
Um estudo publicado em 2025 na revista Communications Earth & Environment analisou 20 anos de dados de doenças relacionadas a queimadas e a zoonoses/vetores em 1.733 municípios da bacia amazônica, abrangendo oito países. O resultado principal: a extensão e a integridade das Terras Indígenas (TIs) têm efeitos complexos, mas potencialmente protetores, sobre a incidência de 27 doenças, beneficiando a saúde de cerca de 33 milhões de pessoas que vivem no bioma.
As TIs, quando bem preservadas e com alto percentual de cobertura florestal, ajudam a reduzir doenças ligadas à fumaça de queimadas (respiratórias e cardiovasculares) e, em certos contextos de paisagem, também influenciam a dinâmica de doenças transmitidas por animais e insetos.
O que o estudo mediu
Os pesquisadores cruzaram dados de incidência de doenças (fire-related e zoonotic/vector-borne) com a área de TIs, seu status legal de reconhecimento e parâmetros de paisagem (cobertura florestal, fragmentação, densidade de bordas). O bioma amazônico abriga cerca de 2,7 milhões de indígenas de aproximadamente 350 etnias, além de dezenas de milhões de habitantes não indígenas.
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Ele viu as cerejas vermelhas pendendo sobre o próprio jardim e pensou que já eram suas; na França colher o fruto ainda preso ao galho do vizinho é proibido e só o que cai sozinho no chão passa a ser seuOs efeitos não são lineares. TIs em municípios com alta cobertura florestal fora de seus limites tendem a mitigar o impacto de material particulado fino (PM2.5) e reduzir doenças relacionadas a queimadas. Para doenças zoonóticas e transmitidas por vetores, tanto florestas dentro quanto fora das TIs, quando cobrem mais de 40% do município, ajudam a diminuir os efeitos negativos da fragmentação.
Por que as terras indígenas protegem a saúde
Florestas intactas regulam o microclima, reduzem a frequência e a intensidade de queimadas e mantêm populações de animais e insetos em equilíbrio, o que pode limitar o contato humano-vetor e a amplificação de patógenos. Quando as TIs são legalmente reconhecidas e têm baixa fragmentação, esses serviços ecossistêmicos se fortalecem.
No Brasil, que concentra a maior parte da população e das TIs da Amazônia, o estudo reforça a importância da demarcação e da proteção efetiva. A saúde pública e a conservação da biodiversidade aparecem como faces da mesma moeda.
Implicações para o Brasil
Com 33 milhões de pessoas vivendo no bioma e milhões dependendo direta ou indiretamente da floresta, a manutenção de TIs grandes, conectadas e bem manejadas é uma política de saúde pública de baixo custo e alto impacto. O estudo alerta que a perda de floresta e o aumento da fragmentação podem reverter os benefícios.
A pesquisa destaca a necessidade de considerar o contexto da paisagem ao redor das TIs. Florestas indígenas isoladas em paisagens altamente desmatadas têm capacidade limitada de proteger a saúde. A conectividade e a integridade regional são essenciais.
Conclusão
As Terras Indígenas da Amazônia não protegem apenas a biodiversidade e os direitos dos povos: elas protegem a saúde de milhões de pessoas. O estudo de 20 anos em 1.733 municípios mostra que manter as florestas em pé, especialmente dentro de TIs reconhecidas, é uma estratégia de saúde pública e de conservação ao mesmo tempo. No Brasil, fortalecer a demarcação e a gestão dessas áreas é investir no bem-estar de toda a população da Amazônia.
Fonte: Communications Earth & Environment, 2025. “Indigenous Territories can safeguard human health depending on the landscape structure and legal status.”
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