
Emissões da gigante de tecnologia cresceram quase 20% em um ano, pressionadas pela expansão da infraestrutura de inteligência artificial.
O Google admitiu publicamente que suas metas climáticas estão ficando “cada vez mais difíceis” de cumprir, enquanto suas emissões de gases de efeito estufa cresceram quase 20% entre 2024 e 2025. A revelação consta no relatório ambiental mais recente da companhia, divulgado no início de julho de 2026, e aponta a explosão da demanda por inteligência artificial (IA) como principal responsável pelo aumento.
Segundo o documento, a gigante de tecnologia norte-americana viu suas emissões totais subirem 19% em apenas doze meses, impulsionadas pela rápida expansão de data centers necessários para treinar e operar modelos de IA generativa. Ao mesmo tempo, a empresa enfrenta dificuldades crescentes para acessar fontes de energia renovável em escala compatível com a velocidade de crescimento da infraestrutura digital.
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O treinamento e a operação de grandes modelos de linguagem, como o Gemini do próprio Google, exigem quantidades massivas de energia elétrica. Data centers dedicados a essas tarefas consomem dezenas a centenas de megawatts de forma contínua, o equivalente ao consumo de dezenas de milhares de residências.
A escalada na capacidade computacional acontece em um ritmo muito superior ao da construção de novas usinas de energia renovável e da expansão de redes de transmissão. Mesmo em regiões com oferta abundante de energia solar ou eólica, gargalos de infraestrutura impedem que empresas de tecnologia contratem energia limpa na velocidade necessária.
Em várias localidades dos Estados Unidos e da Europa, a demanda por conexão de novos data centers à rede elétrica já supera a capacidade disponível, forçando as companhias a recorrer temporariamente a fontes fósseis ou a adiar projetos de expansão.
Metas climáticas em xeque
O Google havia se comprometido publicamente a operar com energia 100% renovável em todas as suas instalações até 2030 e a alcançar emissões líquidas zero na mesma data. No entanto, o relatório de 2026 reconhece pela primeira vez que essas metas podem não ser atingidas no prazo previsto, caso a trajetória atual de crescimento das emissões se mantenha.
A empresa afirma no documento que continua investindo em contratos de compra de energia renovável de longo prazo (PPAs) e em projetos de armazenamento de energia em bateria, mas admite que “o desafio está ficando mais difícil à medida que a demanda por IA cresce exponencialmente”.
Entenda o contexto
Grandes empresas de tecnologia, incluindo Microsoft, Amazon e Meta, enfrentam dilema semelhante: a corrida pela liderança em inteligência artificial exige investimentos bilionários em infraestrutura de computação, ao mesmo tempo em que compromissos climáticos estabelecidos há anos pressioam por reduções drásticas de emissões. A tensão entre crescimento acelerado e sustentabilidade expõe os limites práticos da transição energética em setores de alta demanda.
Impacto na Amazônia e em regiões tropicais
Embora o Google não possua data centers de grande porte na Amazônia brasileira, a pressão global por energia limpa afeta diretamente a região. Projetos de geração de energia renovável na Amazônia Legal, especialmente hidrelétricas de médio porte e usinas solares, atraem cada vez mais interesse de investidores internacionais que buscam créditos de carbono e contratos de fornecimento de longo prazo.
Ao mesmo tempo, o aumento das emissões globais de gases de efeito estufa acelera mudanças climáticas que impactam diretamente a floresta amazônica, com padrões de chuva mais irregulares e temporadas de seca mais intensas. A região já registra aumento na frequência de incêndios florestais e estresse hídrico em bacias importantes.
Próximos passos e perspectivas
O Google afirmou que pretende divulgar, até o final de 2026, um plano atualizado de descarbonização que leve em conta a nova realidade imposta pela IA. A empresa também estuda investimentos em tecnologias emergentes de captura de carbono e em modelos de IA mais eficientes do ponto de vista energético.
Analistas de mercado apontam que outras grandes empresas de tecnologia devem seguir caminho semelhante nos próximos meses, reconhecendo publicamente o conflito entre crescimento acelerado da IA e cumprimento de metas climáticas estabelecidas antes da explosão da tecnologia generativa.
Perguntas frequentes
Por que a IA aumenta tanto as emissões de carbono?
Modelos de inteligência artificial generativa exigem treinamento em supercomputadores que funcionam 24 horas por dia, consumindo quantidades enormes de eletricidade. Se essa energia vem de fontes fósseis, as emissões disparam.
O Google ainda consegue cumprir suas metas climáticas?
A empresa admitiu que as metas de 2030 estão ficando “mais difíceis” de alcançar, mas não descartou oficialmente os compromissos. Um plano atualizado deve ser divulgado até o fim de 2026.
Outras empresas de tecnologia enfrentam o mesmo problema?
Sim. Microsoft, Amazon e Meta também veem suas emissões subirem com a expansão de data centers para IA, apesar de compromissos públicos de redução de carbono.
Com informações de BusinessGreen.
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