Maguari caça pela visão em áreas alagadas e faz ninho no chão ou sobre plantas aquáticas

Maguari mantém o bico entreaberto na água turva, fecha por reflexo e captura alimento sem depender da visão
Ilustração: Revista Amazônia

Ave de quase 1,1 metro, o maguari caça sobretudo pela visão em campos alagados e faz o ninho no chão ou sobre plantas aquáticas, em colônias pequenas.

Uma cegonha sul-americana de áreas alagadas

O maguari, Ciconia maguari, é uma das três cegonhas que ocorrem no Brasil, ao lado do tuiuiú (Jabiru mycteria) e do cabeça-seca (Mycteria americana), segundo o WikiAves. Mede entre 97 e 110 centímetros de comprimento, de acordo com o Museu do Cerrado, e tem plumagem branca com asas e cauda pretas, pescoço, pernas e bico compridos, e tons de vermelho nas pernas, ao redor dos olhos e na base do bico.

A espécie usa campos úmidos, campos alagados, brejos, pântanos e lagoas rasas. O WikiAves observa que, enquanto outras cegonhas ficam em brejos de vegetação rala, o maguari costuma permanecer em ambientes úmidos de vegetação densa, o que o torna uma das cegonhas mais difíceis de avistar. Em voo alto, pode ser confundido com o cabeça-seca. A diferença, segundo a mesma fonte, está no pescoço coberto de penas brancas, enquanto o adulto de cabeça-seca tem o pescoço nu, e na cauda preta, quase escondida pelas longas penas brancas do ventre.

Caça guiada principalmente pela visão

De acordo com o Birds of the World, banco de dados ornitológico do Laboratório de Ornitologia da Universidade Cornell, o maguari é um forrageador oportunista e visual. Ele caminha pela água rasa e captura o que encontra: sapos e girinos, peixes, com destaque para enguias, cobras aquáticas e insetos aquáticos. O Museu do Cerrado acrescenta crustáceos, pequenos roedores e outros répteis à lista, e o WikiAves resume a dieta como essencialmente de invertebrados aquáticos, crustáceos, anfíbios, cobras aquáticas e peixes.

Fora do período reprodutivo, o Birds of the World registra que a dieta passa a incluir roedores, enquanto as aves percorrem grandes áreas à procura de alimento abundante em cada local. A espécie também forrageia em grupo, e agregações de centenas de aves chegam a ser vistas, sobretudo no sul da área de distribuição.

Ninho no chão ou sobre vegetação aquática

Segundo o WikiAves, o maguari nidifica sobre plantas aquáticas, em ilhas flutuantes e na parte mais densa de grandes brejos, em colônias de 5 a 20 ninhos próximos uns dos outros, a algumas dezenas de metros. A postura é de quatro ovos, e casais fazem danças de acasalamento perto do ninho, com batidas rítmicas de bico. O padrão difere do tuiuiú, cujos ninhos ficam nas árvores mais altas de matas esparsas ou ciliares, com altura média de 11 metros, segundo a AMDA.

O Museu do Cerrado informa que a reprodução ocorre entre agosto e outubro, em grupos coloniais, com ninhos de juncos e galhos sobre vegetação flutuante. Um estudo publicado em 2023 na revista Papéis Avulsos de Zoologia, de Dárius Pukenis Tubelis e Ivinna Kariny da Costa Vieira, analisou 65 registros fotográficos da base de dados WikiAves, coletados em 13 anos e em 32 municípios. Cerca de 86% dos registros de reprodução vieram do Pampa, no sul do Brasil. Os ninhos eram grandes plataformas com um a três filhotes. Os ninhos de chão apareceram em campos ou em áreas de junco, e os ninhos em arbustos ficavam no limite entre lagoas e campos, muitas vezes em colônias com garças.

Ainda segundo esse estudo, a incubação foi registrada de julho a novembro, os filhotes de agosto a dezembro, e os jovens já emplumados do fim de outubro a fevereiro. A maior parte da atividade reprodutiva ocorreu abaixo de 300 metros de altitude. Os autores sugerem que a espécie, por ser fácil de observar, serve a iniciativas de ecoturismo, desde que se mantenham os microambientes de que ela depende: campos, banhados, lagoas, plantas lenhosas e áreas de junco.

Presença no Brasil e na Amazônia

O maguari é encontrado em grande parte da América do Sul. O WikiAves o descreve como comum no Rio Grande do Sul e restrito na Amazônia e no Nordeste do Brasil. O Museu do Cerrado situa as ocorrências principalmente nas regiões Sul, Centro-Oeste e Sudeste, com populações dispersas no norte do país.

O Museu do Cerrado informa que a espécie não é considerada ameaçada pelo ICMBio nem pela União Internacional para a Conservação da Natureza, a IUCN, e que as populações são estáveis. O Birds of the World a classifica na categoria de menor preocupação. Para quem observa a ave em banhados e campos alagados, o que identifica o maguari é a combinação de caça visual em água rasa e ninho montado rente à água, no meio de juncos e plantas aquáticas.

Gostou desta reportagem?

Marque Revista Amazônia como fonte preferencial e veja mais conteúdo nosso no Google.

Gostou desta reportagem?
Siga a Revista Amazônia no Google News

⭐ SEGUIR AGORA