
Dados do Copernicus mostram que o gelo marinho atingiu mínimos ou quase mínimos históricos nos dois extremos do planeta enquanto fevereiro ficou entre os meses mais quentes já medidos.
O gelo marinho que cobre os dois extremos do planeta atingiu níveis muito baixos em fevereiro de 2025. No Ártico, a extensão ficou 8% abaixo da média para o mês e alcançou o menor registro já observado em um período do ano no qual o gelo costuma estar próximo de sua extensão máxima. Na Antártica, a cobertura ficou 26% abaixo da média e teve a quarta menor extensão mensal para fevereiro.
A combinação dos dois polos levou a cobertura global de gelo marinho ao menor nível já registrado. A análise foi divulgada em 6 de março de 2025 com base em dados do Copernicus, programa europeu de monitoramento ambiental. O resultado apareceu no mesmo mês em que a temperatura média global do ar ficou entre as mais altas para fevereiro, reforçando a relação entre a evolução do gelo e o aquecimento observado no sistema climático.
Ártico chega ao menor nível para um mês de fevereiro
No Polo Norte, o gelo marinho costuma crescer durante o outono e o inverno boreais, alcançando sua maior extensão anual perto do fim dessa estação. Em fevereiro de 2025, porém, a área coberta ficou 8% abaixo da média calculada para o mês. O valor representou a menor extensão já registrada para esse período do ano, quando a superfície congelada normalmente está próxima do máximo anual.
O registro ocorreu depois de uma sequência de três recordes consecutivos nos meses anteriores. A informação não descreve apenas uma redução pontual em uma data isolada, mas uma sucessão de valores muito baixos durante a fase de expansão sazonal do gelo no Ártico. A extensão do gelo marinho varia naturalmente ao longo do ano, mas o acompanhamento mensal permite comparar cada período com médias históricas e identificar quando a cobertura se afasta desse padrão.
Antártica mantém cobertura muito abaixo da média
No Polo Sul, a situação sazonal é diferente. Fevereiro ocorre perto do mínimo anual de gelo marinho da Antártica, depois do período de retração que acompanha o verão austral. Ainda assim, a extensão registrada ficou 26% abaixo da média e foi a quarta menor para um mês de fevereiro desde o início da série analisada.
Se não houvesse um novo recorde em março, aquela extensão seria a segunda menor já registrada na Antártica considerando todos os meses do ano. Essa projeção dependia do comportamento do gelo no mês seguinte e, por isso, não deveria ser confundida com um resultado fechado para toda a série histórica. O dado disponível para fevereiro, contudo, já colocava a cobertura antártica entre os menores níveis mensais observados.
Fevereiro também ficou entre os meses mais quentes
Os números do gelo apareceram junto de temperaturas elevadas. A média global do ar na superfície em fevereiro de 2025 foi de 13,36 graus Celsius, valor 0,63 grau Celsius acima da média do período de 1991 a 2020. Foi o terceiro fevereiro mais quente registrado. Na comparação com o período pré-industrial, entre 1850 e 1900, a temperatura ficou 1,59 grau Celsius acima da média.
Fevereiro também foi o 19º mês, em uma sequência de 20 meses, com temperatura média global do ar pelo menos 1,5 grau Celsius acima do nível pré-industrial. A temperatura média da superfície do mar nas zonas temperadas e intertropical, medida a cerca de 10 metros de profundidade, chegou a 20,88 graus Celsius. Foi o segundo maior valor para fevereiro, 0,18 grau Celsius abaixo do registrado no mesmo mês de 2024.
Gelo, oceanos e extremos regionais formam o quadro climático
Para Samantha Burgess, responsável estratégica pelo clima no Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo, uma das consequências de um mundo mais quente é o derretimento do gelo marinho. Segundo ela, a cobertura em nível recorde ou próximo do recorde nos dois polos empurrou a extensão global de gelo marinho para um mínimo histórico. A formulação relaciona o quadro observado ao aquecimento do planeta, mas não significa que cada evento meteorológico regional tenha sido causado isoladamente pela redução do gelo.
Os dados do mesmo período mostram chuvas abaixo da média em grande parte da Europa, umidade do solo reduzida em áreas da Europa Central e Oriental, no sudeste da Espanha e na Turquia, além de condições mais secas em regiões da América do Norte, Ásia, China, Austrália e América do Sul. A Argentina registrou incêndios florestais. A análise do Copernicus, divulgada em 6 de março de 2025 e noticiada pela Agência Brasil, transforma os números polares em uma medida concreta de como o aquecimento altera componentes conectados do planeta, do gelo ao oceano e à distribuição da umidade.
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