é apresentada como a terceira realização do Fórum e como uma etapa voltada às diferentes realidades do bioma amazônico.
A trajetória indica uma tentativa de combinar escala nacional e conhecimento territorial. Primeiro, o evento reuniu representantes de várias regiões em Brasília. Depois, passou a promover encontros regionais. Na Amazônia, o desafio é incorporar ao debate experiências que não podem ser compreendidas apenas a partir de modelos urbanos ou de destinos com infraestrutura turística consolidada.
O que a edição pode representar para a Amazônia
Para o Amazonas, a realização no INPA coloca Manaus no centro de uma conversa que envolve pesquisa, conservação e turismo. A localização também pode favorecer a aproximação entre profissionais do setor e instituições que estudam a floresta, os rios, a biodiversidade e as transformações provocadas pelas mudanças climáticas.
Para os demais estados amazônicos, o interesse está na possibilidade de apresentar iniciativas e estabelecer conexões com políticas, empresas e mercados de outras regiões. Empreendimentos do Acre, Amapá, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins enfrentam contextos diferentes, mas compartilham questões como logística, valorização de produtos locais, conservação e participação comunitária.
O encontro também pode ajudar a evitar uma visão única sobre a Amazônia. O bioma não é formado por um destino turístico homogêneo. Há cidades, áreas rurais, rios, florestas, territórios tradicionais, unidades de conservação e comunidades com diferentes formas de receber visitantes. O planejamento responsável precisa reconhecer essa variedade.
Outro ponto relevante é a relação entre turismo e mudanças climáticas. Alterações no regime de chuvas, secas severas, cheias, calor extremo e dificuldades de deslocamento podem afetar tanto a segurança dos visitantes quanto a renda de quem depende da atividade. Discutir adaptação, gestão de riscos e continuidade dos negócios é parte da agenda de desenvolvimento responsável.
Ingressos e acesso ao evento
A participação no Fórum é paga e terá diferentes modalidades de ingresso. Além da entrada inteira, haverá meia-entrada para estudantes, professores, pessoas idosas com 60 anos ou mais e pessoas com deficiência, mediante comprovação.
Também será oferecido ingresso social, sem exigência de comprovação de renda. Pessoas que não tenham recursos para participar poderão solicitar bolsa integral por meio do preenchimento de formulário disponibilizado pela organização.
O evento será realizado no Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, localizado na Avenida André Araújo, número 2.936, em Manaus. As inscrições e informações sobre ingressos estão disponíveis na plataforma Sympla.
Uma agenda que continua depois de Manaus
Para Marianne Costa, idealizadora do Fórum Brasileiro de Turismo Responsável e CEO do Grupo Vivejar, a edição amazônica deve priorizar a escuta de quem já desenvolve soluções na região.
“O Fórum chega à Amazônia, antes de tudo, para aprender com o bioma e com as diversas iniciativas bem-sucedidas que já acontecem na região. Queremos conhecer essas experiências, entender o que tem funcionado e pensar em como algumas dessas soluções podem ser ampliadas e inspirar outras iniciativas pelo Brasil. Esse momento de troca na gestão política também é muito favorável a esse aprendizado”, afirma Marianne Costa.
A próxima edição nacional do Fórum já está prevista para os dias 2 e 4 de junho de 2027, novamente em Brasília. A expectativa é que os debates e as experiências reunidas em Manaus contribuam para essa continuidade e para a formulação de caminhos aplicáveis a diferentes destinos brasileiros.
Com informações do Grupo Vivejar.
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